sábado, 5 de Março de 2016 08:58h Jotha Lee

CTI do São João de Deus continua fechado e cirurgias eletivas suspensas

Mesmo após a liberação dos salários, médicos não retomam atendimento

Continua sem solução o impasse envolvendo os médicos que atendem no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e a direção do Hospital São João de Deus (HSJD). Insatisfeitos com a falta de pagamentos dos salários e a redução do pessoal que inviabiliza o atendimento para toda a demanda, os médicos iniciaram um movimento de protesto na última segunda-feira, canelando as internações no CTI, que além de deixar pacientes na fila de espera para vagas na unidade intensiva, também causou a suspensão das cirurgias eletivas.

 

 


O HSJD justificou a falta de acerto salarial pelo atraso no repasse de R$ 1,5 milhão, primeira parcela da verba de R$ 4,5 milhões liberada pelo Estado, a ser utilizada para o acerto salarial com o corpo clínico. O dinheiro deveria ter sido liberado no dia 20 de fevereiro, porem somente no dia 1º desse mês, foi depositado na conta do Fundo Municipal de Saúde. Provocada pelo Jornal Gazeta do Oeste sobre os motivos que originaram o atraso no repasse do recurso, a Secretaria de Estado da Saúde não respondeu à reportagem, limitando-se a dizer através da assessoria de imprensa que o dinheiro estava depositado e a questão estava resolvida.

 

 


Entretanto, essa não é a realidade. Ontem, a assessoria de imprensa do Hospital São João de Deus confirmou o depósito dos recursos e disse que o pagamento dos médicos “está sendo efetuado”. Acrescentou que, embora o pagamento tenha sido liberado, as internações no CTI continuam suspensas e as cirurgias eletivas ainda não foram retomadas, não havendo uma previsão de data para que isso ocorra. Ainda segundo a assessoria, somente na segunda-feira haverá um posicionamento dos médicos, permanecendo suspensas as internações no Centro de Tratamento Intensivo e as cirurgias eletivas.

 


Até a última quarta-feira, a ocupação dos leitos do CTI era total, com 20 pacientes sendo atendidos. Ontem somente 12 continuavam internados. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, apenas dois pacientes estão internados na UPA 24h, aguardando vaga de internação na unidade intensiva.

 


SOLUÇÃO
Uma reunião ocorrida em janeiro em Belo Horizonte tentou evitar que os médicos do CTI chegassem à uma decisão extrema de suspender novas internações. Com a presença das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, autoridades políticas e diretores do HSJD, ficou definido que o Estado vai liberar, em quatro parcelas, uma verba de R$ 4,5 milhões totalmente destinada a amortizar a dívida de R$ 9 milhões que o HSJD. A prefeitura entrará com mais R$ 3 milhões, divididos em 10 parcelas de R$ 300mil.

 


No dia 17 do mês passado o secretário de Estado da Saúde, Fausto Pereira, assinou resolução liberando a primeira parcela de R$ 1,5 milhão comprometida pelo Estado. O dinheiro deveria ter entrado imediatamente na conta do Fundo Municipal de Saúde, porém ocorreu o atraso não explicado pelo Estado, que causou a crise no CTI.
O governo do Estado garante que as próximas três parcelas serão liberadas sem atrasos sendo R$ 1 milhão até o fim desse mês e outras duas no mesmo valor no início dos meses de abril e maio.

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