quinta-feira, 9 de Abril de 2015 11:21h Atualizado em 9 de Abril de 2015 às 11:25h. Mariana Gonçalves

Discussão sobre autismo é realizada pela Apae e Instituto Helena Antipoff

A Apae de Divinópolis e Instituto Helena Antipoff promovem a partir das 7h15, na sede da instituição, a continuação das discussões sobre o autismo

A psicóloga Gabrielly Assunção, juntamente com a pedagoga Gilssara Lopes e a terapeuta ocupacional Maria da Glória Silva Mendes, ministrarão palestra sobre a definição, características e intervenção do autismo.
A ação tem por objetivo fomentar as discussões sobre o problema não só entre as famílias, mas também na sociedade como um todo. O autismo é um transtorno do desenvolvimento marcado por três características fundamentais: inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
A enfermeira Jaqueline Milagre e o técnico de laboratório Fábio Milagre são pais de duas crianças, há algum tempo a família percebeu que o desenvolvimento de um dos filhos não estava sendo como o esperado. “Percebíamos que tinha alguma coisa diferente, por exemplo, na fala. Além disso, ele tinha grande empolgação com luzes, com rodinhas, um modo de brincar diferente de outras crianças. E quando o chamávamos, ele não atendia”, conta a mãe.
Em um primeiro momento, a família pensou que essas diferenças de comportamento poderiam ser apenas uma fase passageira, porém não foi assim que aconteceu. “Quando meu filho completou dois anos de idade, começamos a procurar por atendimento de alguém que nos ajudasse, principalmente em relação à fala dele que estava pouco desenvolvida. O pediatra recomendou leva-lo para a escolinha e, atrelado a isso, fizemos uma bateria de exames nele, e não foi encontrado nada que pudesse comprometer o seu físico”, explica Jaqueline.
O diagnóstico de autismo foi confirmado por um médico especialista de Belo Horizonte. Desde então, a família se preocupou em oferecer todo o suporte necessário para o tratamento do filho. “Nossa missão é fazer nossos filhos felizes”, diz Jaqueline.
Para o pai da criança, o zelo pelo filho somará aos esforços dos profissionais e também da própria criança, para que ela tenha grandes melhorias em seu desenvolvimento. “Como já estávamos desconfiados do problema, não tivemos todo aquele susto com o impacto da notícia. Falo para os pais que estão por começar o tratamento do filho, ou até mesmo desconfiam que ele possa ter autismo, que esses pais tenham paciência. Não é um problema fácil, mas também não é o 'fim do mundo'”, completa Fábio.

 

PRECONCEITO
O autismo ainda é um assunto pouco abordado pela sociedade. Embora o preconceito com o problema não seja tão forte como a anos atrás, ele ainda existe e acaba por reforçar o ato de isolamento social, que é característica predominante do transtorno. Na tentativa de mudar a situação por meio da conscientização da população, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
“A sociedade ainda tem dificuldades de aceitar e entender o que é o autismo. Por exemplo, a criança autista tem dificuldade de interagir e a maneira dela se posicionar é por meio do choro, de  gritos, então a pessoa que não conhece acha que é apenas uma pirraça ou que essa criança está querendo chamar a atenção, e na verdade não é assim”, destaca a fisioterapeuta da Apae, Suélen Maria de Azevedo Correira.
O grau de comprometimento do autismo é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.
O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos pelo Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria e pela Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS). O autismo é um distúrbio crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar.
Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Alguns podem beneficiar-se com o uso de medicamentos, especialmente quando existem co-morbidades associadas.

 

 

Crédito: Mariana Gonçalves

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