terça-feira, 8 de Março de 2016 09:40h Jotha Lee

Confeccionistas querem destituir toda a diretoria do SinvesdConfeccionistas querem destituir toda a diretoria do Sinvesd

Ex-presidente do Sindicato diz que é preciso investigar e pede auditoria

A destituição do presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd) ocorrida na semana passada pega um dos principais motores da economia da cidade em um momento fragilizado, com demissões, queda na produção, fechamento de empresas e o consequente reflexo no comércio da cidade. Uma coisa está ligada à outra. A indústria confeccionista, que além das fábricas, ainda gira a economia local com centenas de lojas de pronta-entrega, passa por um momento de tensão e instabilidade, com demissões que podem aumentar ao longo do ano, já que não há perspectiva de mudança na economia nacional.

 

 


O resultado é o pior possível. Dezenas de lojas fechadas e demissões que ocorrem desde o ano passado. Em 2015, das 1.510 vagas de emprego com carteira assinada fechadas em Divinópolis, 1.055 ocorreram na indústria, das quais 504, ou 47,77%, foram no setor confeccionista. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego, que mostram que 2016 não começou diferente. Em janeiro, último dado estatístico disponível, Divinópolis fechou 155 postos de trabalho, dos quais 42 na indústria. As confecções foram responsáveis por 33 demissões, 78,57% de todo os trabalhadores demitidos na indústria no início do ano.

 

 


Não bastassem as demissões, o que se vê são lojas de pronta-entrega fechadas, provocando o efeito dominó com a redução no consumo e a consequente queda de outros setores do comércio, gerando a crise que se instalou na cidade. Presidente do Sinvesd por dois mandatos, o empresário do setor confeccionista, Waldemar Raimundo Manoel, classifica o momento como extremamente perigoso. Para ele, a crise interna do Sindicato é a grande responsável pelo momento, porém a alta carga tributária também contribui decisivamente. “Veja bem, nós compramos o tecido em São Paulo, que normalmente é importado da China. Os exportadores de São Paulo têm agora centros distribuidores no Paraná, onde o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] é de 4%. Em São Paulo, é de 12% e aqui de 18%. Nós pagamos toda essa carga de ICMS na divisa do Estado, quando o tecido entra em Minas. Ou seja, pagamos imposto antecipado, para depois cortar o produto, confeccionar, tentar vender, entregar e depois receber. Que ramo de negócio é esse?”, questiona.

 

 


AUDITORIA
Enquanto a crise se alastra, um grupo de empresários agora quer a destituição de toda a diretoria do Sinvesd e já trabalha nos bastidores para que isso ocorra. Waldemar, embora não faça parte desse grupo de empresários, é a favor da destituição de toda a diretoria e pede uma auditoria no Sindicato. “É um absurdo esses presidentes de sindicato que querem se eternizar no poder. Tem que deixar gente nova entrar, dar um gás novo. Se realmente for verdade que houve desvio de dinheiro no Sindicato, tem que ser apurado e as pessoas que desviaram esse dinheiro têm que ser punidas. Fala-se no desvio de R$ 300 mil. É um dinheiro significativo”, analisa. “Esse dinheiro dava para construir a sede do Sindicato. Tivemos que devolver o terreno que ganhamos da prefeitura próximo ao Divishop por incompetência dessa diretoria. O projeto ficou pronto, aprovado pela prefeitura e a sede só não foi construída por incompetência mesmo”, acrescentou.

 

 


Para o ex-presidente do Sinvesd, toda a diretoria deve ser destituída e é preciso uma auditoria no Sinvesd. “Toda a diretoria tem que ser destituída sim, para saber onde está o buraco. Fiquei dois mandatos na presidência do Sindicato, deixei tudo certinho, prestações de contas aprovadas, auditoria, tudo certo. É preciso fazer uma nova auditoria e descobrir onde está o dinheiro e punir os responsáveis. Tem que punir sim, tem que colocar na cadeia”, disparou. 

 

 


Waldemar Raimundo Manoel finalizou afirmando que o setor ainda tem saída, mas são necessárias decisões rápidas e eficazes. “Precisamos de união no setor, apoio político para criar a Secretaria de Turismo Comercial e alavancarmos com feiras e eventos que possam projetar o produto de Divinópolis. Se não for assim, muita gente vai sair do mercado”, sentenciou.

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