Diviprev perde quase R$ 11 milhões do seu patrimônio liquido no terceiro trimestre e culpa o mercado.

De acordo com o relatório apresentado aos vereadores durante a audiência, as despesas no trimestre ficaram em R$ 24.302.812,27, enquanto a receita chegou somente a R$ 19.237.655,24.

26 NOV 2021

A prestação de contas do terceiro trimestre do ano apresentada pelo Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Divinópolis (Diviprev) em audiência pública na Câmara Municipal no último dia 19, apresentou números preocupantes. Além do crescimento do número de aposentados e pensionistas, o que significa aumento de despesas, o Instituto fechou os meses de julho, agosto e setembro com um déficit de R$ 5.065,157,03. De acordo com o relatório apresentado aos vereadores durante a audiência, as despesas no trimestre ficaram em R$ 24.302.812,27, enquanto a receita chegou somente a R$ 19.237.655,24.

Não bastasse ter fechado o trimestre no vermelho, o mais preocupante foi a perda de recursos verificada no patrimônio líquido do Instituto, que são os ativos aplicados no mercado financeiro. No terceiro trimestre do ano, a perda no patrimônio líquido foi de R$ 10.620.608.87. Em junho, o Instituto fechou o patrimônio líquido em R$ 511.707.086,56. Em setembro, ao fechar terceiro trimestre do ano, o patrimônio caiu para R$ 501.986.477,69

Patricia Rocha, gestora de recursos do Diviprev, disse que a perda do Instituto no terceiro trimestre foi provocada pela pandemia, que causou grande volatilidade no mercado

Um dos motivos para a queda no patrimônio liquido, conforme explicou Patrícia Rocha, Gestora de Recursos do Diviprev, foi a baixa rentabilidade das aplicações. A meta do Diviprev era um rendimento de 11,55% no trimestre, entretanto o lucro atingiu somente a 2,76%. “É uma meta muito alta para ser cumprida frente ao cenário que a gente está vivenciando. Os números mostram claros que hoje a gente enfrenta um desafio muito grande na gestão de nossos investimentos. Nós viemos de um cenário único que assolou as economias do mundo inteiro, que foi a questão da pandemia, e tudo que a gente vivencia hoje é o reflexo muito do que a pandemia trouxe”, justificou Patrícia Rocha.

De acordo com Patrícia Rocha, há sinais de mudança no mercado. “A gente já enxerga algumas economias lá fora ensaiando uma recuperação, mas quando a gente olha pra dentro de casa, a gente ainda vê um retrato do nosso país muito ruim. A gente tem um descontrole inflacionário muito alto, a gente vê a população com o poder de compra cada dia menor e todas as medidas que o governo vem fazendo para conter isso aí, estão sendo ineficazes. Somado a isso a gente tem ruídos políticos constantes, a gente tem a questão a instabilidade do teto dos gastos, as incertezas na questão fiscal do Brasil. Então, todo esse cenário adverso, traz uma volatilidade muito grande nos mercados, o que resulta nessa desvalorização dos nossos ativos da nossa carteira”, disse Patrícia Rocha.

De acordo com a gestora de recursos, as perdas poderiam ser ainda maiores, mas algumas medidas impediram que isso acontecesse. “Nós fizemos alguns movimentos táticos e conseguimos cercar algumas coisas antes de acontecer. Nós conseguimos nos meses de abril e maio, enquanto a renda variável estava positiva, a realizarmos os fundos, conseguimos resgatar muitos fundos, então nós não pegamos essas quedas de julho e agosto na renda variável. Isso foi um movimento muito positivo que nós fizemos e esses recursos foram migrados para o exterior e com isso nós conseguimos resguardar perdas e conseguimos ganhar no exterior”, explicou.

Patrícia mostrou que já há uma recuperação na carteira de investimentos e no dia 11 de novembro, a rentabilidade chegou a 1,28%, elevando o patrimônio liquido para R$ 506.147.749,50, já recuperando boa parte das perdas verificadas ao final do terceiro trimestre.

O superintendente do Diviprev, Agnaldo Ferreira Lage, apesar do cenário nebuloso, mostrou otimismo. “Mesmo diante de um cenário econômico extremamente instável que a gente está vivenciando, o Diviprev tem galgado degraus cada vez maiores”, garantiu.


Fonte- Comunicação Sintram
 

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