terça-feira, 19 de Janeiro de 2016 08:35h Atualizado em 19 de Janeiro de 2016 às 08:39h. Jotha Lee

Divinópolis coloca o pé no freio nas compras no exterior

Balança comercial do município ficou positiva em 2015

Com a economia brasileira em recessão e o dólar alto desde o início do ano, as importações divinopolitanas no ano passado desabaram 10,18%. Com isso, o superávit – exportações menos compras do exterior – da balança comercial do município registrou o maior valor em quatro anos. Os números foram divulgados essa semana pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).


Em 2015, as exportações divinopolitanas faturaram US$ 74,9 milhões, aumento significativo de 9,29% em relação a 2014, quando as vendas para o comércio exterior atingiram a US$ 68,5 milhões. Já as importações, afetadas pelo fraco desempenho econômico, a queda nas vendas internas e a constante desvalorização do Real provocando altas nos produtos importados, atingiram US$ 28 milhões, queda de 10,18% em relação a 2014. Com isso, o saldo da balança comercial do município em 2015 atingiu a US$ 46,8 milhões, alta de 25,46% em relação a 2014, quando o saldo ficou em US$ 37,3 milhões.


O resultado da balança comercial referente ao mês de dezembro do ano passado mostra como a crise econômica afetou o bolso do divinopolitano, além de atingir em cheio o setor produtivo. Com demissões e queda na produção das indústrias, especialmente dos setores metalúrgicos e confeccionistas, os dois principais exportadores do município, dezembro foi o pior mês do ano para as exportações. O volume exportado faturou US$ 2,1 milhões, queda de 64,68% em relação a novembro. As importações, no mesmo mês, também tiveram o menor volume nos negócios em um mês no ano passado, ficando em US$ 1,2 milhão, queda de 41,18% em relação a novembro.

 


EXPORTADORES
Embora tenhas sido o setor regional mais afetado pela crise econômica interna e, 2015, a metalurgia foi o segmento que mais faturou nas vendas divinopolitanas para o exterior. As empresas do setor lideraram as exportações com as siderúrgicas Gerdau e Valinhos fazendo negócios entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões (A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não divulga o valor exato exportado por cada indústria. Elas são classificadas por blocos de vendas). As siderúrgicas União e Carbofer fizeram negócios externos entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões.


O setor de tecnologia também foi destaque e a Biomin, industria localizada no Bairro São José, com produção de biotecnologia animal, exportou entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões, mesma classificação para a Ivontec, que trabalha com a produção de plástico. O setor confeccionista teve desempenho mais modesto, já que em 2015 foi um dos mais afeados pela redução de vendas internas e pela queda nas exportações em razão da concorrência com da concorrência chinesa. As confecções Lacerda, Machado, Aruanda, TM7 e Feriado Nacional foram as únicas a aparecer no grupo das importações até US$ 1 milhão e US$ 10 milhões.


A expectativa do presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Afonso Gonzaga, é de que 2016 tenha pior desempenho do que 2015. Segundo ele, os anos de 2014 e 2015 foram os mais difíceis dos últimos 20 anos para a indústria, especialmente no setor metalúrgico. Para ele, 2016 já é uma no perdido, pois o governo terá que ter programas econômicos que reduzam a inflação e estabilizem o valor do Real. “Isso só será possível longo do ano, conforme o governo [federal] for colocando em prática as medidas que devem ser implantadas para a estabilização da economia”, avalia.

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