sexta-feira, 30 de Outubro de 2015 09:30h Atualizado em 30 de Outubro de 2015 às 09:34h. Jotha Lee

Comércio e indústria foram os maiores responsáveis pelo aumento do desemprego em Divinópolis

Mais de 450 vagas no mercado formal de trabalho foram extintas nos primeiros nove meses do ano

O comerciante Francisco Filho, 48 anos, é proprietário de um bar há 23 anos e até o ano passado mantinha pelo menos três funcionários, incluindo dois auxiliares para servir a clientela e uma cozinheira. Com a freguesia cativa, Francisco faturava o suficiente para garantir o pagamento dos funcionários e ainda manter um lucro razoável. A partir de abril desse ano a situação mudou. “A freguesia sumiu, os preços subiram, a conta de luz, o gás e minha despesa quase dobrou. Tive que dispensar a cozinheira e um ajudante”, conta Francisco.
Essa situação afeta todas as empresas da cidade, seja micro, média ou grande. O comerciante Francisco Filho não é o único obrigado a demitir funcionários. Todo o comércio da cidade passa por esse processo. A crise que afeta o país derrubou as vendas, aumentou preços e espalhou o desemprego por todos os setores da economia. Em Divinópolis, os setores da Indústria, Comércio, Serviços e a Construção Civil, historicamente, são os sustentáculos da economia local, garantindo a maioria absoluta dos empregos, entretanto, a partir de abril desse ano, esses segmentos sentiram os efeitos da crise e entraram em processo de demissão.
Os últimos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) refletem a crise que afeta Divinópolis, definitivamente passando por uma onda de demissões que, se não for estancada com as contratações que eventualmente ocorrem em função das festas de fim de ano, entrará 2016 com uma grave social, já que o número de desempregados será um dos maiores da história na cidade.  Segundo o MTE, setembro foi o pior mês em 2015 para o mercado de trabalho formal na cidade, quando foram extintas 297 vagas com carteira assinada. Já de janeiro a setembro, foram fechados 453 postos de emprego.

 

MAIS ATINGIDOS
O que causa maior preocupação ao empresariado é o fato de que os setores produtivos que mais oferecem emprego na cidade são os mais atingidos pela crise. Para Afonso Gonzaga, presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), as perspectivas para o ano que vem são ainda piores. “O governo está tentando arrumar a casa agora e isso não acontece da noite para o dia. Entendemos que 2016 já é um ano perdido”, afirma. Gonzaga mostra-se pessimista quanto ao mercado de trabalho. “Infelizmente as demissões vão continuar”, sentencia.
A onda de demissões que atinge Divinópolis mostra quais são os setores mais afetados pela crise em Divinópolis. O comércio, que sempre foi um dos carros-chefes na abertura de empregos formais, reflete o tamanho do aperto econômico e de janeiro a setembro, fechou 380 postos de trabalho. É nessa triste estatística que entram os dois funcionários demitidos pelo comerciante Francisco Filho.
A indústria, que já vem demitindo desde o ano passado, viu a situação se agravar, especialmente na metalurgia. O saldo do setor esse ano – a diferença entre demissões e contratações – é de 222 vagas de trabalho extintas. Somente no setor metalúrgico foram 247 vagas a menos e o saldo só não foi pior porque o setor confeccionista ficou estável.
O único setor da economia divinopolitana que mantém certo ritmo longe da crise, é a construção civil que nos primeiros nove meses de 2015 garantiu a abertura de 106 novos postos de trabalho. Entretanto, a previsão para a metalurgia, comércio e serviços não é das melhores. “Não vejo boas perspectivas em futuro próximo e a indústria, especialmente a metalurgia, continuará sofrendo os efeitos desse crise por bastante tempo”, admite Afonso Gonzaga.

 

Créditos: Jotha Lee

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