quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016 08:56h Atualizado em 20 de Janeiro de 2016 às 09:05h. Mariana Gonçalves

Continuação das chuvas aquece discussão sobre possível enchente do Rio Itapecerica

A chuva tem sido um dos assuntos mais comentados essa semana em Divinópolis. A possibilidade de uma enchente (que não está descartada) tem apavorado a população e causado grande tumulto nas redes sociais

Como já dito anteriormente pelo Jornal Gazeta do Oeste, o volume das águas do Itapecerica está sob constante monitoramento da Defesa Civil, e mesmo que haja um transbordamento, as medidas de segurança necessárias já estão tomadas, prestes a serem aplicadas, caso se faça necessário.
O último relatório, enviado ontem à imprensa, sobre o volume de águas do rio, constatou que o nível estava a 5, 77, três metros e vinte e sete centímetros acima do normal.


De acordo com as previsões meteorológicas do portal online Climatempo, hoje será mais um dia de chuva na cidade. Ainda segundo o Climatempo, está previsto cair 17 mm de água, o sol só deve aparecer no município na quinta-feira.
Em boletim enviado à imprensa, a Prefeitura destacou que a Defesa Civil de Divinópolis tem feito um monitoramento sistemático da evolução do volume das águas do Rio Itapecerica. A medição está sendo realizada a cada duas horas.
A Prefeitura destacou também que, em tempo real, as informações estão sendo trocadas
entre os técnicos da Defesa Civil, Secretaria de Obras, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.

 

 

MONITORAMENTO

A Defesa Civil de Divinópolis monitora, também, a chuva nas cidades que correspondem à cabeceira do Rio Itapecerica. Durante o período das 8h da manhã desta segunda-feira (18/01), às 8h da manhã desta terça-feira (19/01), na cidade de Itapecerica choveu o equivalente a 28,1 mm e em Cláudio 13 mm. Em Divinópolis, ocorreu o maior volume de chuvas, que chegou a 58mm.
De acordo com a Defesa Civil, mesmo com este cenário, o Rio Itapecerica conseguiu absorver o volume a mais de água do Pará e das chuvas. No momento, a tendência é de estabilização da cheia com a possibilidade de baixa do volume das águas do Itapecerica nas próximas horas, caso não ocorra chuvas mais intensas em Divinópolis e na cabeceira do Rio Itapecerica.

 



VISTÓRIAS

Partes do calçadão do Porto Velho já estavam alagadas na tarde de ontem. Nossa equipe percorreu vários pontos na cidade, observando a situação dos locais, principalmente localizados próximos às margens.
Algumas casas embaixo da ponte do Porto Velho chamaram a nossa atenção, primeiro pelas condições físicas destas residências, segundo porque observamos haver moradores no local, mesmo com a possibilidade de um transbordamento.
Segundo a Prefeitura, possíveis pontos de alagamentos e áreas que representam risco de queda de barreiras estão sendo vistoriados, inclusive de madrugada. No fim da madrugada de ontem, uma residência próxima ao córrego Flecha, que foi represado pelo Rio Itapecerica, foi invadida pelas águas. A Defesa Civil já esteve no local acompanhado a ocorrência.

 

 


ABERTURA DAS COMPORTAS

Outro assunto comentado na nota foi, segundo a Prefeitura, o fato de a Cemig ter aumentado, “sem comunicar de forma oficial as autoridades municipais, a vazão da barragem de Carmo do Cajuru no Rio Pará, passando de 190m³/s para 270m³/s. Com isso, havia uma previsão de encontro das águas abaixo da Usina do Gafanhoto, local conhecido como Cachoeira do Caixão.” A preocupação era que o Rio Pará represasse o Itapecerica contribuindo, assim, para o aumento de seu volume.
Em nota, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) esclareceu que “os vertedouros das usinas de Cajuru e Gafanhoto, no Oeste de Minas, foram abertos no último sábado (16/1) para que o volume de seus reservatórios fosse regulado. A empresa lembra que essa é uma operação normal no período de chuvas: as precipitações verificadas na bacia a montante do reservatório aumentaram a vazão afluente (água que chega ao reservatório), o que torna necessário o aumento também da defluente (água que sai do reservatório)”.
Também em nota, a Cemig enfatiza que o reservatório está cumprindo sua função, que é a regularização de vazão. A vazão afluente atingiu pico de 450 m³/s, porém, a defluência (vazão vertida + vazão turbinada) não superou 300 m³/s. Além disso, a companhia alega que “a todo o momento são feitos contatos com representantes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Prefeituras, SAAEs e demais empresas que atuam nas margens do rio a jusante”.
Por fim, a companhia diz que se, porventura, o cenário meteorológico apontar a necessidade de uma defluência maior, será feito contato prévio com todos esses representantes, para que sejam tomadas as providências necessárias e para que a operação continue ocorrendo de forma segura a toda população ribeirinha.

 

 

AGUAPÉS

Grande parte dos aguapés concentrados há quase um ano nas águas do Rio Pará estão sendo arrastados agora pelas chuvas. Quem passa próximo à Usina do Gafanhoto, na MG-050, pode ver com clareza os montantes de plantas, descendo correnteza afora. Inclusive, circulam pelas redes sociais dos divinopolitanos vídeos do primeiro momento em que, depois de abertas as comportas, os aguapés começaram a descer.

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