sábado, 15 de Novembro de 2014 04:00h Atualizado em 15 de Novembro de 2014 às 04:03h. Pollyanna Martins

Chuva e retirada de aguapés não minimizam mau cheiro do Rio Itapecerica

Os bairros Niterói e Porto Velho são os mais atingidos pelo problema

A população cobrou da Prefeitura de Divinópolis a retirada dos aguapés que tomam conta do Rio Itapecerica e, depois de muitos contratempos, o serviço começou a ser feito. Mas, apesar dos esforços e da chuva, o mau cheiro do rio continua. Os moradores dos bairros Porto Velho e Niterói dizem que o problema começou há pouco mais de quatro meses e piora a cada dia. Quem passa pela tão conhecida ponte do Niterói precisa ter o estômago forte.
A comerciante Fabiana Oliveira tem uma padaria no bairro e, junto com moradores e outros comerciantes, organizaram duas manifestações em setembro, cobrando uma solução das autoridades, mas segundo a comerciante, o problema não foi solucionado. “Tem três anos que a gente tem o ponto aqui no bairro. Nós fizemos a manifestação e ninguém se pronunciou. Teve uma audiência pública na Câmara Municipal, mas os políticos só falaram e não tomaram nenhuma atitude. Estão tirando o aguapé, com dificuldade, mas estão tirando, porém o mau cheiro continua”, reclama.
De acordo com Fabiana, durante os dias que choveu, o mau cheiro desapareceu, mas há duas semanas voltou com “força total”, pois o que antes era sentido apenas na parte da tarde, agora acontece o dia todo. “Choveu um pouquinho, melhora. Mas acabou a chuva o mau cheiro volta. A gente estava organizando outra manifestação, mas desta vez para parar a ponte do Porto Velho também. Porque aqui não tem como a gente nem trabalhar”, adianta.

QUEDA NO COMÉRCIO
Fabiana reclama ainda da queda de clientes que teve na padaria. De acordo com ela, as portas do estabelecimento são fechadas mais cedo, mesmo no horário de verão, pois no fim da tarde o mau cheiro torna-se insuportável. “Por volta de 17h isso aqui vira um inferno. Tanto que quem passa na ponte tem que prender a respiração, porque não dá conta. Eu tenho tudo relacionado com a minha advogada do prejuízo que eu estou tendo com este problema. O que a gente vê é que a retirada do aguapé não é a solução, e quando vamos cobrar da Prefeitura ela joga para cima da Copasa, e começa o jogo de empurra”, detalha.

SAÚDE
Preocupada com os constantes mal estares que ela, outros moradores e comerciantes sentem, a comerciante procurou a ajuda de um médico para avaliar a possibilidade de uma doença mais grave, devido ao mau cheiro. “Muita gente está reclamando de dor no estômago, dor de cabeça, mal estar de não conseguir trabalhar. A gente olhou com um médico, porque nós ficamos aqui por volta de doze horas por dia. É um descaso com a saúde da população”, lamenta.
A comerciante Creusa Maria Fontes tem uma sorveteria no bairro há nove anos e disse que o problema se agrava a cada dia. Ela conta ainda que no início tomava remédio diariamente para controlar as náuseas e enjoos que sentia quando ia trabalhar. “Ninguém dá solução para esse problema. Quando começou esse mau cheiro eu cheguei a ficar cinco dias sem vir trabalhar, porque tomava remédio e não resolvia. Eu sentia dor de cabeça, mal estar, e não sou só eu, todo mundo está reclamando. Os médicos falam que é virose, mas com o contato direto com o mau cheiro não tem como não sentir”, argumenta.

COPASA
Nossa reportagem procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Divinópolis que alegou que o rio está poluído pelo esgoto e que este problema cabe à Copasa. Por sua vez, a Copasa disse em nota que “o contrato de programa assinado com o município tem por escopo a participação na revitalização e recuperação do rio Itapecerica por meio da operação do sistema de esgotamento sanitário, que visa à implantação de redes coletoras e interceptoras e, principalmente, ao tratamento de esgoto, até 2016”. A empresa afirma ainda que já foi publicado o edital relativo à concorrência para a continuidade da implantação do sistema de esgotamento sanitário de Divinópolis.

 

 

Crédito: Pollyanna Martins

 

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