quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016 09:05h Jotha Lee

Destino do Hospital São João de Deus será decidido amanhã

Reunião no Ministério Público deverá fechar com empresa privada que vai assumir a gestão da instituição

A liberação de R$ 4,5 milhões pelo Estado para pagar parte dos salários atrasados dos médicos, cuja dívida está em R$ 9 milhões, mais o aporte de R$ 3 milhões pelo município em 10 parcelas de R$ 300 mil mensais, estão entre os resultados da reunião ocorrida na segunda-feira em Belo Horizonte, quando foi discutida uma saída definitiva para salvar o Hospital São João de Deus (HSJD). Os recursos anunciados durante a reunião, que teve a presença de diversas autoridades, entre elas o prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo (PSDB), o secretário de Estado da Saúde, Fausto Pereira, e do promotor curador das Fundações, Sérgio Gildin, garantirão o funcionamento do hospital em um período de transição, até que a instituição seja definitivamente assumida por uma empresa da iniciativa privada.

 


A superintendente Regional de Saúde, Gláucia Sbampato, que também participou da reunião em Belo Horizonte, disse ontem que já foi definida a saída da Ordem Hospitaleira da Fundação Geraldo Correa, mantenedora do HSJD. “A Ordem realmente vai sair, mas não haverá nenhum prejuízo financeiro. Haverá prejuízo cultural, de tradição, mas financeiramente o hospital não será afetado”, afirmou.
O promotor Sérgio Gildin confirmou durante a reunião em Belo Horizonte que há dois grupos empresariais interessados em assumir a gestão do HSJD. Ele não citou nomes, mas uma fonte garantiu que um dos grupos é a Unimed, empresa do ramo de saúde suplementar. O destino do hospital deverá ser decidido amanhã, quando acontecerá uma reunião no Ministério Público em Divinópolis, da qual participará a empresa que está mais próxima de fechar o acordo para gerir o hospital, cujo nome é mantido a sete chaves pelo promotor Sérgio Gildin. Além da empresa, a reunião ainda terá a presença de representantes do Estado e do município.

 


SUS
Gláucia Sbampato afirmou que a tendência é que a negociação seja fechada amanhã e explicou que uma das condicionantes para que a gestão do HSJD seja assumida pela iniciativa privada é a manutenção do atendimento pelo SUS. “O promotor deixou claro durante a reunião [segunda, em Belo Horizonte] que há duas empresas interessadas em assumir a gestão do hospital, porém não revelou os nomes”, contou. “A empresa não vai comprar o hospital. Vai assumir a direção da Fundação Geraldo Correa, ficando responsável pela gestão do São João de Deus, que continuará como instituição filantrópica e de utilidade pública”, acrescentou.

 


O promotor Sérgio Gildin revelou que a empresa que participará da reunião amanhã para fechar o acordo de gestão, já fez um levantamento no campo de alta complexidade que o HSJD oferece e constatou que em um prazo de cinco anos conseguirá obter o retorno dos recursos que serão empregados para quitar o passivo de R$ 130 milhões. Segundo Glaucia Sbampato, é um ótimo negócio para ambas as partes. “Para a empresa que vai assumir é vantajoso, pois a alta complexidade que o São João de Deus tem, gera um lucro muito grande. O hospital tem vários incentivos do governo que não estão atrelados à nenhuma prestação de serviços. Para a empresa que vai assumir, é fundamental manter esses incentivos e isso só ocorrerá com a prestação de serviços pelo SUS. Esses incentivos é que vão ajudar no custeio”, explicou.

 


Entre a negociação e a entrega em definitivo do Hospital para a iniciativa privada, haverá um período de transição, cujo custeio está garantido pelos recursos liberados pelo município e o Estado. A Dictum, interventora indicada pelo Ministério Público, continuará com a gestão nesse período. Após a entrega da administração do HSJD para a companhia privada, a intervenção será suspensa pelo MP e a Dictum será dispensada.

 


FISCALIZAÇÃO
A entrega da gestão do hospital para a iniciativa privada, não vai mudar a característica filantrópica da instituição, que continuará sendo gerida pela Fundação Geraldo Correa. Com isso, o HSJD continuará recebendo recursos públicos e haverá rigorosa fiscalização. Como medida de controle, já foi firmada a criação de um comitê de acompanhamento, que tem como objetivo monitorar o desempenho financeiro e assistencial do hospital.
De acordo com Glaucia Sbampato, ficou acertado que a Secretaria de Estado da Saúde vai colocar um gestor de contratos dentro do HSJD. “Essa já era uma proposta anterior, que foi concretizada para permitir a entrega da gestão para a iniciativa privada. Esse gestor vai acompanhar se o dinheiro público que entrar no hospital está sendo destinado à sua real finalidade e se os leitos estão sendo ocupados por pacientes do SUS”, explicou.

 


A superintendente Regional de Saúde disse ainda que o promotor Sérgio Gildin deixou bem claro durante a reunião ocorrida na segunda-feira em Belo Horizonte, que a entrega do hospital para essa empresa privada já está praticamente acertada. A reunião de amanhã deverá apenas oficializar o ato e acertar as obrigações que serão assumidas pela nova gestora. Gláucia Sbampato disse que essa foi a medida mais acertada, pois garantirá a recuperação do hospital .“Tem muito sensacionalismo, muita gente que torce contra, mas eu achei a proposta adequada. A empresa vai assumir o hospital para ganhar dinheiro, mas para isso terá que continuar atendendo pelo SUS. Não há como o Estado assumir aquele hospital, pois isso seria inviável do ponto de vista financeiro”, concluiu.

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