quarta-feira, 12 de Agosto de 2015 10:04h Atualizado em 12 de Agosto de 2015 às 10:06h. Jotha Lee

Conclusão do viaduto do anel viário fica para 2016

Prefeitura aguarda manifestação do Estado sobre retenção de recursos para término da obra

Conforme o Jornal Gazeta do Oeste publicou com exclusividade em sua edição do dia 17 de junho, as obras do viaduto sobre a rede ferroviária no Complexo da Ferradura, foram paralisadas no primeiro semestre do ano e só serão concluídas em 2016, com atraso de quase dois anos. A paralisação foi motivada pela demora do Estado no repasse de R$ 800 mil, recursos necessários para sua conclusão. O viaduto é parte importante do anel viário urbano, considerada pelo prefeito, Vladimir Azevedo (PSDB), como uma das principais obras estruturantes de seu governo. A previsão inicial feita pelo prefeito, era de que a obra seria entregue até meados desse ano. O viaduto permitirá a ligação do Distrito Industrial e o Complexo da Ferradura à rodovia de acesso a Carmo do Cajuru, e é uma das etapas mais importantes do contorno urbano, projetado pelo governo municipal.
O asfaltamento de 2,6 quilômetros do anel viário até a estrada de acesso a Carmo do Cajuru já foi concluído, porém o viaduto sobre a Ferrovia Centro-Atlântica ainda está pela metade. A Lamar Engenharia, empreiteira que venceu a concorrência para a execução da obra, não se pronunciou sobre a paralisação da obra.  A empreiteira venceu a concorrência pelo valor de R$ 7.043.038,41, entretanto, com o atraso do Estado em repassar sua parte no convênio, foi necessário um aditivo contratual de R$ 182.423,15 (2,59%), elevando o valor final para R$ 7.225.461,56.
As obras do anel viário foram iniciadas em 2013 e o empreendimento é fruto de uma parceria entre o município e os governos federal e estadual. Para sua conclusão, o Estado deveria ter repassado R$ 800 mil em setembro do ano passado, o que não ocorreu. A obra vinha sendo bancada pelos cofres do município, que em razão da crise financeira, não teve mais condições de tocar o empreendimento sem a entrada dos recursos de obrigação do governo estadual.

 

NOTIFICAÇÃO
O vice-prefeito Rodrigo Resende (PDT), superintendente da Usina de Projetos, informou que o município está buscando informações junto ao Estado sobre os motivos da retenção dos recursos. “Nós já notificamos o governo do Estado, através de ofício ao gabinete do governador, ao secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico [Altamir Rôso], mas ainda não tivemos nenhuma manifestação deles sobre o que vai acontecer”, afirmou.
Rodrigo Resende confirmou a informação divulgada pelo Gazeta do Oeste em sua edição do dia 17 de junho, de que a obra só ficará concluída no ano que vem. “Nós temos informação de dentro da Secretaria [de Estado de Desenvolvimento Econômico] que os recursos não deverão sair esse ano, ficando só para o ano que vem. Mas, a gente sabe que o governador é sensível, já foi prefeito de Belo Horizonte, e sabe de todos os nossos anseios. Ele já passou por isso e com certeza não vai deixar que uma obra importante como essa e diante do que já foi gasto, que ela fique paralisada por mais cinco, seis meses”, ponderou.
O vice-prefeito disse que o viaduto é uma das partes mais importantes do anel urbano, que deve ser dividido em três etapas. “A primeira é a que já estamos executando, que sai da MG-050, chegando ao Complexo da Ferradura, passa pelo viaduto que foi paralisado e chega à Estrada de Cajuru. Esse seria o primeiro trecho do contorno urbano. A segunda fase seria a ligação da estrada de Cajuru ao trevo do aeroporto e a terceira etapa, do trevo do aeroporto até a BR-494. Estamos com 85% da obra já concluídos e agora dependemos do recurso retido pelo governo do Estado para sua finalização”, assegurou.
Rodrigo Resende informou ainda que os R$ 800 mil para a conclusão do viaduto deveriam ter sido liberados em setembro do ano passado, quando o PSDB ainda estava no governo. “O governo passado não liberou, entrou um novo governo e nós demos a eles cinco meses para se inteirar do que estava acontecendo no Estado e começamos a conversar. O prefeito e eu já nos reunimos por duas vezes com o secretário de Desenvolvimento, cobrando a liberação dos recursos, mas até agora oficialmente nada nos foi comunicado”, finalizou.

 

OFICIAL
Em nota encaminhada ontem ao Gazeta do Oeste, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico confirmou o atraso no repasse dos recursos e atribuiu a demora à crítica situação financeira em que o atual governo encontrou o Estado, acrescentando que a expectativa é de que em um ano seja possível repassar o restante da verba. Com essa informação, confirmam-se as piores expectativas do governo municipal, de que a obra fica mesmo para o ano que vem.
Segundo a nota da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, o Governo de Minas Gerais detectou, por meio de um Diagnóstico financeiro, que o Estado tem um déficit orçamentário de R$ 7,4 bilhões. “Diante disso, está fazendo um esforço contínuo para reequilibrar as contas públicas, implementando um sistema de restrição orçamentária”, afirmou.
Ainda segundo a nota, o governo reconhece a importância da obra para Divinópolis e o governo estadual está trabalhando um aditivo de prazo, de 12 meses, para o convênio, firmado em 2010, entre a Prefeitura, Estado e União. “A expectativa é de que seja possível repassar o restante nesse prazo, a fim de possibilitar a conclusão das obras e atender o município de Divinópolis, polo da região Centro-Oeste, fundamental para o desenvolvimento econômico do Estado”, concluiu a nota.

 

Crédito: Jotha Lee

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