quarta-feira, 29 de Abril de 2015 10:37h Atualizado em 29 de Abril de 2015 às 10:48h. Jotha Lee

Comissão de Saúde da Câmara pedirá socorro à Assembleia para desafogar o sistema

Quatrocentos pacientes aguardam cirurgias eletivas e 600 estão à espera de leitos

Os números assustam. São 400 pacientes na fila à espera de uma cirurgia eletiva, 600 na Central de Leitos aguardando vaga, um milhão de quilômetros rodados pelo sistema de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) nos três primeiros meses do ano, 80% das ações judiciais do Estado contra o sistema de saúde são cumpridas em Divinópolis e somente na segunda-feira, 16 crianças aguardavam vagas em CTI Infantil.
O levantamento foi feito pelo presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, vereador Edimilson Andrade (PT) que, sem encontrar solução doméstica para o tamanho do problema, decidiu pedir socorro à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). No próximo dia 6 ele levará esses números às Comissões de Saúde e de Defesa dos Direitos Humanos do Legislativo Estadual. Edimilson Andrade afirma que a gravidade do atual quadro já afeta todos os direitos do cidadão. “Já não se trata somente de uma questão de saúde pública. O direito das pessoas está sendo desrespeitado, a Constituição não está sendo cumprida e por isso vamos pedir ajuda também à Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia”, explica.
O presidente da Comissão de Saúde afirma ainda que a UPA 24h sofre as consequências geradas pelo inchaço do sistema. Segundo ele, sem vagas hospitalares, uma média diária de 45 pessoas permanecem internadas na unidade aguardando o leito. “Você nota o sofrimento das pessoas, das famílias, e há pacientes que ficam até 60 dias internados na UPA. Como a vaga não sai, alguns vão para casa sem receber o devido tratamento”, assegura.

 

CTI
De acordo com Edimilson, a falta de leitos de CTI é um problema crônico. “Nós não temos CTI de adulto, não temos CTI infantil, não há vaga nenhuma”. Ele revelou que uma criança estava internada no Hospital São João de Deus (HSJD) no fim de semana com prescrição urgente de uma cirurgia de rins, cujo procedimento estava sendo adiado por falta de vaga no Centro de Tratamento Intensivo. “O anestesista não faz a anestesia sem a vaga no CTI”, disse. Revelou, ainda, que na UPA havia uma criança com pneumonia também aguardando vaga hospitalar.
O vereador faz uma lista do que é necessário para que o sistema funcione adequadamente. “Nós precisamos da UPA bem estrutura para cumprir o seu papel, o Hospital São João de Deus recuperado 100%, precisamos da rápida inauguração do Hospital Público e precisamos que todo o sistema hospitalar da região esteja funcionando. Os municípios precisam ter seus hospitais funcionando para que possam atender aos seus pacientes, pois todo o contingente está migrando para Divinópolis”, avaliou.
Edimilson diz que já não é mais possível ficar somente aguardando soluções. “Precisamos agir. Não podemos mais ficar quietos. Tem muita gente morrendo em função desta situação na saúde e muita gente ainda vai morrer”, profetiza.
Os planos de saúde também não foram poupados pelo vereador. Segundo ele, a saúde suplementar não funciona em Divinópolis. “Especialmente na urgência e emergência não funciona. Mais de 80% dos planos de saúde não têm pediatra em Divinópolis. Todos os casos são levados para a UPA. Não há ortopedista nos hospitais nos fins de semana para atendimentos aos associados de Planos. Vai tudo para a UPA. Infelizmente hoje nós temos somente um Pronto-Socorro na cidade, que é a UPA. Os hospitais não têm pronto-atendimento”, critica.
Edimilson Andrade diz que toda esta situação exige maior participação do Estado e da própria Assembleia. “Precisamos entregar todos esses números, toda a documentação, para a Comissão de Saúde da Assembleia e também para a Comissão de Direitos Humanos. Essa situação já fere o direito de todos os cidadãos de Divinópolis e região”, finaliza.


Crédito: Jotha Lee

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