segunda-feira, 18 de Março de 2013 05:16h Atualizado em 19 de Março de 2013 às 06:07h. Carina Lelles

Divinópolis tem 95 famílias na extrema pobreza

Número de famílias que vivem na extrema pobreza cai nos últimos três anos em Divinópolis

Do ponto de vista de renda, o Brasil retirou 22 milhões de brasileiros da extrema pobreza. A meta do governo federal é erradicar a extrema pobreza entre os registrados no Cadastro Único de Programas Sociais com o aporte de mais de R$ 700 milhões para alcançar os últimos 2,5 milhões de beneficiários do programa que ainda vivem com a renda familiar mensal de até R$ 70,00.
Morando em um barraco de um cômodo com os cinco filhos e o marido, Janaína Silva faz parte das 95 famílias que vivem em situação de extrema pobreza em Divinópolis. Aos 26 anos, ela e o marido estão desempregados e, além da ajuda do governo para sustentar os filhos, Janaína vende balas pela cidade e o marido faz alguns bicos como servente de pedreiro o que gera, por mês, cerca de R$ 200,00 para as despesas da casa.
A casa da família é feita de tijolos, coberta por telha de amianto e a porta (não tem janelas) é feita de pedaços de latas. O quarto fica junto à cozinha e a casa não tem banheiro. O lote, localizado no bairro Quintino, é dividido com outras quatro famílias. O local não possui água encanada, nem rede de esgoto. “A gente tem vontade de dar uma vida melhor para nossos filhos, mas não temos estudos e fica mais difícil conseguir emprego”, afirma Janaína.
Já a vizinha de Janaína, Patrícia Cardoso dos Santos, tem uma renda mensal um pouco melhor, mas também é contemplada pelos programas sociais do governo. Segundo ela, o marido trabalha em uma fábrica de sacolas e tem uma renda mensal de R$ 700,00. Na casa, que também possui somente um cômodo, moram ela, o marido e um bebê de seis meses. “A gente vai melhorar nossa condição. Meu marido conseguiu este emprego de carteira assinada e eu daqui a alguns meses vou voltar a trabalhar e vou tentar a carteira assinada também”, espera Patrícia.
Viver em condições tão precárias faz a dona de casa se emocionar. Ela afirma que tem vontade de deixar o local, porém se for para pagar aluguel e as contas de água e luz, o salário do marido e os benefícios do governo, não são suficientes. “Fiz minha inscrição no Minha Casa, Minha Vida, mas não ganhei a casa. Se a gente tivesse conseguido a casa, com certeza nossa vida seria outra. Aqui nós não temos condições nenhuma. Sei que as coisas estão difíceis agora, mas tenho fé em Deus que tudo vai melhorar”.

 

Dados

 

De acordo com a técnica em referencia do Bolsa Família da secretaria municipal de Desenvolvimento Social, Margareth Andrade Araújo, em 2010 foram detectadas pelo Censo, 195 famílias em situação de extrema pobreza. Três anos depois, somente 95 se encaixam no perfil e recebem o auxílio do governo. “As famílias que estão em extrema pobreza são aquelas que a renda mensal é de até R$ 70,00 per capta. O município trabalha muito para acabar com esta situação. Muitas famílias deste grupo viviam em área de risco e o município trabalhou dentro do Minha Casa Minha Vida e priorizou estas famílias que foram conduzidas para estas moradias. Estas pessoas já saíram da extrema pobreza porque agora são proprietárias de um imóvel”, ressalta.
Também através de dados do Censo 2010, naquele ano foram detectadas que quase seis mil famílias tinham o perfil para serem beneficiados pelo Bolsa Família, hoje o município transfere o benefício para 4.534 famílias. “De lá pra cá, estas famílias passaram pelo processo de adquirir mais poder aquisitivo. Elas são acompanhadas pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e encaminhadas para cursos profissionalizantes que ultimamente é o que está elevando o poder aquisitivo destas pessoas. Profissionalizando estas para serem inseridas no mercado de trabalho”, revela Margareth.
De acordo com Margareth, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) certificou as necessidades do mercado de trabalho em Divinópolis para inserir cursos. “Não havia mão de obra qualificada para padeiros, manicures e o mercado estava pedindo. Mediante a estas formações, famílias foram para o mercado de trabalho formal, melhoraram sua renda e com isso saem do Bolsa Família. Porque este programa é para ajudar as famílias por determinado tempo, até que estas se ergm financeiramente”, finaliza.

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