terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012 09:31h Atualizado em 7 de Fevereiro de 2012 às 10:20h. Marina de Morais

Centro do Migrante atenta população sobre esmolas

O Centro do Migrante de Divinópolis, parte da rede de atendimento social da cidade, realiza atendimentos, aproximadamente, desde 1981. Há seis anos em sede localizada no centro da cidade, o local conta com 12 leitos masculinos e 4 femininos

O Centro do Migrante de Divinópolis, parte da rede de atendimento social da cidade, realiza atendimentos, aproximadamente, desde 1981. Há seis anos em sede localizada no centro da cidade, o local conta com 12 leitos masculinos e 4 femininos.
O Centro, que tem como público-alvo cidadãos de outras cidades, que estejam em Divinópolis por um período menor do que 2 meses a procura de emprego, fixação na cidade ou tentando voltar para casa, presta parte de seus serviços também para moradores de rua. Para migrantes, o local oferece refeições diárias, banhos, vestuário e abrigo.
De acordo com Ilidia Dias Martins, coordenadora do Centro do Migrante, pode ser disponibilizada passagem de ônibus para que o migrante possa voltar para casa. Ela ainda conta que a permanência máxima para os cidadãos apenas de passagem é de 3 dias, e de até 15 dias para pessoas que conseguem emprego na cidade. De acordo com Ilidia, a maior parte dos migrantes que é direcionada para o centro é composta por andarilhos.
Ilidia conta que às 17h30 os moradores de rua e migrantes podem tomar banho no local e fazer sua higienização. Entretanto, ela afirma que a permanência durante a noite no local é exclusiva para os migrantes. As roupas são doadas de acordo com a necessidade, sendo prioritárias também para os migrantes.
Já em relação à alimentação, são disponibilizados dois tickets por dia: um para o almoço em um restaurante central da cidade e outro para a sopa, distribuída no Restaurante Popular.
De acordo com Ilidia, quando as passagens são liberadas para os migrantes, eles devem tomar banho e irem para o terminal rodoviário. Lá eles são direcionados para o ônibus e podem retornar apenas após um ano para o Centro. Ilidia conta que é realizada uma busca ativa sobre os cidadãos direcionados para o local. Essa busca consiste em uma procura pelas informações sobre as pessoas, como cidade de origem, contato de familiares, entre outros. Então, se for de desejo do migrante, o Centro entra em contato com sua família para que o vínculo familiar seja restabelecido e ele possa voltar para casa. Ilidia ainda conta que em alguns casos, a própria família vai em busca do migrante.
A coordenadora conta como é feita a abordagem. Os usuários podem procurar o Centro, assim também como eles podem ser direcionados pela Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Hospitais, Órgãos Municipais. Ela informa que há pessoas que ligam para o Centro, quando localizam migrantes andarilhos principalmente próximos às suas casas. Ilidia diz que a abordagem é tranquila, que pela própria forma de conversar com os migrantes eles sentem que podem confiar e pedir o que precisam.
“Tem que ter muito respeito com as pessoas, muita educação”, conta Ilidia sobre o relacionamento com os cidadãos que passam pelo Centro. “A sociedade prefere não enxergar os indivíduos. Mas nós somos iguais”, acrescenta.
Linda Antunes, monitora social do Centro do Migrante, conta que quando começou a trabalhar no local se sentia incomodada, porque não estava acostumada a lidar com tanta pobreza. “Hoje, eu percebo a diferença. Nós somos todos iguais, somos amigos. Nós temos riscos de ter as mesmas doenças, mesmas tristezas, alegrias. Eu gosto muito daqui. E a gente sente falta quando os migrantes param de vir aqui”, comenta. Já Ilidia diz que a atividade é muito gratificante. “A gente passa por uma pessoa na rua que esteve aqui. A pessoa toda arrumada, em um bom emprego. Dá uma alegria. Nos dias de chuva, então, eu fico preocupada, pensando em onde as pessoas estão dormindo, se estão abrigadas”, conta, emocionada. As funcionárias mostram, orgulhosas, um desenho feito por um migrante que passou pelo Centro afixado na parede. Elas dizem que não existe distinção no lugar, que já passaram por lá jornalistas, engenheiros, eletricistas, entre outras profissões. De acordo com ela, há, na maioria dos casos, uma frustração emocional que faz com que a pessoa se torne um migrante, como o fim de um casamento, perda da mãe, ou até mesmo o envolvimento com drogas.
As funcionárias alertam a população sobre as esmolas. De acordo com elas, a esmola é hoje uma das maiores dificuldades no auxílio para o migrante. Isso porque, segundo elas, a atividade é viciante e pedindo dinheiro os migrantes conseguem se manter por mais tempo nas ruas e, muitas vezes, podendo se envolver com drogas. “O ideal é que a população não dê esmolas, mas sim um apoio, informando e direcionando os migrantes para os órgãos competentes, como é o caso do Centro”, alegam.

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