terça-feira, 1 de Março de 2016 09:54h Pollyanna Martins

Copasa cobra taxa de esgoto sem prestar o serviço

Moradores do bairro Rinaldo Campos pagam a taxa de esgoto, mas o bairro ainda é sistema de fossa

Os moradores do bairro Rinaldo Campos, em Divinópolis estão pagando a taxa de esgoto, cobrada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), mesmo sem terem o serviço no bairro. Além de pagar a taxa, e não ter rede de esgoto no bairro, os moradores precisam conviver diariamente com a falta de água. A vendedora, Ilka Ferreira da Silva, mora no bairro há um ano, e conta que já chegou há ficar quatro dias sem água em casa. Segundo Ilka, o abastecimento é feito até às 10h, e só retorna após a meia noite. “A gente fica o dia inteiro sem água. Não tem um dia que não falta água em casa. Eu tive que comprar uma caixa d’água maior para poder armazenar água em casa”, relata.

 

 


A dona de casa, Terezinha Maria do Carmo Laporaes, também mora no bairro há um ano e diz que “se vira como pode” para armazenar água em casa. A dona de casa emenda as palavras da vizinha, e ressalta que as dificuldades são grandes. “Sempre falta água, e o sacrifício é muito para a gente. A gente tem criança em casa, e ficar sem água é muito difícil. Tem um ano que a rotina é a mesma”, reclama. Conforme Terezinha, esse domingo (28) não foi diferente dos dias da semana. Os moradores do bairro passaram o dia sem água. “Ontem (28), nós ficamos o dia todo sem água. Eu fui deitar por volta das 23h e ela [a água] não tinha voltado ainda. Todos os dias antes de deitar eu confiro se voltou, mas o abastecimento só volta de madrugada”, conta.

 

 


De acordo com Terezinha, a situação melhorou um pouco esta semana, pois um passeio está sendo feito no bairro. Terezinha revela que, no início da obra, os funcionários pegavam água de uma casa que não tem hidrômetro, mas, na última semana, a situação mudou. Os trabalhadores continuam a construção do passeio, mas com água que pegam da rua. Desde então, a água que antes era abastecida apenas de madrugada, agora é fornecida durante todo dia. “Acho que, por causa da obra, a água é abastecida o dia todo, não sei se é coincidência. Mas, quando eles [funcionários da obra] terminam o trabalho, por volta das 17h, pode vir aqui que o abastecimento acabou, e aí só volta mais tarde”, detalha.

 

 


DRIBLAR A FALTA D’ÁGUA
Terezinha já foi várias vezes para casa do filho, que mora no bairro Realengo, para tomar banho. Para driblar a falta d’água do bairro, a dona de casa criou um estoque de garrafas pet. Terezinha relata que se ela não encher as garrafas quando a água da rua é fornecida, o filtro de água fica vazio, pois as torneiras da casa chegam a ficar sem uma gota d’água. “Eu arrumei garrafas, e armazeno água lá. Fica aquela coisa feia, esse tanto de garrafa no quintal da gente, mas é a única forma que eu encontrei de não deixar faltar água na cozinha. Para não deixar o banheiro sem água, eu comprei tambores, onde armazeno água. Acabou a água da caixa, a gente fica sem nada”, descreve.

 

 


CONTA
Mesmo sem água durante o dia, ou ainda enfrentar vários dias sem abastecimento, a conta para pagar chega à casa de Terezinha, e o preço não é barato. A dona de casa conta que já chegou a pagar R$130 de água. Além de o preço ser bastante alto, é cobrada ainda a taxa de Esgoto Dinâmico com Coleta (EDC), mas o bairro não tem rede de esgoto. “Eu acredito que a água vem cara porque nós temos que deixar o registro aberto para a água subir para a caixa de madrugada, então, com isso, a entrada de ar é maior”, avalia.
Para tentar diminuir o valor da conta, a dona de casa teve que encontrar maneiras de economizar, e nos novos hábitos da casa, está incluída a compra de um sabão que faz menos espuma para lavar roupas. “Nós compramos um sabão que gasta menos água para poder economizar, porque a Copasa cobra mais água do que a gente gasta. Eu já paguei conta de R$ 130, mesmo sem água em casa, só armazenando para a gente passar o dia. A última conta de água eu paguei R$ 59”, reclama.

 

 


COPASA
Em nota, a empresa alegou que “somente realiza cobrança sobre o serviço de coleta de esgoto em imóveis conectados à rede da empresa. Caso o morador entenda que está havendo cobrança indevida, ele deverá comparecer a uma agência de atendimento da Copasa”. Sobre o abastecimento de água, a companhia informou que “o bairro Rinaldo Campos, em Divinópolis, está localizado em uma região alta em relação à zona de abastecimento, por isso, ele está mais propenso aos impactos causados por eventuais manutenções e anormalidades que interrompam o fornecimento de água. A Copasa informa ainda que a equipe técnica vem efetuando estudos em busca de melhorias para minimizar esses efeitos”.

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