sábado, 11 de Junho de 2016 11:33h Carina Lelles

Divinópolis registra 20 homicídios em 2016

Janeiro e maio foram os meses mais violentos, totalizando 14 mortes. Vítimas de tentativas de homicídio chegam a 21

POR CARINA LELLES

carina.lelles@gazetaoeste.com.br

 

O número de homicídios, nos cinco primeiros meses deste ano, já superou o mesmo do período do ano passado. De janeiro a maio de 2016, foram registrados 20 casos, e em 2015, no mesmo período, foram oito.

De acordo com o Delegado de crimes contra a vida, Marcos Henrique Montalverne, a maior parte dos crimes já tem suspeitos identificados e até mesmo presos. “A maioria dos casos de homicídios consumados e tentados temos um autor definido. Concentramos todas as nossas formas para reunir mais provas para robustecer o titular da ação penal, que é o Ministério Público, para que ele possa oferecer denúncia contra este autor”, ressalta.

 

 

 

Mesmo com o suspeito já identificado, o Delegado destaca que nem sempre o autor é preso imediatamente. “O sistema jurídico no Brasil trata a liberdade como regra, e em regra, somente após o trânsito final da ação penal é que a pessoa pode ser presa. Existem exceções, que pessoas podem ser presas antes, como nos casos de prisões temporárias, preventiva e a legislação trata de forma rigorosa os requisitos para se conseguir uma prisão temporária ou preventiva. Precisamos de muitos indícios de autoria para poder justificar uma prisão antes da sentença final. Por isso, tem muitos casos de autores confessos e mesmo assim não foram deferidos pela justiça pelo fato de não se encaixar em certos requisitos da lei para ter a concessão da prisão”.

 

 

 

Ainda de acordo com o Delegado, a grande maioria dos homicídios está relacionada ao tráfico de drogas. “Sem dúvidas, a maioria das vítimas de homicídios consumados e tentados, diria mais de 80%, são pessoas que estão envolvidas com o crime. Dentro deste universo de pessoas que estão envolvidas com o crime, a imensa maioria está envolvida com o tráfico de drogas. O tráfico de drogas gera concorrência e isso gera brigas de facções. Também se houver traição entre eles, dívida, isso tudo gera morte, ameaça e tentativas de homicídio. O tráfico de drogas impacta até mesmo nos crimes contra o patrimônio, tráfico de armas, etc. O tráfico é o responsável pela maioria dos crimes na cidade e em todo o país”, avalia Marcos Henrique.

 

 

Casos

Em janeiro, foram registrados seis homicídios em Divinópolis. Metade deles tem como motivação o tráfico de drogas. Os outros três foram: uma briga entre vizinhos, que vitimou Reginaldo José da Silva no bairro Icaraí; um disparo acidental, onde o pai manuseava uma arma de fogo e acertou um tiro na cabeça do filho, Maycon Douglas Mendonça, no bairro São Luiz; e um latrocínio registrado na zona rural, quando Nilson Lopes reagiu a um assalto e foi baleado pelo bandido.

Em Fevereiro, não houve registro de homicídio em Divinópolis. Em março, foram quatro assassinatos e um deles é de difícil solução, segundo o Delegado. Foi o caso de Gilmar Almeida da Silva, que teve o corpo carbonizado dentro de um carro às margens da BR-494. A vítima foi identificada através da arcada dentária e era moradora da cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo. “Nem mesmo os familiares souberam dizer o que a vítima veio fazer em Divinópolis. Ela possuía uma passagem por tráfico de drogas, mas foi há muitos anos”, esclarece.

 

 

 

Também em março, houve um caso que comoveu a população. A mãe colocou veneno no suco e ofereceu à filha, de 17 anos, que morreu dias depois de ter ingerido o produto. Os outros dois homicídios estão relacionados ao tráfico e uso de drogas.

No mês de abril, foram registrados dois homicídios. Um deles está relacionado à “guerra” entre gangues e o outro foi o de Felipe Vilela Cordeiro, que foi baleado após uma briga ocorrida em um bar no bairro Interlagos. Felipe não tinha nada a ver com a confusão, mas foi confundido pelos criminosos, que estão presos.

Já maio, foi o mês que mais registrou homicídios em Divinópolis. Foram oito assassinatos, que ainda estão em investigação, mas a maioria pode estar relacionada ao tráfico e outras modalidades criminosas, como explosão de caixas eletrônicos.

 

 

 

Em maio, também houve um caso que comoveu a sociedade e faz com que a Polícia Civil intensifique as investigações e precise da ajuda da população. “É impossível as Polícias Militar e Civil estarem em todos os lugares da cidade. Por isso que é tão importante que a população que tiver conhecimento ou tenha presenciado qualquer crime que seja, principalmente nos crimes mais graves, como são os homicídios, que ela não se acovarde, que denuncie. Qualquer informação é de suma importância para a elucidação de crimes, como foi o caso da Daniela. O crime aconteceu em um horário de intenso fluxo de veículos, com certeza algumas pessoas viram a ação. Temos conhecimento de pessoas que testemunharam, mas não fizeram denúncias, nem presencialmente nem pelo 181. A gente faz um apelo para que essas pessoas façam a denúncia pelo 181 de forma sigilosa, sem nenhum tipo de identificação. Essas informações podem ajudar a elucidar esse crime, por exemplo, que causou comoção e vitimou uma pessoa que não tinha nenhuma passagem criminal, é de uma família humilde e trabalhadora, de bons valores e princípios. Popularmente dizendo, morreu de graça. Nenhuma morte se justifica, muito menos de uma pessoa honesta e trabalhadora”.

 

 

Estrutura

Para o Delegado Marcos Henrique, a maior dificuldade no trabalho de identificação e prisão de suspeitos é a questão estrutural. “Por exemplo, desde 2011 não temos nenhum concurso novo para Delegado. Estamos com um déficit muito grande de efetivo de delegado, fora as outras carreiras, como escrivãs e investigadores, que estão com quadros defasados. Em Divinópolis, temos hoje o número de servidores bem inferior ao que tínhamos há 20 anos, quando a criminalidade era bem diminuta em comparação com os índices de criminalidade atuais. Isso tudo faz com que os processos andem mais devagar, com isso, vai acumulando os processos aqui, mas fazemos de tudo para dar celeridade para que a sociedade sinta o mínimo do impacto desta defasagem que nós temos”.

 

 

Diferença de números

Pelos dados da Polícia Militar (PM), foram 13 casos de homicídios neste ano em Divinópolis. A PM contabiliza os óbitos no local do crime, mas os números da Polícia Civil são maiores, porque são contabilizadas como homicídio consumado as vítimas de homicídio tentado que vêm a óbito posteriormente. Como foi o caso de Ronan, que foi baleado no fim de maio no bairro Rancho Alegre, mas morreu na última terça-feira, em decorrência da lesão causada pelo disparo de arma de fogo.

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.