sábado, 20 de Junho de 2015 11:09h Atualizado em 20 de Junho de 2015 às 11:14h. Mariana Gonçalves

Divinópolis recebe trupe do Circo Broadway para apresentação de grande espetáculo

Divinópolis recebe trupe do Circo Broadway para apresentação de grande espetáculo

E Divinópolis está entre as cidades contempladas para receber incríveis espetáculos. O circo está localizado no bairro Bom Pastor, próximo ao Shopping Pátio Divinópolis, e as sessões ocorrem de terça-feira a domingo, a partir das 20h30. Segundo o relações públicas do Circo, Luís Antônio Portugal, os espetáculos duram em média duas horas e as apresentações são feitas para agradar crianças e também adultos.

“O circo é uma diversão familiar, temos que agradar o filho, seus pais, os avós. Temos trapezistas, adrenalina com o Globo da Morte, mágicos, malabaristas, contorcionistas, o palhaço que, claro, não pode faltar, homem pássaro, entre outras atrações para todas as idades. No momento que você adentra o circo automaticamente você volta a ser criança”, conta. A trupe irá ficar na cidade até o dia 4 de julho.

 

VOLTA PELO MUNDO

A equipe de artistas circenses do Broadway já rodaram por diversas cidades do país, tendo a oportunidade também de se apresentar no exterior. “Fizemos todo o norte do país, parte da Venezuela, Uruguai e outros países vizinhos. O circo é realmente itinerante”, afirma Luís.

Não ter um endereço fixo não é problema para esses artistas, pois além das amizades que se constrói durante essa longa jornada de apresentações, os “forasteiros”, como define Luís, fazem das vivências diárias uma grande escola. “O circo é uma comunidade ambulante, temos aqui uma grande família, um ajuda o outro. Somos sempre forasteiros, temos em nossa companhia pessoas da Argentina e da Rússia. A maioria é brasileira, mas nunca do município em que estamos. Então, os circenses normalmente se apoiam muito um no outro. Acostumamos com essa rotina, vez ou outra tiramos férias, mas acaba que sentimos falta do circo. O homem é produto do meio, do momento que você cresce nessa vida agitada, nessa correria, você acaba se acostumando e passa até a sentir falta. Conhecemos muitas cidades, países e é muito interessante, acaba sendo uma escola”, destaca.

A reportagem questionou ao relações públicas do Circo como fazem com o aprendizado das crianças,  pois por não ficarem em apenas um local é impossível deixarem as crianças matriculadas na escola. “A nossa maior dificuldade é quando vamos para um outro país, porque aí precisamos de tradutor para a criança e isso é mais complicado. Mas dentro do Brasil por exemplo, temos uma lei que ampara os filhos de circenses, então as escolas são obrigadas a aceitar essas crianças tendo vaga ou não, no período em que estivermos na cidade. Se não fosse essa lei seria quase impossível eles seguirem os estudos. Mas digamos que 30% das crianças quando crescem optam por fazer faculdade  e até largam o circo, deixamos eles muito a vontade no que diz respeito a essa escolha de querer ficar no circo ou seguir outros rumos”, pontua.

 

ARTE MILENAR

A arte que encanta crianças e adultos surgiu no Brasil no século XIX, com famílias vindas da Europa. Estas famílias se manifestavam em apresentações teatrais. Os ciganos, vindos também da Europa, apresentavam-se ao público, demonstrando habilidades como doma de urso e cavalos e ilusionismo.

As manifestações artísticas eram de acordo com a aceitação do público, o que não agradava, não era mais mostrado naquela determinada região. Algumas atrações foram adaptadas ao estilo brasileiro. O palhaço europeu, por exemplo, era menos falante, usando a mímica como base, já no Brasil, o palhaço fala muito, utilizando de comédia sorrateira, e também de instrumentos musicais, como o violão. O público brasileiro gosta das atrações perigosas, como os malabares em trapézios e domadores de animais ferozes. O uso de animais em circo é um assunto polêmico, pois muitas vezes esses animais sofrem de maus tratos.

Atualmente, as atrações circenses são mais modernas e trazem muitas novidades tecnológicas. Exemplo disso é o Cirque du Soleil. Para Luís, faltam no país escolas que ensinem as práticas circenses. Segundo ele nos conta, hoje existem apenas duas, uma no Rio de Janeiro, mantida pelo próprio Estado, e outra que é particular, localizada em São Paulo. Além disso, o fato de outros países captarem muitos artistas brasileiros para levar para os seus circos, acaba que diminui o número de profissionais no mercado brasileiro.

“Violência, crescimento das pessoas envolvidas com drogas, banalização do sexo. Tudo isso são itens de que o Circo não se utiliza para fazer sucesso. Fazemos um espetáculo muito puro, indicado para família mesmo. Temos até muitas reuniões em Brasília com o secretário de Cultura, porque eles nos pedem muito para puxar as crianças novamente para o circo, eles nos pedem para fazermos projetos nas escolas em parceria com os municípios, para resgatar essas crianças, porque hoje 70% do nosso público são de adultos. Nossa luta é para trazer também as crianças para essa diversão saudável”, encerra Luís.

 

Crédito: Mariana Gonçalves

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