sexta-feira, 24 de Abril de 2015 11:51h Atualizado em 24 de Abril de 2015 às 12:01h. Jotha Lee

Copasa se nega a fornecer faturamento da empresa em Divinópolis

Lucro da companhia em 2014 passou de R$ 318 milhões

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) divulgou seu balanço anual com relação a 2014, confirmando lucro líquido de R$ 318,1 milhões, bem abaixo da arrecadação de 2013, quando a empresa faturou R$ 419,8 milhões. No relatório de resultados, a empresa justifica a redução do lucro, afirmando que “a queda observada reflete um crescimento da receita inferior ao dos custos e despesas.”
Ainda de acordo com a companhia, no ano passado a arrecadação da empresa foi impactada pela redução no consumo de água por residência, além de outras ocorrências extraordinárias, entre elas o baixo volume de chuvas. A Companhia fechou o ano com a concessão do serviço de abastecimento de água em 635 municípios mineiros.
Já para o serviço de esgotamento sanitário, a Copasa fechou 2014 com a concessão de 288 cidades. Entretanto, em virtude da má prestação de serviços, perdeu a concessão em alguns municípios, como foi o caso de Montes Claros e Pará de Minas.
Em um comunicado oficial ao mercado, a concessionária se posicionou sobre a situação em Pará de Minas. “A Copasa vem a público informar a seus acionistas e ao mercado em geral que, após um longo período de negociação com o município de Pará de Minas, não logrou êxito na renovação do contrato de concessão dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Considerando que o município realizou licitação e homologou seu resultado sem levar em conta os ativos investidos pela Companhia, estamos adotando as medidas judiciais cabíveis requeridas para o caso”, diz o texto.

AÇÕES
A empresa também fechou 2014 com uma série de ações judiciais que questionam suas tarifas de água e esgoto. A Companhia é parte em ações civis públicas e ações populares que pleiteiam a anulação, suspensão ou impugnação de 19 contratos de concessão, entre eles o contrato firmado com Divinópolis em junho de 2011, quando a Copasa foi escolhida pelo Executivo Municipal para assumir o tratamento do esgoto.
Além de Divinópolis, também há ações em tramitação pedindo a anulação de contratos nas cidades de Almenara, Barbacena, Campina Verde, Caratinga, Cataguases, Frutal, Guidoval, Itajubá, Lavras, Leopoldina, Luz, Mateus Leme, Nanuque, Patos de Minas, Ribeirão das Neves, São Gotardo, Serra da Saudade e Três Corações.
Segundo análise da própria empresa, no comunicado divulgado, com exceção de Caratinga e São Gotardo, as demais ações foram classificadas com possibilidade de perda possível ou remota. Em Divinópolis, continuam tramitando duas ações contra a empresa. Uma coletiva, que pede a anulação do contrato, e uma segunda ação, conduzida pelo Ministério Público, que pede a suspensão da cobrança da tarifa de tratamento do esgoto até que o serviço seja efetivamente prestado.
Diante da divulgação do balanço da empresa em relação a 2014, a Gazeta do Oeste solicitou à Copasa informações sobre o faturamento da empresa em Divinópolis, já que o dado individualizado por município não consta do relatório. Através da assessoria de imprensa, a companhia disse apenas que “as informações financeiras relativas ao faturamento da Copasa em 2014 estão disponíveis no site da companhia”. Apesar de ter conhecimento de que o dado individual sobre o faturamento por município não consta do balanço, a Copasa se negou a prestar a informação solicitada pela reportagem.
Em Divinópolis 92.221 residências recebem água da Copasa, segundo o balanço da empresa. Outras 82.206 são atendidas pelo serviço de esgoto. A cobrança da tarifa pelo tratamento do esgoto começou em janeiro de 2013, o equivalente a 50% do valor da conta de água.
A partir do ano passado, cerca de 10% dos consumidores, pouco mais de 8.200 residências, passaram a pagar 90% do valor da fatura pelo serviço, em razão da entrada em operação da Estação de Tratamento do Rio Pará. Um analista de mercado estima que o faturamento da Copasa em Divinópolis chegue a R$ 5 milhões mensais, após o início da cobrança da taxa de esgoto.

 


Crédito: Arquivo/GO
Crédito: Mariana Gonçalves

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