sábado, 3 de Outubro de 2015 04:40h Atualizado em 3 de Outubro de 2015 às 04:41h. Jotha Lee

Economia em baixa tira indústria confeccionista do mercado depois de 30 anos em atividade

Ex-presidente do Sindicato confeccionista diz que falta incentivos para o setor

Em janeiro do ano que vem a fábrica de confecções Malhas Pamer completa 30 anos no mercado divinopolitano. Uma das primeiras fábricas do setor confeccionista da cidade, a empresa hoje sobrevive com as mesmas dificuldades que todo o empresariado do setor enfrenta. Ao completar 30 anos, a tradicional fábrica vai fechar suas portas e o encerramento das atividades é motivado não apenas pela crise econômica atual, mas também pelas dificuldades enfrentadas ao longo dos últimos anos pelo setor do vestuário, que já foi o carro-chefe da economia da cidade.
Na segunda parte da entrevista concedida ao Gazeta do Oeste,o empresário Waldemar Raimundo Manoel, o Waldemar da Pamer, ex-presidente do Sindicato do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd) por dois mandatos, relata as dificuldades que o setor enfrenta. “O setor confeccionista teve bons momentos em Divinópolis até 2008, quando a cidade recebia cerca de 80 ônibus de compradores por semana, além da volumosa venda para o mercado interno. Depois de 2008, faltando inventivo da Prefeitura, sem uma política do Sindicato voltada para o varejo, nós perdemos 90% desses clientes”, revela.
Para o empresário faltou especialmente apoio interno. “A Prefeitura nunca valorizou o setor confeccionista de Divinópolis, como deveria ter sido valorizado”, garante. Waldemar da Pamer relembra que na década passada havia as feiras de confecções que reuniam compradores de todo o país. Hoje, sem incentivo, as feiras deixaram de ser realizadas. O empresário lembra que as feiras serviram de modelo para Nova Serrana para a realização da já tradicional Feira do Calçado. “Nova Serrana veio buscar experiência na realização de feiras em Divinópolis. O setor calçadista passa por um momento difícil como todos os setores da economia, mas está sabendo se superar, ao contrário do nosso setor de confecções que não está buscando formas para superar as dificuldades”, assegura.

 

MÃO DE OBRA
Para Waldemar da Pamer, ainda é possível uma recuperação e para isso são necessárias algumas medidas emergenciais. “Precisamos qualificar nossa mão de obra. O setor carece disso, se não houver qualificação da mão de obra, estamos fora do mercado”, analisa. Para ele, é preciso recuperar o poder de competitividade. “Estamos perdendo competitividade para a China. Infelizmente ainda não achamos a forma de competir com a mão de obra chinesa”, afirma.
Entretanto, o empresário afirma que a maior dificuldade para o empresariado brasileiro, está na alta carga tributária. “Se não houver uma reforma nas leis trabalhistas, o empresário não vai conseguir se manter com essa atual carga tributária. Quando você contrata um funcionário, você paga 40% de tributos, enquanto em países de primeiro mundo, não passa de 4%. Aqui a gente paga o salário não é para o funcionário. A gente paga é para o PT, para o governo”, dispara.
Ele estima que nos últimos 10 anos, cerca de 650 indústrias de confecções foram fechadas e diz que isso é resultado dos encargos. “O empresário brasileiro está sendo vítima de um saque promovido pelo governo federal diante da carga tributária. A Pamer completa 30 anos no mercado em janeiro e vamos fechar as portas, porque não tem jeito de trabalhar. Se o governo não colocar a mão na consciência, o Brasil vai quebrar”, avalia.
Pessimista quanto ao futuro da economia, Waldemar da Pamer diz que o governo empurra o empresário para a informalidade. “O empresariado brasileiro hoje está proibido de trabalhar. Por isso o mercado informal cresce, porque o governo te manda para informalidade. Ou você faz isso, ou faz como eu, fecha as portas”, finalizou.

 

Créditos: Jotha Lee

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.