quinta-feira, 2 de Julho de 2015 10:30h Atualizado em 2 de Julho de 2015 às 10:32h. Jotha Lee

Divinópolis recebe hoje seminário para discutir uso racional da água

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) promove hoje em Divinópolis mais um encontro regional do Seminário Águas de Minas III - Os Desafios da Crise Hídrica e a Construção da Sustentabilidade

Durante o encontro regional, será apresentado um panorama sobre a situação dos recursos hídricos na região, a partir de diagnóstico formulado pelos comitês de bacias hidrográficas e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Após as exposições, serão constituídos grupos de trabalho a fim de consolidar. As proposições serão encaminhadas para a plenária final, a ser realizada em Belo Horizonte entre 29 de setembro e 2 de outubro.
De acordo com a assessoria de imprensa da ALMG, o nome “Águas de Minas III” remete a seminários anteriores, realizados em 1993 e 2002. “Há pelo menos duas décadas, o Parlamento mineiro busca, em conjunto com a sociedade, debater o tema e apontar caminhos para as políticas públicas do setor. Em parceria com órgãos do poder público, entidades sindicais, empresariais e movimentos sociais, o seminário vai abordar, nesta edição, questões como crise hídrica, gestão dos recursos hídricos, saneamento básico e usos da água na mineração, indústria, agricultura e geração de energia”, diz a assessoria.
Divinópolis pertence à Bacia Hidrográfica do Alto São Francisco, com área de 14,2 quilômetros quadrados. De acordo com o relatório da Comissão Extraordinária das Águas da ALMG, a bacia do São Francisco ocupa a maior parte do território do Estado. Ainda segundo o documento, a prolongada estiagem no São Francisco no ano passado provocou, pela primeira vez na história, a seca de sua nascente na Serra da Canastra, localizada em São Roque de Minas. E em meados de novembro do ano anterior, o reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias chegou ao nível mais baixo de sua história, quando registrou apenas 2,57% de sua capacidade total. “Trata-se do nível mais crítico desde a inauguração, em 1962. Em 2001, o ano do apagão no Brasil, o nível mínimo de armazenamento na represa chegou a 8%”, aponta o relatório.

 

FALTA DE CHUVAS
A escassez de chuvas e o aumento do consumo de água devido à crescente produção agrícola têm gerado conflitos na região. A situação preocupa o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará, conforme afirma sua presidente, Regina Greco Santos, que participa do encontro de hoje na Câmara Municipal. Segundo ela, nos últimos quatro anos, a recarga dos lençóis freáticos não foi suficiente, o que tornou ainda mais necessário o uso de sistemas de irrigação na agricultura.
O comitê tem sido acionado para mediar disputas por recursos hídricos nos principais polos de produção de hortifrutigranjeiros da bacia, situados em cidades como Pará de Minas, Bom Despacho, Maravilhas, Itaguara e Carmópolis de Minas. “A população e a demanda por alimento aumentaram, mas o volume dos cursos d'água são os mesmos. O comitê está buscando orientar os produtores rurais a utilizarem métodos de irrigação que exigem menor consumo, como a técnica de gotejamento”, ressalta Regina Greco.
Ela diz que a racionalização do abastecimento público também é uma das principais demandas da Bacia Hidrográfica. Segunda ela, o desperdício é grande. “Só no trajeto entre as estações de tratamento e o destino final da água, há perdas de aproximadamente 40%”, afirma.

 

Crédito: Arquivo/GO

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