terça-feira, 9 de Agosto de 2016 15:51h Jotha Lee

Dívida da Cooperativa atinge a R$ 45 milhões

Mais de R$ 4 milhões do débito são com produtores rurais

POR JOTHA LEE

jotalee@gazetaoeste.com.br

 

Com as atividades totalmente paralisadas desde o ano passado e passando por uma tentativa de recuperação, a Cooperativa Agropecuária de Divinópolis (Karinho) está longe de ser saneada. A dívida da empresa chega a R$ 45 milhões e mesmo com a contratação de duas empresas de consultoria, especializadas em administrar crises, a situação não mudou. As contas não estão sendo pagas e os produtores rurais que estão sem receber pelo leite vendido à empresa estão passando por sereias dificuldades.

Os produtores rurais e presidente do Sindicato Rural de Divinópolis, Irajá Nogueira, vêm tentando intermediar uma negociação com a Cooperativa, porém sem êxito Há um mês, ele e um grupo de produtores reuniram-se com representantes da consultoria que atualmente administra o laticínio e ouviram promessas. “Disseram que vão pagar, mas não sabemos quando”, afirmou. “Estão empurrando com a barriga desde fevereiro”, acrescentou. De acordo com Irajá Nogueira, somente a dívida com os produtores rurais passa de R$ 4 milhões.
De acordo com Irajá Nogueira, no encontro que manteve com representantes da Cooperativa ouviu deles a confirmação de que a situação é crítica, porém foi dada a garantia de que os produtores vão receber a dívida. “Eles prometeram mas até agora ficou só na promessa”, afirmou. O presidente do Sindicato Rural disse ainda que alguns produtores acionaram a Justiça e outros estão desfazendo do patrimônio para honrar suas dívidas. “Tem produtor que já vendeu terra, já vendeu gado, já vendeu caminhão para honrar seus compromissos, porque os produtores são pessoas sérias e muito corretos”, acrescentou.

 

DÍVIDA
 

Dos R$ 45 milhões do passivo da Cooperativa, R$ 25 milhões são débitos bancários e pouco mais de R$ 4 milhões são dívidas com os produtores rurais. O restante se divide em dívidas com fornecedores, débitos trabalhista tas e com empresas revendedoras dos produtos que eram produzidos pela cooperativa, que compraram, pagaram e não receberam a mercadoria.

No meio de um turbilhão de denúncias, que envolvem reclamação de funcionários demitidos, credores e produtores de leite que levaram o calote, foi contratada uma Consultoria Técnica, de Belo Horizonte, para tentar equilibrar a empresa e atrair investidores interessados em sua aquisição, porém não há interessados. Há pouco mais de dois meses, José Magela, da Avivar Alimentos, propôs assumir o passivo da empresa, desde que os demais cotistas lhe repassassem suas cotas sem custos, porém a proposta foi recusada.

No início do mês de abril a Cooperativa demitiu os útli9mos 120 trabalhadores que prestavam serviços à empresa e a maior parte deles ainda não recebeu o acerto trabalhista.

Ontem à tarde, a reportagem do Jornal Gazeta do Oeste fez várias tentativas de falar com um representante da Consultoria que administra o laticínio, porém não obteve resposta.

 

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