terça-feira, 1 de Março de 2016 09:44h Jotha Lee

Divinópolis inicia 2016 com demissões e crise afeta diretamente o comércio

Setor comercial respondeu por mais de 70% das demissões em janeiro

Os números do Castrado Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram o tamanho da crise nos mais importantes setores a economia divinopolitana. Divinópolis encerrou 2015 fechando 1.510 vagas no mercado formal de trabalho, o pior resultado dos últimos 14 anos. O início de 2016 mostrou que a recuperação ainda está longe e que o desemprego é hoje a pior realidade na cidade. Em janeiro, o município fechou 155 vagas com carteira assinada e as demissões ocorreram em maior volume no comércio, seguindo-se indústria e setor de serviços.

 

 


As previsões não são animadoras e o presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Afonso Gonzaga, é pessimista e prevê ainda mais dificuldades. “Se essa situação não mudar até o meio do ano, as empresas não terão suporte financeiro para suportar os trabalhadores que foram mantidos nos cargos para aguardar o mercado. Aí fica mais sério ainda, pois além da perda da mão de obra qualificada, a maioria desses trabalhadores não consegue retornar aos setores de onde saíram”, analisa. “Não há perspectiva. Não há nenhuma tomada de decisão para desenvolvimento econômico ou para criação de novos postos de trabalho. O comércio está em decadência, o poder aquisitivo caiu e nas negociações salariais que foram feitas de outubro a dezembro do ano passado, em todas elas os aumentos foram parcelados em duas vezes”, acrescenta.

 

 


A afirmação de Afonso Gonzaga de que o comércio está em decadência é confirmada pelos números do Caged relativos ao mês de janeiro. O setor fechou 2015 com 142 vagas de trabalho cortadas. Somente em janeiro desse ano, o comércio fechou 110 vagas, respondendo por 70,96% de todas as demissões no município no período.  Logo a seguir aparece a indústria com 27,09% das demissões de janeiro, ou 42 trabalhadores demitidos, seguindo-se o setor de serviços, com 20,64% das demissões, o que representa 32 postos de trabalho com carteira assinada fechados. A construção civil, embora com números muito abaixo de anos anteriores, foi o único setor de ponta da economia divinoplitana a fechar janeiro com saldo positivo, com a abertura de 30 novas vagas com carteira assinada.

 

 

 

BOA NOTÍCIA
O reflexo da crise no comércio é fruto da política econômica do governo. As vendas despencaram em todo o país e em Divinópolis deve passar de10% em janeiro. O gerente de uma grande rede de lojas de eletrodomésticos, que pediu para resguardar o seu nome, disse ontem que a situação é desanimadora em todos os setores do comércio. “Em janeiro, vendemos apenas quatro aparelhos de TV e nenhuma lavadora [de roupas] foi negociada”, revelou. “A rede já fechou algumas filiais no ano passado”, acrescentou.

 

 


A boa notícia para o mercado de trabalho da região veio de Nova Serrana. No ano passado, o município fechou 2.176 vagas de emprego, mais de 90% delas na indústria calçadista, o carro-chefe da economia local. Entretanto, o mercado local reagiu rapidamente e em janeiro desse ano, Nova Serrana foi o município que mais abriu novas vagas de trabalho com carteira assinada no Estado. Foram 838 novos postos de trabalho, crescimento de 3,75% em relação a dezembro de 2015. A indústria calçadista foi responsável por 94,27%, o que representa 790 novos postos de trabalho.

 

 


Somente outras três cidades da região Centro-Oeste fecharam janeiro com saldo positivo. Bom Despacho, com crescimento de 0,58%, Itaúna (0,28%) e Formiga (0,16%). As demais 51 cidades que compõem a macrorregião fecharam janeiro com saldo negativo.

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