sexta-feira, 26 de Abril de 2013 05:30h Amilton Augusto

Entrevista da Semana - Rodyson do Zé Milton

O presidente da Câmara Municipal esteve na redação da Gazeta do Oeste para conversar sobre os 100 dias de governo. No bate-papo, Rodyson falou sobre a redução de gastos, projetos polêmicos como o da ciclofaixa, o concurso público que acontecerá ainda este ano e muito mais. Confira.

Rodyson, gostaria que você iniciasse falando sobre a sinalização positiva que o governador do estado nos deu em relação a mudança do prédio da Câmara Municipal para o prédio do atual Fórum. O que vai acontecer?


Primeiro a motivação que eu senti na pele, como presidente, por causa da falta de espaço físico dentro da sede do atual Poder Legislativo para estar prestando um serviço de qualidade para a comunidade. Hoje a realidade da Câmara é aquém do que precisamos para realizar os trabalhos. Nós não temos recursos financeiros para fazer ampliação predial, e temos outro problema: aquele prédio é muito antigo, ele tem mais de 50 anos.  Ele não aceita mais estrutura vertical. Então, nós não temos condições nem recursos para ampliar aquele prédio. Diante do problema, eu tive uma conversa com o deputado federal Domingos Sávio mais o prefeito Vladimir sinalizando este pedido. Uma vez que nós aprovamos na Câmara recursos para fazer a parte de infraestrutura do Fórum, imaginando que o novo Fórum será no bairro Liberdade. Na contrapartida que o Município aplicou, nós estamos pedindo ao governador a cessão do prédio onde hoje funciona o Fórum. Ele será desativado para então, o governo estadual faça a doação ao Município.

O prédio atual pertence ao município? O que será feito dele depois que a Câmara mudar de endereço?

Sim, pertence ao município em comodato com o Poder Legislativo por tempo indeterminado. A proposta que eu passei para o Vladimir, que ele achou interessante e aceitou, é de que aquele espaço da Câmara seja aproveitado como um posto avançado da prefeitura. Por que, Amilton? A prefeitura vai mudar no ano que vem para o bairro São José, no alto da Av. Paraná, e alguns serviços rotineiros, mais simples, como a segunda via de IPTU, IBTI, Junta Militar, Procon... Alguns serviços pequenos, que no dia a dia precisam do protocolo. Ali é um ponto estratégico da cidade, onde os corredores de ônibus passam e fica mais fácil para toda a população acessar.

A Câmara realizou a prestação de contas e o balanço foi positivo, depois das contenções de gastos que a Casa enfrentou. Em 3 meses a redução foi de 80% do déficit. O que isso representa em valores?

Nós temos uma receita chamado duodécimo, que é o repasse de 6% do FPM da prefeitura. Este repasse é constitucional, era 7%, foi aprovado em Brasília para 6%, prejudicando o funcionamento da Câmara.  Ou seja, eu já peguei a Câmara com menos orçamento. O duodécimo é gerado pelo imposto IPI, que ficou prejudicado porque a nossa presidente prorrogou a isenção do imposto nas indústrias. Isso fez com que a receita caísse. Foi colocado uma média em que nós perdemos, nesta ocasião, 32% de receita. Ainda tivemos outro problema que foi o impacto no aumento do número de vereadores. Antes tínhamos 14 vereadores, agora temos 17. Isso aumenta o custo geral da Câmara, por quê? Além do aumento de três vereadores, tivemos o aumento de 16 assessores (4 para cada vereador), com isso aumentou mais quatro veículos, oito troncos de telefone, quatro troncos de celular, materiais de escritório, vale-transporte, energia elétrica, aumento do salário mínimo, lanches, encargos sociais...

Como aumentou o número de vereadores, aumentou também o serviço interno, a parte pessoal, controladoria, CPL , a comunicação... Então, falando em valores, nós tínhamos uma receita fixa de 13 milhões de reais e um gasto de 14 milhões e 200 mil reais. Eu tive que queimar esta “gordura” tomando medidas antipáticas, porém necessárias para o bom funcionamento da instituição. Isso aconteceu por meio de corte de diárias, exoneração, corte de gratificações, horas extras, viagens de vereadores, e ainda redução dos gastos com combustíveis. Eu tive que centralizar as ligações de interurbanos e celulares para o tronco central... Enfim, todas essas medidas significaram uma redução de gastos equivalente a 770 mil reais, quase 800 mil reais. Eu acredito que dentro de 60 dias eu vou conseguir adequar o restante do déficit que ainda falta, em torno de 400 mil reais, para cumprir a meta de responsabilidade fiscal. Eu acredito que dentro de 5 meses já começa a sobrar dinheiro para investir na instituição. Pretendo realizar a reforma dos gabinetes, padronizar a mobília e também a troca do piso, que está lá há mais de 35 anos sem manutenção.

