sábado, 19 de Março de 2016 04:52h Atualizado em 19 de Março de 2016 às 04:52h. Pollyanna Martins

Criança perde aula por ser retirada de ônibus do transporte escolar

A mãe da menina, de sete anos, diz que o motorista do ônibus a retirou do veículo alegando que ela não tinha mais o direito ao transporte escolar

Uma menina, de sete anos, viveu momentos de constrangimento na manhã de ontem (18), após ser retirada do ônibus que faz o transporte escolar no bairro Candidés, em Divinópolis. Segundo a mãe da menina, Shirley Jesus Coutinho, a filha utiliza o transporte público para ir até a Escola Municipal Sidney de Oliveira, que também fica no bairro. De acordo com a dona de casa, ela foi até a Secretaria Municipal de Educação (Semed), cadastrou Raquel no transporte público, e recebeu do órgão a carteirinha comprovando o direito de uso da menina, mas nem com o documento em mãos, a garota pode utilizar o transporte escolar. “Apesar da carteirinha na mão dela, o motorista não quis deixá-la entrar, e alegou que o ônibus está cheio, que era para eu conversar na Semed ou na Prefeitura”, conta.

 

 

 

A dona de casa relata que duas linhas atendiam o bairro, mas atualmente só uma busca e deixa as crianças na escola e em casa. Com isso, várias crianças do bairro estão desassistidas pelo transporte escolar. De acordo com Shirley, a filha não ficou desassistida pelo programa, pois solicitou o serviço várias vezes na Semed, uma vez que, além de Raquel, suas filhas, Daniela e Jéssica, também utilizaram o transporte escolar. “Eu corri atrás e consegui o direito de ela usar o transporte escolar. Da minha filha que estuda à tarde, eles falaram que não iam cortar, porque tinha vaga no ônibus, mas da Raquel, que tem sete anos, eles querem cortar, e querem que ela vá a pé para a escola”, lamenta.

 

 


Além de ter sido retirada do veículo, com a alegação de que o ônibus estava lotado, a menina ainda foi constrangida por outros alunos que estavam no transporte escolar. O irmão de Raquel, que tem problemas mentais, se exaltou e atirou uma pedra no vidro traseiro do veículo. “Os meninos começaram a tirar sarro da cara dela, e foi até que o meu menino, que tem problemas mentais, pegou uma pedra e jogou no ônibus. O vidro quebrou, e aí o motorista veio até a minha casa para discutir comigo”, detalha. Conforme Shirley, durante a discussão, ela questionou ao motorista por que não levou a menina para a escola, sendo que ele havia parado no ponto ônibus para buscar outra criança e a resposta foi que “ele falou comigo que não queria saber de carteirinha, ele queria saber do vidro do ônibus que estava quebrado, quem ia pagar o estrago”.

 

 


Preocupada se a filha conseguirá utilizar o transporte público para ir à aula na segunda-feira, a dona de casa entrou em contato com a diretoria da escola para saber o que estava acontecendo, mas não teve nenhuma resposta concreta da instituição. “A diretora falou que eu tenho que ir a Semed, que a culpa é da Semed. Mas a Semed não me enviou nada falando da suspensão do transporte escolar dela. Inclusive, quando eu fui fazer a carteirinha dela na secretaria, eles me falaram que ela tinha o direito sim, que o nome dela estava na lista”, ressalta.

 

 


CORTES
Segundo Shirley, antes, duas linhas realizavam o serviço de transporte escolar nos bairros Candidés, Grajaú e São Simão, mas no ano passado houve um corte e o serviço não foi mais realizado nos bairros. Os moradores fizeram um abaixo assinado e apenas uma linha realiza o transporte escolar dos bairros. “Cortaram o transporte escolar daqui, do São Simão e do Grajaú, nós fizemos um abaixo assinado e voltaram uma linha só. Agora estão querendo cortar de novo, se as duas linhas tivessem atendendo os bairros não teria esse problema de ônibus cheio”, avalia. Indignada com a situação que a filha viveu na manhã de ontem, a dona de casa desabafa. “Se ela não tivesse o direito, eu não corria atrás, se eu estou correndo atrás é porque eu sei que é um direito dela utilizar o transporte escolar”, frisa.

 

 


PREFEITURA
De acordo com a Secretária Municipal de Educação, Rosemeire Lasmar, a criança não tem mais direito ao transporte escolar. A secretária informou que o transporte escolar é utilizado por crianças que moram há mais de 1500 metros de distância da escola. Ainda de acordo com a secretária, quando há vaga no ônibus, o serviço pode ser utilizado por crianças que moram até 1300 metros de distância da escola. “A gente não vai fazer a maldade de deixar uma criança que mora a 1450 metros de distância da escola sem o transporte escolar, tendo vaga no ônibus. No caso daquela região, às vezes, a criança que tinha direito o ano passado esse ano não vai ter, por causa das vagas no ônibus”, explica.

 

 


Conforme Rosemeire, foi feito um termo em que os pais assinaram, atestando estarem conscientes de que, caso aparecesse alguma criança que mora há mais de 1500 metros de distância da escola, esta ocuparia a vaga da criança que mora há menos de 1500 metros, e utiliza o transporte escolar. “Eles assinaram um termo que diz que eles estão cientes que o filho deles utiliza o transporte escolar, porém entrou cotado, se aparecer outra criança há mais de 1500 metros de distância, o filho perde o direito. Os pais assinaram esse termo”, detalha.

 

 


A secretária afirmou que a família foi informada que Raquel havia perdido a vaga no transporte escolar. De acordo com Rosemeire, após a comunicação, a família não aceitou a perda da vaga e, mesmo assim, continuou enviando a criança para utilizar o transporte escolar. Sobre uma possível punição ao motorista, que constrangeu a garota, a secretária afirma. “Se a família não quer devolver a carteirinha, a família não quer aceitar, o motorista vai constranger a criança mesmo, porque quem está constrangendo a criança não é o motorista, é a própria família”, avalia. A secretária garantiu ainda, que não houve nenhum corte no transporte escolar na região. “Não houve cortes, o ônibus atende todas as crianças, não houve redução de gastos, o transporte escolar está normal, até porque nós não podemos deixar os meninos sem transporte escolar”, conclui.

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