sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016 08:43h Atualizado em 22 de Janeiro de 2016 às 08:53h. Jotha Lee

Divinópolis fecha 2015 com o pior saldo do mercado de trabalho dos últimos 14 anos

Indústria metalúrgica e confeccionista lideram a lista dos setores que mais demitiram no ano passado

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram o tamanho da crise econômica no Brasil. Em todo o país, em dezembro foram fechadas 596.208 vagas de emprego com carteira assinada, enquanto em Minas Gerais, a retração foi de 4,58%, com o fechamento de 196.086 postos de trabalho. Divinópolis também sofreu com a crise e no mês passado foram fechadas 1.013 vagas no mercado formal de trabalho, redução de 1,84% em relação a novembro. Foi o mês com o maior número de demissões em 2015 e segundo analistas, não há tendência de mudança do quadro para os próximos meses, já que em função da alta inflacionária, as vendas despencaram e todos os setores trabalham em cima da redução do custeio.


O levantamento divulgado ontem pelo MTE aponta para uma crise sem precedentes em todo o Estado. São João Del Rei, a cidade que mais abriu vagas em dezembro no Estado no mês passado, conseguiu ter um saldo positivo de apenas 62 novos postos de trabalho. Apenas oito cidades mineiras não tiveram saldo negativo e municípios que se destacaram durante os últimos anos pela grande quantidade de vagas oferecidas, não conseguiram manter o desempenho. É o caso de Nova Serrana, que em função do aquecimento da indústria calçadista, foi um dos destaques do mercado de trabalho em Minas nos últimos cinco anos. Em dezembro, a crise econômica atingiu em cheio as fábricas da cidade e o saldo, entre contratados e demitidos, foi o desligamento de 3.896 trabalhadores, 93% funcionários da indústria do calçado. A queda em relação a novembro foi de 14,86%, o que é um número bastante significativo para uma cidade com pouco mais de 80 mil habitantes.
Em todo o Estado, o desemprego foi puxado pela indústria, que fechou dezembro com um saldo de 70.046 demissões. Ainda em todo o Estado, a construção civil, outro carro-chefe da economia mineira, fechou o ano com saldo de 60.826 demissões, seguindo o setor de serviços, que fechou 33.568 postos, e o comércio que no mês passado fechou 22.310 vagas no mercado formal.

 


DIVINÓPOLIS
Para Divinópolis, os números divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram uma crise sem precedentes e que está atingindo especialmente indústria, serviços e construção civil. Nos últimos 12 meses mais de 50 estabelecimentos comerciais foram fechados, em função da queda significativa das vendas. De acordo com o Caged, no mês passado o saldo em Divinópolis foi de 1.013 postos de trabalho fechado. Em todo o ano, a cidade perdeu 1.473 vagas de trabalho, o pior resultado dos últimos 14 anos.
O setor industrial foi o principal responsável pelo grande volume de demissões em Divinópolis no mês passado, com 545 vagas fechadas. A indústria confeccionista foi a que mais demitiu com 293 desligamentos, 46,23% das demissões do setor. Já a prestação de serviços, um dos setores da economia local que mais contrata, também não conseguiu fugir da crise. Foi o segundo colocado, com 327 demissões, seguindo-se a construção civil, que demitiu 124 operários.

 


O levantamento do Caged mostra que 2015 foi o pior ano para o mercado formal de trabalho da cidade desde 2002. Nesse período, foi o único ano a fechar com saldo negativo em números absolutos. Mesmo com a crise econômica já se arrastando há cinco anos, a cidade ainda vinha mantendo um bom comportamento em sua economia, porém, com a alta da inflação no ano passado, houve forte redução nas vendas, produzindo o efeito dominó de redução da produção ocorrendo as inevitáveis demissões.
 

 

 

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