quinta-feira, 25 de Maio de 2017 09:01h Daniel Michelini

Entrevista com Josafá

“Na minha vivência política, nunca vi a população tão próxima da classe como tem sido nos últimos anos, muito em razão da falta de confiança e transparência que os políticos, desde Brasília até as cidades, têm passado”

O vereador Josafá (PPS)é o antepenúltimo entrevistado da série de reportagens produzida com os vereadores eleitos de Divinópolis. Uma campanha focada numa região específica da cidade, mas que foi suficiente para conseguir mais do dobro de votos das eleições de 2012. Josafá, eleito pela primeira vez no pleito do ano passado, é figura carimbada na região dos bairros Afonso Pena, Serra Verde e adjacentes. Em seu primeiro mandato, mas com experiência em associações e assessoria política, o vereador destaca o grave momento econômico vivido por Divinópolis, e aponta isto como o principal desafio pelos próximos 4 anos.

1) HOUVE UMA GRANDE RENOVAÇÃO QUANTO AOS CANDIDATOS ELEITOS NA ÚLTIMA ELEIÇÃO. COMO VOCÊ VIU ESTE RESULTADO?

Já era esperada uma renovação, mas me surpreendi com o número de novos vereadores (12). Fui assessor parlamentar por mais de uma década e percebia que a política estava muito defasada. Vejo com bons olhos essa mudança, pois expos a vontade da população e evitar a acomodação num cargo. Com o passar dos anos, as pessoas vão criando vínculos e vícios que atrapalham o andamento da cidade e seus setores. O mais importante é ter rotatividade e inovação.

2) NESSES PRIMEIROS MESES DE TRABALHO, QUAIS OS PRINCIPAIS PONTOS QUE VOCÊ DESTACA E QUE DEVEM SER TRABALHADOS FUTURAMENTE NA CIDADE?

Possuo uma linha de trabalho que facilita meu mandato. Nas eleições de 2012, obtive pouco mais de 1.400 votos, e fiquei como suplente. Continuei a exercer meu trabalho e, em 2016, fui eleito com 3.209 votos. Fui presidente das associações dos bairros Afonso Pena e Serra Verde, e consegui agregar mais oito organizações para que trabalhássemos em conjunto, no projeto Associações Unidas. Conseguimos uma vitória que foi melhorar a distribuição de água na região destes bairros que, para nós, era o principal ponto a ser trabalhado. É uma caminhada de longos anos.

3) HÁ UMA GRANDE POLÊMICA RECENTE EM RELAÇÃO AO CONTRATO DA CIDADE FIRMADO COM A COPASA. QUAL A SUA POSIÇÃO SOBRE ESTE TEMA?

A forma que foi feito o contrato está errada, e poucas coisas poderão ser alteradas. Não gosto de trabalhar com perspectivas que não darão certas, como a taxa de esgoto, que não será retirada. O máximo que podem fazer é revisá-la, algo que já foi pedido. Sobre o decreto, ele foi algo retirado e recolocado. Não mudou nada. Sou a favor de colocar ferramentas punitivas à Copasa, caso não concluam as obras e não cumprem os prazos, como fizemos nos trabalhos para a melhoria na distribuição de água no bairro Serra Verde.

4) APÓS AS INDICAÇÕES PARA AS COMISSÕES DA CÂMARA, COMO VEM SENDO O ANDAMENTO DOS TRABALHOS?

A maioria está com muito dinamismo, porém outras estão trazendo alguns transtornos para a Câmara e, consequentemente, para a população, como as comissões de Administração e Justiça. A experiência que há nas comissões e que deveriam trazer tranquilidade está nos trazendo preocupação. Todos os projetos precisam passar por elas, e não está havendo tanto dinamismo como as outras, principalmente as de saúde e educação, que estão muito bem representadas.

5) COMO A SUA EXPERIÊNCIA, TANTO NO MERCADO DE TRABALHO QUANTO COMO CIDADÃO, PODE AJUDAR NOS TRABALHOS DA CÂMARA EM PROL DO MUNICÍPIO?

Os trabalhos feitos em campo, na condição de presidente de associações, me dão uma grande experiência e noção dos problemas que assolam a cidade, especialmente a região noroeste. Sou um vereador de todo o município, e saber da situação de cada um desses bairros me faz conhecer também a necessidade de outros. Dentro da Câmara, nas questões burocráticas, os 12 anos em que estive a frente de assessoria me deram conhecimento das leis e demais setores importantes. Tenho certeza de que poderei ajudar bastante.

6) VOCÊ SENTE A POPULAÇÃO MAIS PRÓXIMA DA CÂMARA DOS VEREADORES NESTE INÍCIO DE MANDATO?

Com certeza. Na minha vivência política, nunca vi a população tão próxima da classe como tem sido nos últimos anos, muito em razão da falta de confiança e transparência que os políticos, desde Brasília até as cidades, têm passado. É de extrema importância esse interesse dos moradores, pois a política muda a cidade, para melhor e pior.

7) QUAIS OS PRINCIPAIS DESAFIOS QUE OS VEREADORES TERÃO NESTE MANDATO?

Precisamos aquecer a economia de Divinópolis. Entrei com um projeto de desburocratizar o comércio para que a cidade possa crescer. Há muitos jovens entrando no mercado de trabalho, mas que sofrem com as poucas oportunidades. Grandes empresas perderam o poder e a vontade de investimento no município. Tínhamos uma cidade com potencial metalúrgico e ferroviário, e ambos setores estão defasados. Temos uma nova oportunidade, nos tornando uma cidade universitária.

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