terça-feira, 18 de Junho de 2013 07:38h Mariana Gonçalves

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Orgulho Autista

É celebrado hoje o Dia Mundial do Orgulho Autista. A data fez com que a Associação Brasileira de Autismo levasse essa semana ao congresso discussões ainda polêmicas, como, a inclusão e os desafios escolares. Em Divinópolis, a grande maioria das crianças

É celebrado hoje o Dia Mundial do Orgulho Autista. A data fez com que a Associação Brasileira de Autismo levasse essa semana ao congresso discussões ainda polêmicas, como, a inclusão e os desafios escolares.

Em Divinópolis, a grande maioria das crianças diagnosticadas com autismo recebem tratamento por meio da APAE.

Por meio da instituição Liliana Amélia da Silva, dona de casa, encontrou o auxilio que precisava para o desenvolvimento da filha Ana Clara, hoje com seis anos, mas diagnosticada com espectro autismo ainda quando bebê. A criança está matriculada na APAE desde o ano passado e conforme conta Silva, os resultados foram tão positivos que esse ano Ana Clara pode ser também matriculada em uma escola regular. Porém, a estrutura do município em relação a educação para crianças autistas ainda precisa melhorar conforme conta Liliana. “O ano passado eu matriculei ela no CMEI, mas ela não ficou, chorava muito, e eu também tive muitos problemas com a diretora. Na APAE, eles sentiram que a Ana Clara estava muito agitada e mais irritada, então, tiramos ela do CMEI e eles não fizeram questão nenhuma de manter ela lá, nem se importaram. Então eu acho que na educação o município precisa melhorar. Esse ano me mandaram para uma escola estadual e eu matriculei ela como sendo uma criança com deficiência para que ela tenha todo o ap
oio que precisa. A diretora então pediu uma professora especial para a Ana Clara, e eu percebi que a escola realmente abraçou a Ana Clara, os alunos da sala dela adoram ela e até fizeram uma conscientização explicando o que é autismo, o que a Ana Clara significava para a escola, e os cuidados que eles tinham que ter com ela, então a escola abraçou mesmo a causa dela”explica. 

Ainda conforme Liliana, a ajuda que ela tem do município foi obtida através da justiça, “o medicamento da Ana Clara a prefeitura me fornece. Mas, depois que ela entrou para a APAE e agora para a escola ela melhorou mais ainda. Hoje a Ana Clara está mais independente, consegue trocar a roupa sozinha, já come sozinha. Ela ainda só não desenvolveu bem a fala, mas quando quer alguma coisa ela aponta”afirma.

O autismo mostra seus primeiros sinais, como isolamento, dificuldade para falar e repetição de movimentos por volta dos 2 ou 3 anos de idade. O transtorno não tem cura, mas o desenvolvimento dos pacientes pode ser estimulado, além do uso de medicação. Como o transtorno é pouco conhecido, muitos autistas não recebem a estimulação e o tratamento adequados.

Silva, fala da experiência de ter em casa uma criança autista e deixa um conselho as famílias que também tem um membro autista. “Mudou muito a visão do autismo a criança hoje não se isola mais, a Ana Clara, por exemplo, é uma menina muito amorosa, e participa de toda a rotina social da família, ela vai em festas quando saímos para algum bar ela também vai. Então assim a pessoa que vê ela se não conhece não diz que ela tem autismo. Eu sempre falo que a pessoa tem que ter amor e paciência, ela não pode ter medo de enfrentar o problema”finaliza

FALTA DE INFORMAÇÃO

A falta de informação sobre o transtorno é um dos principais problemas enfrentados por quem procura ajuda, prova disso, é o caso de  Lena Reis, mãe do autista  Flávio Daniel. Grande parte do tratamento do filho não foi especializado. “ Hoje meu filho tem 34 anos de idade, ele nasceu em uma época onde se sabia e se falava muito pouco sobre esta síndrome. O autismo foi diagnosticado aos 8 anos de idade. Todo o tratamento foi realizado de forma empírica, a principio ao nascer era o filho ideal, não chorava ficava quieto, não reclamava fome e nem dor, iniciou a fala, mas poucos meses  depois parou totalmente de falar. Ele começou a apresentar movimentos repetitivos, não olhava nos olhos de ninguém , não interagia com outras crianças, ficava no seu canto e com movimentos de balanço. Então procurei várias especialistas mas além da falta de informação e conhecimento dos médicos e terapeutas sobre o autismo,  o Estado também não ajudou em nada, tudo era particular”diz.

A doença do filho fez com que Reis, mudasse toda a sua vida “Toda a rotina da família muda, pois toda família tem que estar envolvida com o autista, ele precisa se sentir amado amparado e seguro. Então tive que abandonar a faculdade para conseguir participar do tratamento, pois repetia em casa todos os exercícios e atividades que eram passadas nos consultórios, o meu tempo livre se resumia nas poucas horas que ele ficava na escola, a princípio convencional, mas era colocado de castigo pelos professores,  inclusive professores que lhe davam palmatória e o sacudiam, ao saber acabava por ter que conseguir nova escola que o aceitasse. As particulares queriam vê-lo longe, até que foi para a APAE e depois para o Raio de Sol, ao completar 18 anos a escola fez o desligamento e ai ficou por minha conta”relata.

Em meio a tantas dificuldades, hoje  Flávio tem uma vida normal, é claro que ainda com algumas adequações, “hoje ele é tranquilo, não gosta muito de contato físico, porem adora amigos, adora futebol, conhece todos os times e palpita como ninguém. É alegre, amoroso, totalmente de bem com a vida. Sempre aberto a aprender coisas novas, no momento estamos aprendendo a fazer compras de super mercado, escolher produtos pelo preço, escolher frutas e verduras, assim tenho um companheiro que me auxilia muito. Ele cuida sozinho de sua higiene pessoal, prepara lanches simples, arruma sua cama, guarda suas coisas. Mas ainda é muito resistente a mudanças, sempre que vamos fazer coisas muito fora da rotina, tenho que fazer com que ele aceite sem reclamações”finaliza Lena.

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