segunda-feira, 29 de Junho de 2015 10:31h Atualizado em 29 de Junho de 2015 às 10:33h. Jotha Lee

Diretor da UPA 24h explica morte de 96 pacientes nos primeiros quatro meses do ano

O diretor técnico da UPA 24h, o médico Marco Aurélio Lobão, minimizou o alto número de mortes registrado na unidade nos primeiros meses desse ano

Em entrevista à Gazeta do Oeste, ele afirmou que é preciso ter cautela na divulgação dessas informações, pois nem todas as mortes ocorrem dentro da unidade ou motivadas por espera de leitos na rede hospitalar. “Muitos pacientes já dão entrada na UPA sem vida, outros falecem em seus domicílios e há também falecimentos em outras circunstâncias que constam no prontuário como mortes registradas na Unidade. Isso porque para seguir os procedimentos, todos os pacientes são encaminhados à UPA e é feito o registro da morte pela unidade, mas isso não significa que o óbito tenha ocorrido dentro da Unidade”, explicou.
De janeiro a abril desse ano, a Unidade registrou 96 óbitos, média de 24 ao mês, número que está abaixo da média histórica. De acordo com o diretor técnico, não são dados alarmantes. “Fizemos um levantamento de todas as mortes ocorridas em 2014 e 2015 e constatamos que a média histórica varia de 25 a 35 óbitos, portanto, as ocorrências verificadas esse ano estão dentro da média histórica”, esclareceu.
Marco Aurélio Lobão explicou ainda que há situações de pacientes que chegam para receber atendimento já em estado muito grave e que mesmo com todos os procedimentos, não é possível reanimá-los. “São pacientes que já chegam com paradas cardiorrespiratórias, cujos óbitos são registrados como ocorridos na Unidade, porém não se trata de pessoas que estivessem internadas na Unidade aguardando vagas na rede hospitalar”, esclareceu.

 

SUPERLOTAÇÃO
O diretor técnico da Unidade de Pronto Atendimento admite que a superlotação continua sendo um dos problemas mais graves, mas que não contribui decisivamente para as mortes cujos registros apontam como óbitos ocorridas na unidade. “Os pacientes que obrigatoriamente são atendidos nos corredores, em sua maioria, são de média complexidade e ortopédicos e que não correm nenhum risco iminente de morte”, esclareceu.
Para Marco Aurélio, a UPA hoje está com atendimento acima de sua capacidade, mas acredita que a situação poderá melhorar. “Saindo os pacientes dos corredores e tendo resposta hospitalar positiva, já resolve bastante”, afirmou. Entretanto, ele admite que há situações em que poderia haver um atendimento de melhor qualidade. “Tem óbitos que a gente sabe que se tivesse leito de UTI, talvez houvesse uma resposta melhor.”
Embora o diretor técnico da UPA admita que as mortes registradas pela Unidade estão dentro da média histórica, ele é cauteloso e assegura que a falta de leitos na rede hospitalar ainda gera muitos transtornos para o sistema de saúde. “Não quero que a coisa tome uma dimensão de tranquilidade, porque não é bem assim. Ainda temos muitas dificuldades, especialmente pela falta de leitos que nos impede de aliviar o acúmulo de pacientes na UPA e acaba reduzindo a capacidade de atendimento”, finalizou.

 

Crédito: Jotha Lee

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