sábado, 14 de Março de 2015 06:44h Pollyanna Martins

Diretor de escola nega agressão e cárcere à equipe de TV, e diz não ter participado da confusão

Em entrevista, Kleuver Luis alegou não ter participado da confusãoNa década passada, o jornalismo era pautado pelo princípio de que “se eu não vi, não aconteceu”, mas a internet fez com que as redações dos jornais se reinventassem, para poder atender ao s

Na década passada, o jornalismo era pautado pelo princípio de que “se eu não vi, não aconteceu”, mas a internet fez com que as redações dos jornais se reinventassem, para poder atender ao seu leitor, telespectador e ouvinte. Nós da imprensa de Divinópolis, passamos nessa quarta-feira (11) por um momento de revolta junto com a repórter da TV Candidés, Nayara Lopes, e seu cinegrafista Yan D’masoyy, quando eles foram hostilizados pela assessoria de imprensa da atual Secretária Estadual de Educação (SEE), Macaé Evaristo, durante uma visita dela à Escola Estadual Monsenhor Domingos, em Divinópolis.
Assim como qualquer veículo de comunicação, escutamos todos os lados da história, e dessa vez, demos a palavra ao diretor da escola, Kleuver Luís, que foi citado como um dos participantes do episódio. Aparentando tranquilidade, o diretor negou durante a entrevista, que a equipe de TV houvesse sofrido qualquer tipo de agressão ou mesmo cárcere, apesar de a SEE ter lamentado o episódio, e atribuiu o mal entendido a uma quebra de protocolo dos jornalistas da TV Candidés.
Segundo Kleuver, a equipe do jornal o procurou no dia 10 de março questionando se a visita da secretária a escola seria naquele dia. O diretor então informou aos jornalistas que Macaé visitaria a instituição no dia seguinte. Mas Kleuver afirma ainda, que a equipe solicitou a ele para cobrir o evento, o que ele autorizou de imediato. “Eles [equipe de TV] chegaram aqui na escola, foram até o mestre de cerimônias e perguntaram como seria o evento. Depois do meu pronunciamento, a Macaé veio até a sala para dar entrevista, o cinegrafista e a repórter entraram na sala com os equipamentos ligados, e fazendo perguntas a ela enquanto a equipe do Panorama Geral estava gravando uma entrevista previamente agendada. Foi quebrado um protocolo”, afirma.

 

 

 

ENTREVISTA
Em entrevista veiculada ontem pelo Gazeta do Oeste, a repórter, Nayara Lopes garante que solicitou a entrevista a assessoria de imprensa da secretária, como de procedimento comum de qualquer jornalista quando vai entrevistar autoridades. Apesar de a assessoria, no momento em que a repórter solicitou a entrevista, ter o poder de negá-la, o diretor insiste em acusar a equipe TV em ter usado seu nome para conseguir a matéria. “Eles entraram filmando, e a assessoria disse ‘com autorização de quem vocês entraram? Isso aqui foi previamente agendado, isso aqui está em uma sala reservada’, aí eles colocaram que tinha sido autorizado pelo diretor da escola. Aí eu falei que não tinha autorizado entrevista com a secretária, porque não tenho autonomia para isso. Houve uma má fé, o meu nome foi usado para tentar fazer uma entrevista sem concessão. Eu autorizei só a cobertura do evento”, contradiz.
Em dado momento da entrevista, o diretor que tentava passar tranquilidade, se exaltou, porque estava sendo questionado na versão que ele dava aos fatos. O diretor garante que, perguntou à assessoria se existia quebra de protocolo ao deixar que a equipe cobrisse o evento sem entrevistar a secretária, e afirma não ter participado do início da confusão. “A assessoria falou que para eles cobrirem o evento não tinha problema nenhum. Eu não tive acesso a condução da entrevista, o foco que eu estava no dia era recepcionar a Secretária e levá-la aos locais da escola”.

 

 

 

VERSÃO
O diretor admite que quando a confusão por apagar o cartão de memória começou, ele disse que usou a expressão “má fé” para definir a conduta da equipe de TV, e que o ex-secretário de meio ambiente, Humberto Pozzolini, questionou o profissionalismo dos jornalistas. “Como o cinegrafista não estava conseguindo apagar a entrevista, o Humberto Pozzolini perguntou para ele se ele operava um equipamento que ele não tinha domínio, e ainda usou uma metáfora de que se ele estivesse pilotando um avião sem ter total domínio sobre o aparelho. Eu usei a expressão ‘má fé’, houve má fé por parte da imprensa em utilizar meu nome para conseguir uma entrevista”, admite.
De acordo com o diretor, a única confusão que houve foi entre a equipe da TV e os assessores da secretária sobre apagar ou não a entrevista. O diretor afirma ainda que ninguém ficou preso na escola, pois assim seguraria um enorme fluxo de pessoas, apesar de o ocorrido ter sido entre 11:30h até às 13h, momento de troca de turnos, em que os alunos da manhã já saíram, e os alunos da tarde ainda não chegaram. “A assessoria começou uma negociação do apaga ou não apaga o cartão, e eu não participei disso. Eu só me lembro da conversa no momento em que o cinegrafista disse que o chefe deles viria aqui na escola para conversar com a assessoria. Pelo menos no momento em que aqui estive, se o portão fechasse durante 5 a 10 minutos represava muita gente dentro da escola. O portão não poderia estar fechado. Eu não sei explicar o porquê que eles ficaram presos mais de uma hora na escola”, alega.

 

 

 

AGRESSÃO FÍSICA
Quando questionado sobre a presença de policiais a paisana que seguraram o cinegrafista pelo pescoço, o diretor se limitou a dizer que acredita serem seguranças particulares da secretária. Porém, testemunhas relataram que conheciam os policiais, e a Polícia Militar já apurou os fatos para investigação. Quem também participou da entrevista, foi a vice-diretora na parte da manhã, Maria Raimunda Silva Pinto, que apoiou o diretor em sua versão de que nada havia acontecido. Apesar de ter dado água com açúcar para a repórter se acalmar, e do diretor ter afirmado que a escola estava cheia no horário da confusão, a vice-diretora disse que ninguém viu nada. “Não teve um professor que viu isso, um aluno, um pai. Eu conversei com ela, dei água com açúcar pra ela e falei com ela pra ficar tranquila, porque tudo ia resolver. Eu não vi nada acontecendo, os alunos não viram, os pais não viram, não tem nada filmado, nada gravado, então não aconteceu. Estava cheio, estava lotado. Os professores nos perguntando o que tinha acontecido”.

 

 

SUPERINTENDENTE
O Superintendente Regional de Educação, Silvio Faria acompanhou as declarações do diretor da escola e da vice-diretora em silêncio. Mas, começou o seu manifesto elogiando o trabalho da imprensa, ressaltou que o seu papel é sim, investigar os fatos, e deu a sua opinião sobre os supostos seguranças da secretária de educação. “Eu acredito que eram P2 [policiais], porque até então, uma secretária como a Macaé não teria segurança particular, jamais. No dia 10 de março eu convidei todas as autoridades e a mídia para estarem presentes na Superintendência e acompanhar a visita da Macaé ao local, todos estiveram presentes, e ela quebrou uma série de protocolos. A Macaé deu entrevista para todos, com a maior tranquilidade. A gente lamenta o ocorrido. Se eu erro, eu tenho a humildade de pedir desculpas, mas se eu acerto, eu não fico fazendo bravata dos meus acertos. Houve realmente esse impasse, e a gente lamenta muito, não tem por onde não lamentar”, declara.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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