quinta-feira, 21 de Maio de 2015 11:45h Atualizado em 21 de Maio de 2015 às 11:46h. Jotha Lee

Controle da Cidade Tecnológica é fatiado para três investidores

Prefeito cobra agilidade na implantação do projeto

Lançada oficialmente no dia 25 de abril do ano passado, a Cidade Tecnológica ainda não saiu do papel. O projeto, previsto para ocupar uma área de 4,7 milhões de metros quadrados, fica localizado na comunidade do Choro, a 10 quilômetros do perímetro urbano. De acordo com a Lei 7.817/2014, que criou a Cidade Tecnológica, 40% da área total do terreno (dois milhões de metros quadrados) serão destinados à “instalação de empreendimentos produtivos, comerciais e industriais, com prioridade para indústrias limpas, voltadas à pesquisa e tecnologia”.
Já para a construção de residências, a lei prevê 30% da área. A ocupação residencial poderá se dar antes da instalação de empreendimentos, já que a lei prevê que isso ocorra “antes do efetivo início da ocupação da área industrial, com instalação, ou garantia de implementação, das unidades produtivas.”
Mais de um ano depois de seu lançamento, ontem o Conselho Gestor da Cidade Tecnológica se reuniu para discutir o início efetivo do empreendimento. O encontro aconteceu na Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Mina Gerais (Fiemg) e teve a presença de representantes do Cefet e da UFSJ, instituições de ensino que já preparam a instalação de unidades na área. Além da empresa gestora do empreendimento, a Interpar, o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) também participou do encontro.

 

COBRANÇA
O prefeito afirmou que o município está aguardando o projeto da parte de engenharia da Cidade Tecnológica. “Esse projeto inclui todo o zoneamento, definindo as áreas residencial, industrial, comercial e de preservação permanente, para que a gente possa tornar esse projeto realidade o mais rápido possível”, explicou. Vladimir disse ainda que sua participação na reunião de ontem também teve como objetivo cobrar ações efetivas para a implantação prática do empreendimento. “Na verdade estamos cobrando dos empreendedores. Fizemos a nossa parte de criar a zona especial, a Câmara aprovou, mas há um atraso na apresentação do projeto de parcelamento do solo dos empreendedores privados e é isso que estamos cobrando”, afirmou.
Na reunião do Conselho Gestor, que aconteceu sem a presença da imprensa, foram anunciadas medidas que devem, finalmente, tirar o projeto do papel. A primeira delas foi a antecipação da entrega das áreas das universidades, que receberão as escrituras do terreno no máximo em 60 dias. Tanto a UFSF quanto o Cefet entregaram ontem o cronograma de obras que pretendem implementar a partir do recebimento do terreno.
Outra decisão anunciada e talvez a mais importante, que permitirá o avanço prático do projeto, foi a chegada de dois novos investidores, que juntos passam a deter 60% do controle da Cidade Tecnológica. Inicialmente o projeto ficaria sob controle da Interpar Empreendimentos, que seria a única investidora no gerenciamento do projeto. Entretanto, para tirar o projeto do papel e torná-lo realidade, a Interpar aceitou dois novos sócios, que vão cuidar de toda a infraestutura do empreendimento, injetando os recursos necessários para que seja viabilizada a estrutura necessária que permitirá a chegada de empresas, especialmente no segmento de tecnologia.
O diretor da Interpar, Aurílio Campos Guimarães, confirmou a entrada no negócio dos dois novos sócios, afirmando ter recebido “uma proposta formal de sociedade”, entretanto, uma fonte assegurou que o acordo já está selado. Um dos novos investidores é a Elglobal Construtora, empresa com sede em Uberlândia e já consolidada no mercado nacional da construção civil, que ficará com 30% do controle da Cidade Tecnológica. O outro sócio será a FCS Empreendimentos, empresa de Belo Horizonte, do Grupo Citrosantos, atacadista no mercado de alimentos, especialmente no setor de hortifruti, que terá outros 30% do controle na nova sociedade.
Segundo Aurílio Guimarães, os dois novos sócios devem entrar com R$ 150 milhões em investimentos na infraestrutura, incluindo toda a urbanização área. “Isso viabiliza o projeto”, garantiu. “Agora vamos partir para a análise dos contratos, para que a gente possa concretizar a sociedade”, afirmou. Otimista, o diretor da Interpar acrescenta que a chegada de novas empresas interessadas em implantar suas unidades na Cidade Tecnológica deve começar em médio prazo. “Com certeza, assim que as Universidades tiverem implantadas e o parque estiver funcionando elas virão. Inclusive empresas internacionais, de Portugal e Espanha, onde há empresas interessadas em conversar conosco. Agora, elas só virão, após a implantação do projeto, porque ainda não há uma estrutura para recebê-las”, admitiu.

 

VETERINÁRIA
A Universidade Federal de São João Del Rei, primeira universidade a confirmar presença na Cidade Tecnológica, implantará inicialmente no novo campus o curso de veterinária, que deverá estar disponível a partir de 2017. O diretor do Campus Centro Oeste Dona Lindu, professor Eduardo Sérgio da Silva, participou da reunião de ontem e explicou que esse ano a universidade trabalhará para a aprovação do curso, em 2016 será trabalhado o oferecimento da disciplina, com início previsto para 2017.  Eduardo Sérgio saiu otimista do encontro. “A partir dessa reunião a gente passa a sair do planejamento e partir para a parte concreta, com empresa investindo, a própria universidade construindo dentro da Cidade Tecnológica, então a gente espera que o processo de implantação seja realmente mais rápido”, afirmou.
O prefeito Vladimir Azevedo informou que o município oferecerá incentivo fiscal para as empresas de tecnologia que se instalarem na Cidade Tecnológica. “Além disso, vamos ajudar numa articulação junto ao governo do Estado para a atração de investimentos, mas antes disso, [garantir] o avanço do segmento universitário, que para nós é questão fundamental”, afirmou. O prefeito não adiantou quais incentivos fiscais serão dados pelo município, já que, segundo ele, a proposta ainda está em análise. “Mas deve ser alguma coisa relacionada ao IPTU por uma linha determinada de tempo, além de incentivos relacionados ao ISS”, finalizou. 

 

Crédito: Jotha Lee

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