quinta-feira, 2 de Junho de 2016 13:45h Atualizado em 2 de Junho de 2016 às 14:02h. Jotha Lee

Cooperativa Agropecuária responde na Justiça por emissão de títulos de créditos falsos

Empresa contrata consultoria em busca de equilíbrio financeiro

POR JOTHA LEE

jotalee@gazetaoeste.com.br

 

Pouco mais de um mês após demitir os 120 trabalhadores que prestavam serviços à empresa, a Cooperativa Agropecuária de Divinópolis, detentora da marca Karinho, afirma que está negociando suas dívidas, especialmente o pagamento dos débitos trabalhistas. A crise financeira da empresa veio a público no dia 21 de março, quando foi publicada reportagem exclusiva pelo Jornal Gazeta do Oeste, antecipando o possível fechamento do laticínio. Fundada em janeiro de 1954, a Cooperativa foi o mais importante divisor de águas na produção de derivados do leite em Divinópolis. A partir da década de 1980, a empresa de iniciativa privada, comandada por um grupo de associados, diversificou sua produção e passou a oferecer, além do tradicional leite Karinho, outros projetos derivados do leite, como doce, requeijão e manteiga. Na linha de produtos da empresa também foram acrescidos achocolatados e sucos.

 

 

 

Ainda não se sabe exatamente qual o tamanho da dívida e quais os motivos levaram a empresa à falência. No meio de um turbilhão de denúncias, que envolvem reclamação de funcionários demitidos, credores e produtores de leite que levaram o calote, foi contratada uma Consultoria Técnica, de Belo Horizonte, para tentar equilibrar a empresa e atrair investidores interessados em sua aquisição. Mário Guimarães, representante da consultoria cujo nome ele pede para ser resguardado, diz que há empresas interessadas no negócio. “Existem algumas empresas que tem nos procurado com propostas concretas para adquirir ou arrendar a Cooperativa e a gente está em fase de entendimentos”, garantiu.

 

 

 

Segundo Mário Guimarães, a consultoria está trabalhando em duas frentes, uma delas visando a retomada da produção. “Estamos trabalhando visando a retomada das atividades, seja através da venda ou arrendamento, e cuidando da questão dos ativos, para não deixar a empresa se deteriorar, observando a questão das despesas, fazendo acordos com funcionários, tentando pagar alguns credores, é nisso que a gente está direcionando nosso trabalho”, informou.

Mário Guimarães informou ainda que na semana passada começaram as audiências no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), para o acerto das dívidas trabalhistas com os 120 trabalhadores demitidos em abril. “Nesse momento a preferência é para o pagamento das rescisões de contrato, exatamente pela relação de trabalho e em função da legislação trabalhista. Então nesse momento a gente está cuidando basicamente dessa situação”, assegurou.

 

 

 

TÍTULOS

Se por um lado a Cooperativa tenta o reequilíbrio para uma futura negociação ou arrendamento, por outro, a empresa se vê às voltas com a Justiça, com dezenas de ações motivadas por falta de pagamento e até emissão de documentos falsos. Uma dessas ações corre na 26ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte e foi impetrada pela Central Mineira Atacadista (CEMA), empresa especializada na distribuição de produtos e serviços com sede em Contagem. Através de Ação Declaratória de Nulidade de Títulos de Crédito, a CEMA relata que a Cooperativa vem cedendo créditos fictícios em seu nome para várias empresas de factoring, sem que haja “motivo mercantil para a cobrança”, ou seja, sem que haja débitos pendentes. Pelo contrato de factoring uma empresa cede, total ou parcialmente a uma instituição financeira, créditos de vendas feitas a terceiros, em troca do pagamento de certa comissão, assumindo a instituição o risco do não recebimento dos créditos.

 

 

 

De acordo com a CEMA, os valores dos boletos indevidamente emitidos pela Cooperativa atingem o montante de R$ 328 mil. O mérito da ação não tem data para ser julgado. Segundo informações obtidas com exclusividade pelo Jornal Gazeta do Oeste, várias outras empresas também teriam sido usadas pela Cooperativa para a emissão de boletos falsos. Além disso, a empresa negociou produtos que não foram entregues e vários produtores de leite, cuja produção foi entregue no ano passado, continuam sem receber.

De acordo com Mário Guimarães, da consultoria que administra a Cooperativa, atualmente o trabalho está voltado para o pagamento das rescisões contratuais. Informa ainda que alguns pequenos produtores estão sendo procurados para acordos, bem como estão em análises propostas de compra ou arrendamento do laticínio. “É nisso que estamos trabalhando agora”, finalizou.

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.