quarta-feira, 27 de Maio de 2015 12:30h

Divinópolis cobra repasses para Hospital São João de Deus

Estado assume compromisso de pagamento de parte do que deve, mas instituição corre risco de colapso financeiro

O atraso nos repasses de recursos estaduais e federais tem inviabilizado o atendimento do Hospital São João de Deus, em Divinópolis (Centro-Oeste de Minas). Deputados estaduais e federais, autoridades municipais e representantes da população cobraram, em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta terça-feira (26/5/15) na cidade, uma solução para esse problema.

De acordo com o deputado Fabiano Tolentino (PPS), autor do requerimento da reunião, o déficit do hospital é de cerca de R$ 840 mil mensais, e os serviços de urgência e emergência, assim como a maternidade estão sendo diretamente afetados. “O poder público tem que fazer sua parte para que as obras do São João de Deus sejam concluídas. O hospital tem aproximadamente R$ 12 milhões a receber e os juros bancários precisam ser revistos”, solicitou.

O diretor da Dictum, empresa interventora do Hospital São João de Deus, Ariston da Silva, explicou que a situação da instituição é grave. Ele defendeu que o caminho é o apoio da União, do Estado e dos municípios. Segundo ele, que o custo mensal de manutenção do hospital é de cerca de R$ 10 milhões, e o estabelecimento vem funcionamento de acordo com o que recebe. “Nossa dívida consolidada em 2014 foi de R$ 118 milhões e, hoje, o salário dos funcionários está atrasado em três meses. Apesar do convênio feito com o Estado no ano passado, os recursos não são suficientes. Precisamos de socorro. Temos conseguido reduzir as dívidas, mas ainda há um longo caminho a ser superado”, lamentou.

O secretário municipal de Saúde de Divinópolis, Davi Maia, reforçou as palavras do representante do hospital. Segundo ele, fazer saúde é caro, e o investimento deve ser compartilhado entre municípios, Estados e União. Ele explicou que, em Divinópolis, o déficit hospitalar é crescente. “Faltam leitos e médicos, o custeio aumenta e os repasses estão atrasados. O cenário é de estrangulamento total da saúde pública municipal”, salientou.

O prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo, disse que investe 30% do orçamento municipal na saúde, graças ao atraso dos repasses da União e do Estado. Ele acredita que é preciso priorizar a atenção primária e anunciou uma série de ações para melhorar o atendimento à saúde. "O modelo é de difícil sustentação porque o custeio é alto e os juros bancários são astronômicos. Chegamos ao limite e precisamos de apoio", disse.

Governo reconhece parte das dívidas com o hospital

A superintendente regional de Saúde, Gláucia Sbampato, disse que o Governo do Estado tem o compromisso de assegurar os repasses constitucionais para o financiamento da saúde (12% da receita de impostos e transferências). De acordo com ela, o Hospital São João de Deus recebeu mais de R$ 30 milhões desde o início do Pro-Hosp, o que viabilizou a abertura de novos leitos. Em relação às dívidas do Estado com o hospital, ela anunciou que cerca de R$ 3 milhões foram reconhecidos e serão pagos nos próximos meses.

O deputado federal Jaime Martins (PSD-MG) se comprometeu, também, a buscar um diálogo com a Secretaria de Estado de Saúde para negociar os demais repasses para o hospital. Ele destacou que o São João de Deus é o maior centro de saúde da região, tanto pelo atendimento à população, assim como pela geração de emprego e renda. “A situação se estende há muito tempo e temos que buscar soluções com urgência”, alegou.

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