terça-feira, 31 de Março de 2015 10:22h Atualizado em 31 de Março de 2015 às 10:26h. Jotha Lee

Divinópolis sediará primeira audiência pública para definição do traçado do gasoduto

Presidente da Fiemg Regional diz que governo do Estado já tem R$ 1,8 bilhão para o investimento

A primeira das três audiências públicas que vão definir o traçado do gasoduto que ligará a cidade de Queluzito, na região metropolitana de Belo Horizonte, a Uberaba no Triângulo Mineiro, acontecerá em Divinópolis, no próximo dia 6 de maio. A informação foi dada ontem pelo presidente da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Afonso Gonzaga. Segundo ele, a segunda audiência ocorrerá em Entre Rios e a terceira, fechando o ciclo que definirá o trajeto do gás, ocorrerá em Uberaba. As audiências públicas de Entre Rios e Uberaba ainda não têm data marcada.
“Fizemos uma pauta positiva para região Centro-Oeste e sempre colocamos o gás como uma das prioridades, mas sempre deparamos com uma dificuldade, ou seja, volume. Nós não temos volume suficiente para a implantação de um gasoduto para a região. Agora, com a decisão do governo federal de instalar uma planta de amônia em Uberaba, que exige a utilização desta fonte de energia, nos trouxe a oportunidade de ter o gás natural em Divinópolis e 31 cidades da região”, explicou Afonso Gonzaga. “Isso para nós é o novo eldorado. É realmente proporcionar à nossa região a possibilidade de novos investimentos”, acrescentou.
De acordo com o presidente da Fiemg, o gasoduto vai disponibilizar três milhões de metros cúbicos de gás para a região. Afonso Gonzaga lembra que esse volume supera o gás disponível para o Pólo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, um dos mais importantes do país, que dispõe de 2,2 milhões de metros cúbicos. Ele assegurou que o traçado do gasoduto já está definido e vai mesmo passar pela região Centro-Oeste, acabando, assim, com as dúvidas e especulações de que por falta de recursos, o governo do Estado poderia “encurtar” a obra, buscando o gás natural de São Paulo e o levanto até o Triângulo.
Segundo Afonso Gonzaga a Fiemg já foi informada de que o governo do Estado já tem os recursos garantidos para levar o gás de Queluzito a Uberaba. “Os recursos para o investimento, da ordem de R$ 1,8 bilhão, já estão garantidos e isso nos mostra que o governo do Estado está fazendo o dever de casa”, informou. “O que ainda precisa ser definido, é por onde passará o gasoduto. Se serão utilizadas as margens das rodovias ou não. Se for usar as margens das rodovias as dificuldades serão menores por questões ambientais”, afirmou.  Segundo ele, uma das decisões a ser tomada nestas audiências públicas é exatamente por onde o gasoduto vai passar.

 

450 QUILÔMETROS
O presidente da Fiemg Regional, que recebeu a reportagem em sua sala no segundo andar do prédio da Federação no bairro Esplanada, informou que o gasoduto terá extensão de 450 quilômetros. Para dar velocidade ao empreendimento, Afonso Gonzaga disse que é pensamento do governo do Estado dividir a obra em três licitações. “Há um contrato entre o governo do Estado e a planta de amônia que assegura a chegada do gás em Uberaba em 1º de novembro de 2016. Esse prazo é muito curto, o que torna necessária a divisão da licitação”, avaliou.
Afonso Gonzaga afirmou que a chegada do gás natural para tocar as indústrias da região significa uma nova era para a economia do Centro-Oeste. Segundo ele, além de baixar os custos de produção, o gás natural é uma energia limpa e se reveste de maior importância no momento em que o país tenta driblar a crise de energia elétrica. “A chegada do gás é ainda muito mais importante nesse momento em que a energia elétrica é escassa e cara. Isso vai proporcionar às indústrias um melhor condicionamento de mercado, disponibilizando recursos que vão diminuir os custos e dar uma maior competitividade”, garantiu.
Para a indústria de metalurgia, Afonso Gonzaga diz que a redução nos custos ficará em torno de 12%. Ele comemora a vinda do investimento e assegura que a Fiemg defendeu com muita força a rota do gasoduto passando pela região Centro-Oeste, pois nesse traçado estão 119 empresas de médio e grande porte que representam 39% do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) arrecadado pelo Estado. “A Fiemg está trabalhando ao lado do governo do Estado, da Cemig e da Gasmig [empresas responsáveis pela distribuição do gás]. Não plagiando a torcida do Atlético, mas eu acredito” frisou. “Esse é um processo dos mais importantes que vai acontecer nos últimos 30 anos em Divinópolis”, finalizou. 

 

Crédito: Jotha Lee

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