terça-feira, 6 de Janeiro de 2015 05:30h Atualizado em 6 de Janeiro de 2015 às 05:32h. Lorena Silva

Divinopolitana conquista bolsas de estudo em Oxford e Harvard

A estudante optou por fazer a especialização em História Militar na Inglaterra

Com apenas 19 anos e ainda sem finalizar a graduação, a divinopolitana Nayara Moura é um exemplo de que com muita dedicação é possível alcançar um sonho. Recentemente, a aluna do quinto período de História da Uemg, de Divinópolis, foi aprovada no curso de pós-graduação sobre História Militar, em Oxford, na Inglaterra, e também em Harvard, nos Estados Unidos – universidades entre as melhores do mundo.
Apesar das duas aprovações, Nayara optou por fazer o curso – que pode ser comparado a uma especialização no Brasil – em Oxford, já que em Harvard precisaria passar por uma avaliação de proficiência em inglês e ainda não fala fluentemente a língua. Concorrendo com mais de mil pessoas de todo o mundo, a estudante foi a única representante selecionada de toda a América do Sul. Como ainda não concluiu a graduação, a universidade permitiu que ela fizesse a pós com a condição de que recebesse o certificado apenas quando concluísse o curso no Brasil.

 

 

PROJETO
Tudo começou com um projeto no qual Nayara estudava a memória de veteranos da Segunda Guerra Mundial. Antes mesmo de se formar, a estudante já pensava no mestrado e começou a procurar por pesquisadores que também estudavam pessoas que haviam sobrevivido à guerra e o que se lembravam do ocorrido. Durante a procura, encontrou um professor do Paraná, que aceitou orientar a aluna antes mesmo que ela pudesse participar de algum programa de pós-graduação.
Em meio às pesquisas para o futuro mestrado, a estudante realizava diversas entrevistas com veteranos em Belo Horizonte. E foi em uma dessas visitas que, conversando com uma professora, ela aconselhou Nayara a procurar por cursos no exterior. “Fiz minha entrevista com o veterano e quando eu voltei para Divinópolis eu fiquei com aquilo na cabeça. Comecei a procurar na minha área, em história militar, que é o que eu estudo: primeira guerra [mundial], segunda guerra mundial, guerra fria, essas coisas”, conta a estudante.
Analisando diversas universidades no mundo todo, Nayara acabou optando pelas duas em específico. Na universidade de Oxford faltava apenas duas semanas para finalizar o prazo de envio do material e a estudante acabou sendo a última inscrita no curso. Ela conta que nos dois casos era necessário enviar um pré-projeto, mostrando por que havia interesse em estudar na instituição. “Como eu já tinha um projeto de mestrado pronto e pelo meu orientador estar fazendo ‘pós-doc’ nos Estados Unidos, eu li muita bibliografia em inglês. Então, a única coisa que modifiquei no meu projeto foi acrescentar todas essas referências”, explica.

 

 

APROVAÇÃO
Para enviar o material, Nayara, que nunca havia estudado outra língua anteriormente, esbarrou no problema de não ter domínio do inglês. Por sorte, esse período coincidiu com a visita de uma prima que já havia estudado três meses em Toronto, no Canadá, e a ajudou na escrita. Três dias após o envio a universidade enviou um e-mail avisando que o projeto havia sido aprovado e que a próxima etapa seria uma prova específica.
“Essa minha prima veio de novo. Ela lia as questões para mim em português, eu respondia para ela em português e ela escrevia em inglês. Em Harvard também foi o mesmo. Mas eu consegui e enviei. E eles perguntam se você tem proficiência inglês. Eu coloquei não nos dois [casos], porque não vou mentir, né? Então eu pensei que nunca seria selecionada porque a pontuação de inglês tem peso, é nota eliminatória também”, argumenta.
Pouco tempo depois enviaram novamente um e-mail para avisar que ela havia sido selecionada para o curso de Primeira Guerra Mundial. “Eu olhei e achei que não era possível. Entrei no site seis vezes e estava lá meu nome, em sexto lugar. Mandei um e-mail para Oxford usando o Google Tradutor para saber se tinha dado erro de dados, porque isso é comum. Mas estava certo.”

 

 

PREPARAÇÃO
O curso tem início em abril e pode ser feito 100% de forma presencial, ou 40% on-line e 60% presencial. No entanto, a estudante ainda não decidiu como fará, devido ao alto custo com hospedagem e alimentação. Uma mineira que mora em Londres, que ficou sabendo da história de Nayara pela internet, já se ofereceu a ajudar com a hospedagem, mas ainda assim a estudante não sabe como poderá se manter no país.
Para se preparar para o curso, Nayara conta que já mudou totalmente a sua rotina em casa. Para isso, de tudo que ela assimila durante o seu dia, 80% é em inglês e de tudo o que reproduz, 20% também é utilizando essa língua. Duas horas do dia são dedicadas a assistir noticiários na televisão em inglês, outras duas ouvindo rádio em inglês e outras duas assistindo séries sem legenda.
“Depois eu passo duas horas em um curso de inglês online, onde aprendo gramática e expressões cotidianas no inglês. Também tenho alguns livros que juntamente com o dicionário eu tento passar mais uma hora refazendo os exercícios. Basicamente nove horas do meu dia são voltadas para o inglês”, conta. À noite, ela narra em inglês todo o seu dia, como forma de praticar a conversação.
E a estudante já tem outros planos. Assim que chegar ao novo país, já quer pesquisar as condições do mestrado e do doutorado na universidade. Para ela, tudo tem sido parte da concretização de um sonho. “Pessoas como eu, que vêm de realidades como eu venho, a gente não tem muito direito de sonhar alto. Eu estudei a minha vida inteira em escola pública, nunca fiz um curso de inglês, entrei na faculdade com bolsa. Mas alcançar isso agora está me dando essa oportunidade de sonhar, de pensar que não termina agora”, finaliza.

 

Crédito: Lorena Silva

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