quinta-feira, 16 de Julho de 2015 10:31h Atualizado em 16 de Julho de 2015 às 10:36h. Mariana Gonçalves

Divinopolitano leva fotografias para a 1ª Mostra de Expressões de Gênero, Identidades e Orientações

Recém-formado em Teatro, o divinopolitano Weverton Andrade irá apresentar o trabalho fotográfico

O evento irá começar no dia 17, a partir das 19h, no espaço expositivo do museu – na Estação República do Metrô.

A temporada da exposição Diversa - Expressões de Gêneros, Identidades e Orientações trará um panorama contemporâneo de projetos com temas relacionados à diversidade sexual. São fotos, desenhos, aquarelas e pinturas de artistas brasileiros que exprimem a sexualidade humana na sua variedade e beleza.

O trabalho “Menino de Salto Alto” tem a direção, criação e concepção de Weverton Andrade e Priscila Natany. Assistência de direção de João Bennett. Fotografia e edição de Priscila Natany e maquiagem de Faniane Fonseca. “Esse é um trabalho em que eu questiono o que é ser homem e mulher. Eu saí pelas ruas com roupa de mulher, para ver como as pessoas reagem a isso, eu quis saber como é de fato o preconceito no dia a dia”, explica Weverton.

O artista fechou contrato com o museu para até dezembro de 2018. A exposição estará na cidade de São Paulo de julho a dezembro, e em 2016 as obras circularão pelo interior do Estado de São Paulo.

 

REPERCUSSÃO

“Fiz uma parte desse trabalho em Juiz de Fora, que é uma cidade que eu nunca tinha visitado. E a outra parte do trabalho fiz em São João del-Rei, onde percorri o Centro Histórico da cidade vestido como uma mulher e calçando um sapato de salto. Os homens me chamaram de 'veado', alguns ficaram me observando sem entender o que estava acontecendo, mas várias mulheres me elogiaram dizendo que nem elas conseguiam andar sob um salto naquelas pedras. Eu pude perceber que o preconceito não está apenas na pessoa heterossexual, porque tinham pessoas da comunidade LGBT que também se manifestavam de forma preconceituosa, e eu vi que às vezes não respeitamos o outro”, afirma o artista.

Para Weverton, ser heterossexual não é mais somente gostar do sexo oposto, é um conjunto de normas. “A gente julga muito as pessoas pela roupa, pela estética”, pontua o artista.

 

MEMÓRIAS

O artista explica que trouxe para esse projeto parte de suas memórias, em um contexto que indiretamente está relacionado às atuais discussões do momento. “Fiz o trabalho me baseando em algumas mulheres da minha vida, como a minha avó, que eu acho que foi uma mulher muito militante no que diz respeito aos direitos da mulher. Me lembro que quando eu era criança, ela deu um kit de limpeza para todos os netos e netas, porque ela disse que chegaria uma hora em que a mulher não faria mais nada para o homem. E ela tinha toda uma relação com essa questão, falava sempre que a mulher não tinha que fazer as coisas pelo homem”, conclui.

 

 

Crédito: Priscila Natany

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