quarta-feira, 5 de Outubro de 2016 16:42h Pollyanna Martins

Comunidade cobra reforço na segurança do Terra Azul para impedir fechamento de escola

Na última quinta-feira (29), representantes de bairro se reuniram com a secretária municipal de educação, Rosemeire Lasmar, e a mesma apontou como solução para o fim do vandalismo o fechamento da escola

POLLYANNA MARTINS
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Os moradores do bairro Terra Azul se reuniram na noi­te de ontem (4) com a Polícia Militar (PM) para cobrar mais segurança pública na região. O encontro com a PM foi feito após a secretária municipal de saúde, Rosemeire Lasmar, cogitar a hipótese de fechar a Escola Municipal Antonieta Fonseca, devido aos cons­tantes roubos ocorridos na unidade. De acordo com a funcionária pública, Maria Aparecida Ferreira, houve uma reunião com a secretária mu­nicipal de educação na última quinta-feira (29), para discutir medidas de segurança para a escola, e Rosemeire levantou a hipótese do fechamento da instituição. “Eu fui à reunião representando a comunidade, e uma das propostas da se­cretária foi fechar a escola por causa dos assaltos”, relata.

Segundo Maria Aparecida, já foram registradas 19 ocor­rências envolvendo a escola e, caso a proposta seja levada para frente, cerca de 300 alunos serão afetados. Conforme a funcionária pública, a secre­tária municipal disse ainda na reunião que tem condições de fechar a escola e remanejar alunos e professores a qual­quer momento. “Ela disse ‘eu tenho condições de fechar a escola hoje, e amanhã estão todos os alunos remanejados em outras escolas, é isso que a comunidade quer’. Eu argu­mentei e falei com ela que não era isso que a gente queria, que nós estávamos ali para ver o que poderia ser feito”, conta. Maria Aparecida narra que, somente após ela e outra representante da comunidade afirmarem para Rosemeire Lasmar que fechar a escola estava fora de cogitação, a secretária apresentou outras possibilidades. Conforme a funcionária pública, a secretá­ria municipal disse que já havia providenciado a reposição da merenda escolar, roubada na última invasão, e o aumento do aditivo do caixa escolar. “Quando nós falamos que a gente não queria o fechamento da escola, ela propôs aumen­tar o número de alarmes, os sensores, colocar concertina na escola e aumentar o muro também”, relembra.

De acordo com Maria Apa­recida, depois da proposta de fechamento da escola, toda a comunidade se alarmou e decidiu pressionar os órgãos públicos a reforçarem a segu­rança na região. “O bairro pre­cisa de investimento, precisa de projetos da secretaria de cultura para os adolescentes da escola, mas acho que o poder público nem sabe que o [bairro] Terra Azul existe”, reclama. A estudante, Michelle Letícia de Lima, diz que mora no bairro há 20 anos e nenhu­ma melhoria foi feita. Michelle relata que os moradores convi­vem com poeira em época de seca, barro em época de chuva, esgoto a céu aberto, crimina­lidade e agora querem tirar o pouco que o bairro tem. “A escola não abre portas só para o [bairro] Terra Azul, ela abre portas para alunos de toda a região, por isso nós queremos mais segurança”, enfatiza.

FECHAMENTO GRADATIVO DO CMEI

Além de estar preocupada com a possibilidade de fecha­mento da escola, a comunida­de se preocupa também com o fechamento gradativo do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Maria Lúcia Gregório. A diretora da uni­dade, Gilmara Cordeiro Telles, traça a linha de eventos que comprova o fechamento gra­dual do CMEI. Segundo Gilma­ra, em 2013, o centro atendia turmas em tempo integral, e os funcionários se preparavam para a expansão da instituição. “Nós já tínhamos alugado a casa para ampliar o CMEI, mas veio o primeiro corte na educação em 2013, logo após as eleições”, relata. Gilmara relembra que os estagiários foram dispensados e foi des­cartada a hipótese de dobrar o atendimento em horário integral. De acordo com a dire­tora do CMEI, a possibilidade de criar um anexo do CMEI foi desconsiderada, pois a in­tenção era levar o centro para dentro da Escola Municipal Antonieta Fonseca. “Na época, nós ficamos em reunião, que a secretária de educação queria colocar o CMEI dentro da es­cola”, conta.

Conforme a diretora do CMEI, após impedir a expan­são do centro, a Secretaria Municipal de Educação (SE­MED) cortou o tempo integral. Segundo Gilmara, na época, Rosemeire Lasmar alegou que o corte estava estabelecido por uma diretriz da SEMED, que o tempo integral era permitido somente para Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância). “O tempo inte­gral era para alunos de três e dois anos e, em 2014, conti­nuou só para crianças de três anos e, em 2015, cortaram todo o tempo integral”, relata. Gil­mara cita ainda a tentativa da Secretaria Municipal de Educa­ção fechar o CMEI em abril do ano passado, na véspera de um feriado. Na época, a diretora do CMEI foi comunicada no dia 7 de abril, véspera de feriado, que teria 30 dias para encerrar as atividades no local, e 66 alu­nos seriam transferidos para escolas da cidade. Somente após uma forte pressão popu­lar a Prefeitura de Divinópolis recuou da decisão e manteve o CMEI funcionando.

REDUÇÃO DE ALUNOS

Porém, de acordo com a di­retora do CMEI, após cortarem o tempo integral, foi cortado neste ano o período matutino. Conforme Gilmara, quando es­tavam sendo montadas as au­las para 2016, ela foi informada que o CMEI teria aulas apenas à tarde, devido ao número baixo de alunos. Com a medi­da da Secretaria Municipal de Educação, cinco funcionárias foram remanejadas do CMEI, e hoje, com 47 alunos, apenas na parte da tarde, Gilmara conta com a ajuda da comu­nidade para continuar com as atividades da instituição. “As funcionárias foram removidas para outra escola, isso foi um grande desrespeito. Elas foram removidas fora do prazo, eram pessoas que nunca tiveram uma avaliação negativa dentro da secretaria [municipal de educação]. Hoje tenho sete funcionárias apenas, e a co­munidade que ajuda a tocar o CMEI”, lamenta.

Com base nas medidas adotadas pela Secretaria, a di­retora acredita que a intenção do órgão é forçar a mudança do CMEI para dentro da Escola Municipal Antonieta Fonse­ca. Segundo Gilmara, foram disponibilizadas vagas para alunos do CMEI em outras unidades. “A secretaria está tirando aos poucos os alunos do CMEI. Eles tiveram o traba­lho de ligar para cada aluno da turma que foi tirada daqui para falar das vagas disponíveis. Em 2012, eu tinha 102 alunos aqui, hoje eu tenho 47. Eles estão fechando o CMEI aos poucos”,

finaliza.

PREFEITURA

Nossa reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Divinópolis, mas, até o fechamento desta edição, não tivemos resposta.

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