quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015 11:28h Atualizado em 25 de Fevereiro de 2015 às 11:35h. Mariana Gonçalves

Efeitos da greve dos caminhoneiros já são sentidos em Divinópolis

Os caminhoneiros têm chamado a atenção do Brasil porque, com poucos dias de paralisação, os efeitos já são sentidos em várias regiões do país. Em Divinópolis não é diferente

Conforme o diretor do Consórcio Transoeste, Felipe Carvalho, a empresa mantém o seu próprio posto de abastecimento, mas depende dos caminhões que vêm de fora da cidade para reposição e o combustível disponível nas bombas irá durar só até o dia de hoje. Porém, Felipe diz que o Consórcio fará tudo ao que estiver ao seu alcance para evitar que a situação chegue ao ponto de ter que parar os ônibus por falta de óleo diesel.
Quem também utiliza um posto próprio para abastecimento é a Polícia Militar (PM) e, segundo o assessor de comunicação do 23º Batalhão da PM, capitão Marco Paulo, a situação de abastecimento das viaturas está normal, devido ao fato do número de veículos abastecidos no posto da PM ser bem inferior ao número de veículos abastecidos em um posto normal.
A equipe de reportagem percorreu alguns dos principais postos de combustíveis da cidade e em todos eles fomos informados de que, se o movimento grevista continuar até a sexta-feira, a gasolina irá acabar. Em muitos estabelecimentos, os estoques já estão no fim.
No Posto Paraná, situado na Avenida Paraná sentido São José, as bombas já não contêm mais nenhuma gota de álcool. Segundo a auxiliar administrativa do posto Isabela Mendes de Matos, o caminhão que abastece as bombas de álcool estava previsto para ter chegado segunda-feira, no entanto, o veículo está parado na estrada e ainda longe de chegar ao município.
Conforme Matos, a situação começa a se complicar, pois outros produtos que também deveriam ter chegado não foram entregues. A gasolina deverá render no máximo até o fim dessa semana, logo o diesel também irá se esgotar.
O gerente do Posto Marreco, no bairro São José, Gilberto Martins, explica que os estoques do posto ainda são suficientes para garantir mais alguns dias de abastecimento. “Por enquanto ainda temos um bom estoque, mas se continuar a greve eu acredito que deverá faltar”, afirma. Já no Posto Mourão, situado no Centro da cidade, o gerente Wilton José Soares destacou que o estabelecimento não trabalha com diesel e que pelo menos para essa semana os estoques de gasolina e álcool conseguirão atender a demanda.
Cabe destacar que uma das preocupações, até mesmo da própria categoria, é quanto ao transporte de alimentos perecíveis, por isso em vários locais a passagem de transportadores de alimentos perecíveis e de cargas vivas – frangos e bois, por exemplo – está sendo permitida.

 

PRESSÃO
A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com ações na Justiça Federal em sete estados para pedir a suspensão imediata dos bloqueios de rodovias promovidos por caminhoneiros. Além de pedir a adoção de medidas necessárias para garantir o direito de ir e vir das pessoas, liberando as pistas para livre circulação, a AGU solicitou ainda a fixação de multa de R$ 100 mil para cada hora que os manifestantes se recusarem a liberar o tráfego. As ações foram ajuizadas simultaneamente nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Apesar de também ter sido afetado pela paralisação, o Estado de Rondônia não foi incluído na ação da AGU.
As ações de desobstrução das pistas serão realizadas com o apoio do Ministério da Justiça, por meio da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional. Uma força-tarefa foi montada pelo governo para atuar no apoio a plantões judiciais para discutir com os juízes responsáveis pela análise das ações sobre a importância da liberação das rodovias. Da mesma forma, as procuradorias regionais da União permanecerão de prontidão para ingressar com ações em outros Estados que eventualmente também sejam alvo de bloqueios.
Paralelamente, o governo abriu mesas de negociação com os caminhoneiros para tentar convencê-los a não fechar pistas e prejudicar o trânsito nas estradas. No dia 11 de fevereiro, o ministro Miguel Rossetto já havia se reunido com a categoria, no Palácio do Planalto, para ouvir as reivindicações e tentar evitar que o movimento se concretizasse. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que é uma das entidades que representam os caminhoneiros no país, divulgou nota dizendo que já solicitou uma reunião com os ministérios para tratar das reivindicações, especialmente para tratar do aumento do combustível.
A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), em nota, disse não concordar com a mobilização dos caminhoneiros. “Os transportadores estão contabilizando prejuízos e pedem medidas urgentes do governo federal, no entanto, não compactuam com o movimento dos caminhoneiros, pois bloquear vias não é a melhor maneira de protestar”, afirmou no texto o presidente da federação, Sérgio Malucelli.

 

Crédito: Mariana Gonçalves

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