sábado, 20 de Maio de 2017 08:15h Luiz Felipe Enes

Contra a gripe: Campanha termina na próxima semana e muita gente ainda não vacinou

Divinópolis ainda não atingiu a meta preconizada pelo Ministério da Saúde. Cerca de 70% do público-alvo foi vacinado

A campanha nacional de vacinação contra a gripe termina na próxima sexta-feira, dia 26 de maio e em Divinópolis, a meta ainda não foi alcançada. De um total de 60.800 doses recebidas, até ontem, somente 37.028 vacinas foram aplicadas. A preocupação maior está justamente voltada aos grupos de risco, compostos por crianças, gestantes, mulheres no pós-parto, trabalhadores da saúde, idosos, pessoas privadas da liberdade, funcionários de recintos prisionais e a novidade desse ano são os professores. Eles também foram incluídos nos grupos prioritários para serem vacinados.

A Secretaria Municipal de Saúde estima que existam cinco mil professores nas redes municipal, estadual e privada de ensino. No ato da vacinação, é importante que o professor leve algum documento que o identifique e também, a instituição de ensino em que trabalhe, como explica Raquel Assunção, enfermeira da central de imunização da Semusa. “Neste ano pedimos o documento para que ele se identifique ao vacinar e um contracheque que indique a escola a qual ele pertence”, explicou.

Os portadores de comorbidades – categorias de risco clínico com indicação da vacina também devem ficar atentos à vacinação. No relatório do Ministério da Saúde estão inclusas as seguintes patologias: Doença respiratória crônica, como asma, bronquiectasia, fibrose cística, crianças com doença pulmonar entre outros. Doença cardíaca crônica, como doença cardíaca congênita, hipertensão arterial, doença cardíaca isquêmica e insuficiência cardíaca. Na relação também aparece a doença hepática crônica, como atresia biliar, hepatites crônicas e cirrose. Doença neurológica crônica, como quem sofreu AVC ou doenças hereditárias e degenerativas do sistema nervoso. Portadores de diabetes, obesos, transplantados e portadores de trissomias, como a síndrome de down também recebem a vacina.

“As pessoas que têm essascomorbidades que estão relacionadas à lista do Ministério da Saúde devem ser vacinadas e procurar a unidade portando uma receita médica com a descrição da doença”, explicou Raquel se referindo às doenças mencionadas no parágrafo anterior.

Segundo a enfermeira da Central de Imunização da Semusa (Secretaria Municipal de Saúde) a próxima semana será movimentada nos postos. “Foram imunizadas aproximadamente 38 mil pessoas. Tá dando uma cobertura de 73% e é uma cobertura preocupante porque a meta do ministério da saúde é imunizar 90% da população dos grupos prioritários. Então pra uma semana a gente tem um percentual elevado pra vacinar”, disse.

EFEITOS COLATERAIS

Visando prevenir a gripe, a vacina contra a influenza é contra indicada para pessoas com alergia ao ovo. “Todas as vacinas, elas podem dar eventos adversos. Então as pessoas que tiveram eventos adversos graves, em dose anterior, é contraindicado. E também aquelas que tem alergia ao ovo, pelo processo de fabricação da vacina”. Ainda segundo Raquel, mesmo se a pessoa possuir alergia ao ovo e quiser tomar a vacina, um acompanhamento na unidade de urgência deve ser feito. “Porque muitas pessoas inclusive não tem alergia grave ao ovo, às vezes tem uma indisposição, uma erupção cutânea. Essas reações não contraindicam a vacinação, mas aí por segurança, elas são feitas na unidade de urgência. E aquelas que tem alergia grave ao ovo, na condição da pessoa que quer se vacinar, também é feito na unidade de urgência.

Para essas pessoas que tem alergia grave ao ovo, nos agendamos a vacinação na unidade de urgência, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), para que ela possa ser vacinada de forma assistida”, completou a enfermeira.

CONTRA A GRIPE

A vacina é bastante eficaz e todos os anos, novos estudos são feitos. Raquel explica que ainda é grande o número de pessoas que não foram vacinar. “O objetivo do Ministério da Saúde é que as pessoas possam se prevenir da gripe, causada pela influenza, principalmente o H1N1 e H3N2, que tem causado internações e até óbitos.Então é preocupante para nós, ter crianças em grande número e gestantes, porque são grupos muito suscetíveis e estão perdendo a oportunidade de se prevenirem e evitarem uma complicação”, conta.

Depois de aplicada, a vacina pode demorar aproximadamente de dez a 14 dias para fazer efeito.“Todas as vacinas no nosso organismo precisam desse período, para a produção de anticorpos, então nenhuma pessoa estará imunizada antes de 14 dias”, frisou.

Aos 68 anos, Maria Augusta é aposentada e sabe que precisa vacinar. Em 2013 ela teve uma gripe muito forte, o que a levou a ficar alguns dias na Unidade de Pronto Atendimento. “Complicado. Foi muito doloroso, eu não conseguia respirar, meu corpo todinho doía e fiquei ruim, viu, menino? Eu tomei a vacina esse ano e sei que não vou enfrentar esse problema de novo. Acho que todo mundo deveria tomar, seja novo, velho, adulto, criança [...]” disse bastante lúcida e saudável.

EFICÁCIA

A enfermeira da Central de Imunização disse ainda que “É uma vacina muito segura, feita a partir de estudo epidemiológico, em que está mostrando quais são os vírus circulantes, predominantes a cada ano. Reduziu e muito a taxa de óbito e internação por essa doença, a partir da vacinação.É um benefício importantíssimo que ela recebe do Sistema Único de Saúde (SUS) e que ela não deveria abrir mão”, completou Raquel.

Júlia Jardim de Souza é enfermeira da ESF ErmidaII. Segundo ela, a movimentação na unidade de saúde foi baixa desde o inicio da vacinação. “Agora, nessas últimas semanas, a procura está bem grande, a gente teve o dia D, mas quase ninguém veio. Agora, a demanda está maior. A gente recebe o pessoal da zona rural também, que está procurando aqui. Tem só mais cinco dias de campanha, então é importante que todos os grupos venham vacinar”, explicou a enfermeira.

Estão disponíveis nos 36 postos de saúde de Divinópolis, a vacina contra a influenza (gripe). O horário de funcionamento dessas unidades pode variar entre 7h às 17h ou de 8h às 16h30. É importante que a pessoa informe, durante a vacinação, se possui alguma comorbidade, como os exemplos destacados na reportagem. A vacinação ainda não atingiu os 90%, recomendação do Ministério da Saúde. Por isso, você que ainda não vacinou e está nos grupos prioritários, aproveite a próxima semana e vacine. A campanha encerra na sexta-feira (26) e ainda não há informações sobre prorrogação.

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