segunda-feira, 29 de Junho de 2015 12:49h

Denúncia de repressão a equipe de TV em escola será debatida nesta terça (30)

Repórter e cinegrafista de emissora de Divinópolis teriam sido presos por seguranças da Secretaria de Educação

Uma denúncia de atentado à liberdade de expressão e da suposta prática dos crimes de cárcere privado e de lesão corporal, sofridos pela jornalista Nayara Lopes e pelo cinegrafista Yan D'masoyy, profissionais da TV Candidés, motivam a realização de uma audiência pública da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (30/6/15). A reunião acontece às 9 horas, no Plenarinho I, por solicitação do deputado João Leite (PSDB) e da deputada Celise Laviola (PMDB).

Segundo a repórter, a equipe esteve na Escola Estadual Monsenhor Domingos, em Divinópolis (Centro-Oeste de Minas), no dia 12 de março, com o objetivo de cobrir a visita da secretária de Educação Macaé Evaristo. Na entrevista com a gestora, foi feita uma pergunta sobre a Lei Federal 10.639, de 2003, que trata da inserção da disciplina sobre cultura africana nas escolas públicas. A secretária teria respondido que nada havia sido feito sobre o tema nos últimos doze anos, mas, posteriormente, teria solicitado que a resposta fosse regravada.

Apesar de a equipe ter concordado com o pedido da secretária, uma assessora os teria abordado com hostilidade, exigindo que apagassem a entrevista. A repórter e o cinegrafista tentaram apagar o material na câmera, mas não conseguiram. “Ficamos assustados. Tentamos apagar, mas o nosso diretor de jornalismo nos orientou a ir embora e não perder o material”, detalha a repórter Nayara Lopes. De acordo com ela, quando a assessora percebeu que a equipe iria embora sem apagar a entrevista, os teria ameaçado de processo e de chamar a polícia por estarem desobedecendo a uma lei do governo.

Os jornalistas tentaram sair da escola, mas teriam sido impedidos pelo diretor da instituição e assessora da secretária. Segundo o cinegrafista Yan D'masoyy, após ser preso pelo diretor na escola, ele ainda teria tentado negociar com os envolvidos, pedindo que abrissem o portão da escola para que a equipe saísse, o que teria sido negado. “Um homem colocou a mão no meu pescoço e quando eu tentei tirar a mão dele, disse que era policial, apesar de não apresentar distintivo ou identificação”, relata o cinegrafista. A equipe teria ficado presa na escola ente 11h30 e 13 horas.

Ainda segundo Nayara, a equipe só pôde sair quando o diretor de jornalismo da TV Candidés, Flaviano Cunha, chegou ao local. “A minha equipe estava realmente presa na escola. Fui recebido na porta e a negociação foi feita antes de entrar na instituição, que é pública. Expliquei que o procedimento é jornalístico e apagar o material iria ferir o código de ética da profissão. Se houve falha de protocolo, a assessoria tinha a liberdade para não gravar a entrevista”, afirmou.

Convidados – A comissão convidou para participar da audiência a secretária de Estado de Educação, Macaé Maria Evaristo dos Santos; o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Arnóbio Lopes Santos; o presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt), Mayrinck Pinto de Aguiar Junior; o diretor da Escola Estadual Mosenhor Domingos, do município de Divinópolis, Kleuver Luis Alves Mota; o diretor de Jornalismo da TV Candidés de Divinópolis, Flaviano Cunha; a repórter da TV Candidés, Nayara Lopes; e o repórter cinematográfico da TV Candidés, Yan D'Masoyy.

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