sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015 10:09h Pollyanna Martins

Divinópolis segue a média nacional e fecha 2014 com aumento de 2,3% de inadimplentes

Pesquisa do SPC revela que 50 milhões de brasileiros estão endividados

O Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) divulgou no início desta semana uma pesquisa que aponta um aumento de 2,3% da inadimplência no Brasil em 2014. O estudo preocupa comerciantes brasileiros e reforça ainda que esta taxa deve aumentar 3% em 2015.
Segundo o SCPC o valor médio das dívidas registradas em dezembro de 2014 foi de R$ 1.263,30, após ajustes estatísticos, e a causa deste endividamento dos brasileiros está associado à elevação das taxas de juros, a inflação próxima ao teto da meta de 6,5% e a diminuição do ritmo de alta da renda do trabalhador.
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Divinópolis (CDL), Rogério Aquino, acrescenta que este número significa 50 milhões de brasileiros endividados e que estas dívidas se separam entre 50% banco, 21% comércio e 16% telecomunicações. “Quase oito milhões de pessoas estão endividadas com telecomunicações. E é um serviço que até pouco tempo não existia, acabou agregando ao custo de vida. Hoje quase toda família tem um pacote com TV por assinatura, internet e telefonia em casa. Antes as empresas apenas cortavam o serviço, hoje elas já negativam o nome do assinante”, ressalta.
De acordo com Rogério, 50% da população que está inadimplente com o banco é a maior preocupação para a economia, devido aos juros altos que pagam mensalmente. “Os juros do banco são altíssimos. O varejo está espremido entre banco e telecomunicação, porque às vezes a pessoa deixa de pagar as contas pessoais em função do débito bancário. Quanto mais sobe a inadimplência do banco, [mais] sobe a do varejo, é proporcional. O consumidor dá preferência de acertar com o banco devido aos juros altos, em segundo lugar ele vai ao varejo para recuperar o nome, agora ele tem que pagar o serviço de telecomunicação também para voltar a fazer compras”, explica.

RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO
Divinópolis seguiu a média nacional e também fechou o ano com alta na inadimplência. Conforme o presidente da CDL, este número é preocupante para a cidade, pois o consumidor está impedido de comprar e isso prejudica o comércio. “De vez em quando surgem essas campanhas de recuperação de crédito para, em primeiro lugar, salvar o que está perdido e, em segundo lugar, devolver esse consumidor às compras, para dar uma aquecida no comércio. Essas campanhas eram mais espaçadas, mas hoje acontecem com mais frequência porque está aumentando o número de inadimplentes”, aponta.
O presidente da CDL indica para quem quer sair da inadimplência renegociar as dívidas ainda no início do ano. “A primeira coisa que a pessoa deve fazer é recalcular o planejamento familiar, ou seja, ver o que tem de receita, quais são as despesas fixas e cortar o que for supérfluo. Ir ao banco fazer uma proposta, não deixar correr os juros. Ir à loja que está devendo negociar a dívida. E o lojista quer salvar o que está perdido e trazer o cliente de volta para sua loja. É melhor você tê-lo como cliente ativo do que ter um cliente inadimplente e ter o prejuízo que ele te deu”, explica.

PERSPECTIVA PARA 2015
A pesquisa do SCPC revelou que em 2015 o número de consumidores inadimplentes irá aumentar. O presidente da CDL afirma que esta perspectiva também se aplicará ao comércio que, apesar do Natal, fechou 2014 com um saldo negativo de 1,7%, também seguindo a média nacional.
“O ano de 2014 foi tão difícil no comércio que qualquer coisa que melhorasse o lojista estava rindo à toa. Teve um período pré-Natal que teve um aquecimento, mas que não compensou o fracasso do ano inteiro. Essa catástrofe do comércio se deve à economia nacional e infelizmente nós vamos passar um 2015 muito difícil. A perspectiva é sombria”, lamenta Rogério.
Segundo ele, Divinópolis sofre com a economia brasileira que não está gerando emprego, pois 67% dos postos gerados na cidade estão no varejo e na prestação de serviços. “Divinópolis é um shopping a céu aberto, então nós precisamos de mais renda. Nós não temos indústrias para aumentar a renda da cidade, porque as poucas siderúrgicas que tinha fecharam, mas as confecções ainda conseguem segurar o emprego feminino, que é o complemento da renda. O operário que antes trabalhava nas siderúrgicas foi absorvido pela construção civil, então equilibrou, e nós não tivemos desemprego na cidade, mas até quando?”, questiona.

 

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