segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013 11:19h Daniel Michelini

Comércio automotivo registra ano histórico

Vendas ultrapassaram as expectativas. Entretanto, para 2013, espera-se que a comercialização diminua devido ao aumento médio de 4% nos preços dos automóveis

Em balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) na última quinta-feira (03), as vendas de carros, veículos comerciais leves (como vans e furgões), caminhões e ônibus bateram recorde histórico em no ano de 2012. De acordo com o registro, foram comercializadas 3.801.859 unidades durante o ano passado, o que representou um crescimento de 4,65% em comparação a 2011. Eliminando-se o comércio de caminhões e ônibus, as vendas de veículos (carros e comerciais leves) cresceram 6,11% em 2012 em comparação ao ano anterior.
Em nota, o presidente da Fenabrave, Flávio Antonio Meneghetti, afirmou que o recorde foi resultado, principalmente, da redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Em maio, estávamos prevendo um número negativo para o ano como um todo. Depois do esforço conjunto entre governo, indústria, bancos e concessionárias conseguimos reverter esse número e terminamos o ano com um aumento de 6,1% (quando considerada apenas a venda de automóveis e comerciais leves)”, disse.
Para ele, o impacto do IPI nas vendas continuará a ser observado em 2013. “Negociamos com o governo para que o imposto fosse retirado progressivamente, ou seja, em seis meses, ele vai voltar ao patamar normal. Acreditamos que o primeiro trimestre vai ser o mais difícil, mas temos ainda um estoque de preços velhos que vai garantir uma certa atividade nos meses de janeiro e fevereiro.”, disse o presidente da Fenabrave.
Para 2013, o órgão projeta crescimento de 3% nas vendas de automóveis e comerciais leves e de 2,82% nas vendas de veículos como um todo (englobando carros, comerciais leves, caminhões, ônibus e motos): “Trabalhamos com a hipótese de que o PIB vá crescer 3%. Se o PIB crescer 3%, ele terá força para puxar a indústria como um todo e, atrás dele, o mercado consumidor. Então, acreditamos que vamos acompanhar o crescimento do PIB”, disse Meneghetti.
Ainda segundo ele, a volta da alíquota do IPI provocou aumento no preço dos automóveis novos, mas ele acredita que isso não será exagerado: “A indústria trabalha com seus custos, mas tem que respeitar o mercado. Nada de exacerbação vai acontecer. O mercado vai falar mais forte. Agora, o preço está subindo como consequência da remarcação do IPI e eventualmente como recomposição de margem. Na prática, esse cenário deve provocar um aumento no preço do carro novo entre 3% e 3,5%”, acrescentou Meneghetti.
Apesar do crescimento recorde nas vendas de veículos (carros, comerciais leves e caminhões), o setor fechou o ano em queda de 2,25% quando contabilizados também os segmentos de motos e implementos rodoviários. O número negativo decorre principalmente da queda na venda de caminhões (-20,22%) e de motos (-15,62%) ao longo do ano. Segundo Meneghetti, a redução nas vendas de caminhões tem duas explicações. “A primeira delas foi a antecipação de compras muito forte que houve em 2011 por causa da mudança de tecnologia que encareceu os veículos em 2012. Em segundo, a própria queda da atividade econômica”, disse ele, acrescentando que o crescimento menor da economia nacional gerou menor carga transportada.

Comércio divinopolitano

Segundo estimativas da Austin, 2012 deve encerrar com 3,4 milhões de veículos produzidos entre automóveis e comerciais leves, o que deve representar um crescimento de 7% em relação a 2011. Os dados oficiais serão divulgados na segunda-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Em Divinópolis, a expectativa é para que as vendas continuem a crescer. O gerente de uma concessionária de Divinópolis, George Martins, afirma que o aumento do preço por conta do não desconto no IPI não deverá diminuir a quantidade de veículos comercializados: “O que pode diminuir é a venda de carros zero km. Em relação aos semi-novos, a expectativa é para que elas (vendas) até cresçam”, revelou, dizendo ainda que, em 2012, a concessionária vendeu 20% mais carros semi-novos em relação aos zerados.
George ressalta que os meses de novembro e dezembro foram os mais lucrativos: “Com a notícia de que o preço iria aumentar em 2013, acredito que muitos correram para comprar o veículo com o preço menor”, concluiu.

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