quinta-feira, 30 de Junho de 2016 13:18h

Crimes na zona rural da região Centro-Oeste aumentam 37% no primeiro semestre de 2016

Geoprocessamento deve ajudar na segurança da zona rural. Em Itaúna, Polícia Militar apresentou projetos para reduzir roubos de gado e outros furtos na região.

Furtos e roubos na zona rural foram as principais reclamações apresentadas em reunião da Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ocorrida nesta terça-feira. Na atividade, realizada em Itaúna, representantes da Polícia Militar apresentaram as estratégias que têm sido adotadas para resolver os problemas, que vão desde pequenos furtos de equipamentos a grandes roubos de gado.

Levantamento apresentado pela Polícia Militar mostrou aumento dos crimes na zona rural, com crescimento de 37% do número de furtos em uma região que abarca 50 municípios, a maioria na região Centro-Oeste. O aumento foi observado entre os meses de janeiro e junho, comparados com o mesmo período no ano passado. Em junho, porém, teria acontecido um decréscimo de 14% nesse tipo de crime em relação a maio.

 

 

Um dos motivos apresentados para a melhora, de acordo com o major Jocimar dos Santos, chefe da Seção de Emprego Operacional da 7ª Região da Polícia Militar, teria sido a intensificação da chamada Patrulha Rural Regionalizada. Segundo ele, desde o dia 4 de maio, o programa tem funcionado com patrulhas feitas por policiais de unidades próximas, que se revezam e montam equipes mistas. “Utilizamos trabalhos de inteligência para acompanhar a migração do crime, nos adequar e nos antecipar na adoção de estratégias”, explicou.

O major falou, ainda, do projeto de implantação de um trabalho de geoprocessamento. Segundo ele, a Polícia Militar já está fechando o acordo com a empresa privada que vai fornecer a base de dados para o trabalho. “Teremos a catalogação de todos os endereços, norteados por GPS, que vai facilitar a chegada das patrulhas rurais, tanto para atendimento das demandas quanto para o trabalho preventivo”, disse. Pará de Minas, vizinho de Itaúna, será o primeiro dos 50 municípios a serem mapeados, mas a intenção, de acordo com o major, é levar o projeto para todas as regiões.

 

 

 

Participação da comunidade também é importante

A importância das denúncias e da parceria das comunidades rurais com a Polícia Militar foi ressaltada pelo major Elson Geraldo de Andrade, comandante da 5ª Companhia Independente da 7ª Região da Polícia Militar. “Precisamos contar com todos os senhores para serem nossos olhos no meio rural, já que, infelizmente, não podemos colocar uma patrulha em cada comunidade”, disse.

O deputado Fabiano Tolentino (PPS), presidente da comissão, disse que é preciso combater essa onda de crimes, que seriam organizados. “Se roubam 100 cabeças de gado, precisam ter caminhão, frigorífico, precisam conhecer a fazenda, não é qualquer um que faz esse tipo de roubo”, disse. Ele destacou, ainda, que houve redução nos investimentos direcionados às polícias Militar e Civil por parte do governo estadual. Por fim, lembrou que a comissão está rodando vários municípios para tratar dos principais problemas enfrentados no meio rural.

 

 

 

Deputado defende porte de armas no meio rural

O deputado Inácio Franco (PV) concordou com o colega e disse que "o homem do campo está desprotegido sem poder ter armas em casa". Ele defendeu, assim, a revogação do Estatuto do Desarmamento. O parlamentar também disse que é preciso ter uma política agrícola consistente no Brasil. “Nos Estados Unidos ou na Europa, o produtor trabalha e sabe que vai ter resultado. Aqui, ele trabalha e, na hora de vender, tem prejuízo. Isso é inadmissível”, disse.

Quem concordou com ele foi o gerente regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), Wellington Dias Silveira. “Fico preocupado quando dizem que a agricultura sustenta o Brasil. Agora querem cobrir o rombo da previdência com a agricultura, mas tem carga tributária que a gente não aguenta. Essa agricultura pujante, que salva o Brasil, não chega aqui embaixo, aqui é muito mais difícil ter acesso a todos esses benefícios”, afirmou.

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