terça-feira, 17 de Março de 2015 10:46h Lorena Silva

Em Divinópolis, empresários alegam dificuldades no fornecimento do produto.

Em Divinópolis, empresários alegam dificuldades no fornecimento do produto

A obrigatoriedade de uso do extintor ABC em veículos será prorrogada por mais 90 dias, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) – passando, portanto, para o dia 1º de julho. O pedido para que o prazo fosse estendido foi feito pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, que alegou dificuldade dos condutores para encontrar o item de segurança.
De acordo com o Denatran, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicará uma nova resolução que revogará o último prazo estabelecido pela resolução nº 516/2015, que anteriormente era 1º de abril deste ano. Proprietários de carros fabricados até 2009 precisam adquirir o produto, sendo que os modelos a partir de 2010 vêm com o extintor de fábrica. A multa para quem não legalizar a situação será de R$ 127,69, além da perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

 

FALTA PRODUTO
Mesmo com um novo prazo para os condutores se adequarem à determinação do Contran, a dificuldade em encontrar o produto em Divinópolis tem sido a mesma – as prateleiras continuam vazias e os consumidores sem ter onde adquirir os extintores. O proprietário de uma empresa ligada ao ramo, Ricardo Amarante de Melo, explica que o fabricante já repassou ao empresário a previsão de que qualquer novo pedido será possível somente em 2017.
No entanto, o proprietário e a fábrica já acertaram um determinado repasse por mês, para uma garantia mínima do produto. “Foi bastante reduzido. O que a gente vai receber até o final do ano seria em torno de 250 extintores por mês, o que é muito pouco no meu ponto de vista. A realidade é que a fábrica não consegue ainda suprir a necessidade do país. Então o volume é muito grande de carros que precisam ser trocados e as fábricas ainda não conseguem fazer isso”, justifica.
Já o proprietário de outra empresa do setor, Marcos Antônio dos Santos, não tem nem a previsão de chegada de novos extintores. Atualmente, a loja tem atendido somente clientes que já estavam programados – como os que já haviam deixado o produto reservado, por exemplo. “As fábricas hoje estão pedindo no mínimo de 120 a 180 dias para entregar. Os pedidos que foram feitos a partir de janeiro elas estão tentando cumprir os compromissos. Fora disso não estão nem atendendo mais. Era para ter chegado agora na primeira quinzena de março e já ligaram falando que vai chegar só depois do dia 15. Ou seja, na segunda quinzena de março é que deve chegar algum extintor”, conta.

 

PROCURA E VALOR
Segundo Marcos, a procura pelo consumidor não para. “A demanda está muito alta. Em média a gente tem aqui hoje por dia em torno de 80, cem pessoas procurando pelo extintor”, conta. O que não é diferente na empresa de Ricardo. “A procura é muito alta. O telefone não para. Quando chegam os extintores dá até fila. Quarta-feira [dia 11] chegaram 400 extintores, que foi a primeira remessa nossa. Se não me engano hoje já tem menos de cem no estoque.”
O aumento na procura fez com que o valor repassado aos clientes também tivesse um acréscimo de até 100%. Isso porque se antes era possível encontrar o extintor pelo valor de até R$ 70, hoje ele pode chegar a até R$ 150. “Em 2014, a gente estava vendendo os extintores a R$ 70. Já tínhamos passado para R$ 80 e agora foi para R$ 100. Houve um acréscimo significativo sim. A gente mantém um preço que a gente acha que é justo para o usuário”, explica Ricardo.
Marcos argumenta que o aumento repassado aos clientes se deve ao aumento sofrido também pelos fabricantes. “Antes, a gente conseguia comprar extintor na fábrica em situação normal em torno de R$ 47, R$ 50. Hoje nós conseguimos comprar mais das fábricas em torno de R$ 70. Então para a gente repassar, hoje está sendo no mínimo R$ 120 a R$ 130 cada extintor”, finaliza.

 

Crédito: Lorena Silva

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