sábado, 28 de Novembro de 2015 06:51h Atualizado em 28 de Novembro de 2015 às 06:55h.

Comerciante baleado em assalto aguarda há dez dias por cirurgia no HSJD

A família do comerciante José Fernandes Gonçalves, 65 anos, procurou a equipe de reportagem do Jornal Gazeta do Oeste pedindo 'socorro'

No último dia 20, o comerciante foi baleado no ombro durante um assalto em seu estabelecimento, na ocasião, chegou a ser encaminhado para a UPA 24h e, em seguida, para o Hospital São João de Deus (HSJD), onde completa, hoje, dez dias de internação.
O motivo da revolta dos familiares é pelo fato do paciente precisar urgentemente de ser submetido a um procedimento cirúrgico para a retirada do projétil de arma de fogo alojado em seu corpo, e de acordo com a família, o Hospital alega não ter o material necessário para atender as condições do paciente e, por isso, se nega a realizar a cirurgia. “O médico conversou com o Fernando na manhã de quinta-feira (26), e disse para ele que o material para o procedimento - uma placa, não sei bem o material dessa placa, mas que o HSJD não tem condição de bancar, com isso, ele [medico] achava melhor que a Elisângela (esposa do comerciante) entrasse com um pedido no Ministério Público (MP) para viabilizar esse material”, conta a irmã do comerciante, Maria Raimunda Das Graças Gonçalves.
Ainda de acordo com Maria Raimunda a placa ficaria em torno de R$3 mil, o qual o paciente
mesmo se dispôs a arcar com as despesas. Mas ainda assim, o procedimento cirúrgico não foi realizado, a família teme que ele perca o movimento do braço ou até mesmo que ocorra algo pior, pois a região do ombro onde está o ferimento está com um aspecto bastante roxo, e que está se espalhando pelas costas do paciente. “O médico disse que, mesmo ele custeando o material, não ia adiantar, porque se fosse pagar a placa pelo particular, então que ele teria que ter a alta do Sistema Único de Saúde (SUS), e internar para fazer o procedimento todo pelo particular. O Fernando é assalariado, não tem condição disso. Como uma pessoa é assaltada, toma um tiro, vai para o pronto socorro municipal, vai para o Hospital do SUS e chega lá, eles dizem que não têm material para operar ele?! Não tem condição isso, a bala está no corpo dele ainda, isso é revoltante”, desabafa a irmã do comerciante.
Conforme Elisângela Rodrigues, de porte dos documentos dados a ela pelo médico do HSJD a Promotoria já foi acionada, a expectativa é ter, na semana que vem, um parecer.

 


HOSPITAL

Em nota, a assessoria de comunicação do São João de Deus nos informou que “o paciente aguarda uma cirurgia ortopédica, entretanto, de acordo com o que está descrito no prontuário, os materiais que são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não são suficientes para realizar a cirurgia”.
Ainda em nota, o hospital disse que conforme o prontuário, “o paciente necessita de uma placa de úmero proximal longa, de aproximadamente 20 centímetros, devido à complexidade da fratura. Nestes casos, a família é orientada a ir até a Secretaria de Saúde com o relatório em mãos, para que eles resolvam quanto à cobertura dos materiais, para que o procedimento possa ser realizado. Enquanto aguarda pela cirurgia, José Fernandes Gonçalves permanece sob todos os cuidados necessários nesta unidade de saúde”.

 

MUNICÍPIO

A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) disse que o paciente foi encaminhado para o Hospital com um prontuário, e devido a este documento, o hospital então já sabia de toda a necessidade do mesmo.
Conforme ainda alegou a assessoria, em momento algum a Semusa chegou a ser informada sobre o ocorrido, e até mesmo para que haja uma intervenção, se faz necessária uma notificação ao órgão.


Nota da redação: A assessoria do HSDJ destacou que a UPA 24H não possui suporte nenhum para a cirurgia ou qualquer outro procedimento detalhado, portanto, não tem como afirmar que o hospital recebeu o paciente sabendo de suas necessidades, pois somente ao dar entrada na unidade é que os exames mais precisos foram realizados, e suas necessidades detectadas.

 

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