sábado, 23 de Janeiro de 2016 03:50h JOTHA LEE

Desemprego continuará crescendo em Divinópolis em 2016

Presidente da Fiemg diz que não há nenhum indicativo de mudança no comportamento da economia

“A tendência é piorar”. Com essa nebulosa previsão, o presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Afonso Gonzaga, resumiu o sentimento do setor industrial de Divinópolis, ao analisar ontem o pior resultado dos últimos 14 anos na abertura de empregos no município. O arrocho na indústria local e regional acompanha a crise nacional e a tendência do setor é continuar demitindo, conforme ocorreu no ano passado.
De acordo com a estatística do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 2015 registrou o pior resultado no mercado formal de trabalho na cidade. Desde 2002, Divinópolis não fechava o ano com saldo negativo. No ano passado, com os dados corrigidos ontem pelo MTE, após 14 anos, o município demitiu mais do que contratou e foram fechadas 1.510 vagas com carteira assinada. Foram 26.458 demissões contra 24.948 admissões.

 


Além do presidente da Fiemg, a reportagem da Gazeta do Oeste conversou com seis empresários dos setores de comércio e serviços. Quatro tiveram que demitir no ano passado e os outros dois disseram que se não houver mudança no panorama econômico terão que demitir em 2016. Outra análise feita ontem é que esse volume de demitidos acaba indo para o mercado informal, já que não há perspectivas de novas contratações. “O demitido só consegue nova vaga dentro do seu campo profissional com muita sorte e, como a demora em conseguir um emprego leva as pessoas a aceitarem a primeira oferta que aparece, muitos retornam ao mercado ganhando muito menos ou então ficam no mercado informal, aumentando um problema social já existente e que vem acumulando ao longo dos últimos anos”, avalia Afonso Gonzaga.

 


NÚMEROS
A indústria divinopolitana, baseada nos setores confeccionista e metalúrgico, fechou 1.055 vagas no ano passado, o que significa 6,86% do total disponível. A indústria metalúrgica fechou 342 postos, 8,9% dos empregos formais oferecidos pelo setor. Já a indústria de confecções fechou 504 vagas em 2015, 9,11% dos postos disponíveis no início do ano.
De acordo com o presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste, Afonso Gonzaga, a situação é de total insegurança e o comportamento do setor industrial da cidade continuará sendo de redução de custos, atingindo diretamente o emprego. “Nós não temos nenhuma perspectiva de abertura de novos postos de trabalho”, garante. Gonzaga diz que há possibilidade de alguma modificação no quadro atual, mas depende muito do comportamento do mercado. “Com o final do ano os estoques acabaram e tem algumas empresas já solicitando cotação de preços para possíveis compras. Mas isso é uma tendência, não há nenhuma confirmação”, explica.

 


Para o presidente da Fiemg, se não houver mudança no comportamento da economia até meados desse ano, o desemprego será ainda mais intenso. “Se essa situação não mudar até o meio do ano, as empresas não terão suporte financeiro para suportar os trabalhadores que foram mantidos nos cargos para aguardar o mercado. Aí fica mais sério ainda, pois além da perda da mão de obra qualificada, a maioria desses trabalhadores não consegue retornar aos setores de onde saíram”, analisa.
Afonso Gonzaga, cuja regional da Fiemg atinge a 54 municípios do Centro-Oeste, diz que a situação é desanimadora. “Não há perspectiva. Não há nenhuma tomada de decisão para desenvolvimento econômico ou para criação de novos postos de trabalho. O comércio está em decadência, o poder aquisitivo caiu e nas negociações salariais que foram feitas de outubro a dezembro do ano passado, em todas elas os aumentos foram parcelados em duas vezes”, afirma. “O próprio trabalhador abriu mão de suas datas-base, exatamente para manter o emprego. Não há vara de condão. Não há perspectiva nem municipal e nem estadual”, finaliza.

 


RECORDES
Outros dois setores da indústria bastante afetados foram o calçadista e o de fabricação de móveis. Na região Centro-Oeste, no setor calçadista, o exemplo clássico vem de Nova Serrana, a maior produtora de calçados de Minas Gerais. São 687 empresas, sendo 465 fabricantes de calçados, 210 fornecedores de matéria-prima, acessórios, máquinas e outras 62 prestadoras de serviços. Em 2015, o setor bateu o recorde de demissões, com o fechamento de 2.144 vagas, o que representa 12,81% dos empregos disponíveis.
Já no setor moveleiro, a referência regional é Carmo do Cajuru, onde 31 empresas trabalham na fabricação de todos os tipos de móveis em madeira, que vão desde os modelos mais simples aos mais sofisticados. O município também sofreu com o desemprego no ano passado e os fabricantes de móveis também tiveram que demitir, fechando 165 postos, 9,8% das vagas disponíveis. 

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