Rodyson, você falou que em aproximadamente 2 anos a Câmara mudará de espaço e que ainda levará cerca de cinco meses para readequar as contas e só então começar a fazer estas reformas. Não seria errado reformar um prédio que dentro de pouco tempo depois não abrigará mais a Câmara?

A mobília infelizmente nós precisamos de mexer, pois trata-se do serviço do dia a dia. Quanto ao piso nós precisamos trocar o quanto antes por uma questão de insalubridade. Os tacos estão podres e saem muitos microorganismos, bactérias e fundos. É uma questão de emergência e infelizmente nós temos que fazer essa mudança, por que já não temos mais condições de realizar alguns trabalhos internos. Já tivemos até servidor doente por conta disso.

Qual é a satisfação em receber uma homenagem do Exército Brasileiro?

Em vários aspectos eu me sinto muito honrado. Primeiro por que meu pai foi Militar do Exército na época da Ditadura, por 8 anos. E também o meu tio, que é Coronel do Exército, o capelão Pe. Reni que está lotado em São Paulo.  E como ex atirador, que eu e meu irmão fomos do Tiro de Guerra 04-019. Então, ter este reconhecimento do bom serviço prestado mostra que a escola de civismo e cidadania que é o 04-019 está reconhecendo meu trabalho e isso é muito gratificante. Ali eu aprendi o que é o verdadeiro civismo e a cidadania brasileira.

Vamos falar da polêmica que o projeto que a ciclofaixa trouxe. Na sua campanha eleitoral você falou que apoiou a instalação da ciclofaixa, que pretendia investir nesta área. E agora você apóia a restrição do uso da ciclofaixa. Como que está este processo?

Pelo contrário. Eu sou a favor da ciclofaixa. Na oportunidade eu era presidente da Comissão de Esportes da Câmara, quando foi viabilizado este recurso pelo Governo Federal. Eu fui o relator deste projeto e ajudei demais para a instalação. Mas, como vereador eu entendo que ali não é o local adequado para a instalação da ciclofaixa. A vocação da rua Pitangui é comercial. A realidade ali é outra e há conflito. Hoje nós temos pizzaria, boate, bares, botecos, hotel, restaurante, oficina mecânica... Enfim, tem uma variedade de comércio ali que hoje está dia e noite em funcionamento. Há uma demanda local naquela região muito grande de estacionamento. Faltam vagas para estacionar. Então estes comerciantes ficaram 100% prejudicados pela falta de estacionamento. Desta Forma, nós entendemos que temos que encontrar o equilíbrio quanto a este impasse. Eu fui de uma forma voluntária, a pedido dos comerciantes, para resolver este impasse que foi colocado.

Entendemos que a vocação ali hoje é comercial. Nós poderíamos ter usado o Parque da Ilha, o calçadão do bairro Porto Velho, na Avenida Ayrton Senna, enfim, em vários outros locais da cidade. E o que nós estamos querendo fazer? É pedir ao prefeito que faça o asfaltamento da rua João Esteves, que é a rua binária da Rua Pitangui, passando esta para  mão-única, no sentido bairro-centro, sinalizando a proibição de estacionamento de um lado da via, para que haja fluidez no trânsito. E queremos também transformar as ruas que cortam a rua Pitangui em estacionamento de 45 graus. Ali tem ruas de 22 metros de largura e comporta muito bem estacionamento rotativo de 45 graus. Por que o estacionamento rotativo? Tem algumas empresas, vou citar uma, que é a tinturaria, que tem hoje 52 funcionários. Destes funcionários, 47 tem carros e param nas imediações. Ou seja, chegam às 7 horas ocupando o espaço que poderia ser do cliente.

Sobre o concurso público que a Câmara vai abrir, já há alguma previsão? Quais os cargos?

Sim. Na verdade já autorizei a secretaria geral da Câmara e os setores da controladoria e da procuradoria para licitar a empresa para fazer o concurso público. Deveremos ter duas vagas para procurador geral, uma vaga para analista de sistema, uma vaga para técnico de informática, uma vaga para técnico jurista, uma vaga pra contador ou técnico em contabilidade e mais dois técnicos legislativos.
 

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