sábado, 11 de Abril de 2015 03:49h Atualizado em 11 de Abril de 2015 às 03:58h. Pollyanna Martins

Escrivã da Vara de Execução Criminal é presa por venda de armas

Armas apreendidas no Fórum Dr. Manoel Castro dos Santos eram vendidas pela servidora pública

Uma escrivã da Vara de Execução Criminal do Fórum Dr. Manoel Castro dos Santos, em Divinópolis, foi presa na manhã de ontem. Ela é suspeita de vender informações de processos criminais em andamento e armas apreendidas pela Polícia Militar.
Segundo o delegado regional, Fernando Vilaça, a investigação, que foi feita em parceria com o Ministério Público e o Judiciário, começou após receberem uma denúncia de que Jussara Regina Guimarães Ferreira estava praticando os crimes dentro do Fórum. “A investigação começou há algum tempo, quando recebemos a informação de que ela estava vendendo informações dos processos e objetos que estavam apreendidos no Fórum”, conta.
A escrivã foi presa em flagrante quando recebia em casa o pagamento de um revólver calibre 32, que foi entregue por um mototaxista no bairro Icaraí. O entregador Cláudio Aparecido Bento contou que foi solicitado na Rua Itumbiara, no bairro Orion, para entregar uma encomenda em um trailer no bairro Icaraí.
Conforme Cláudio, ele não suspeitava do que se tratava a encomenda que estava em uma caixa, e só foi saber do conteúdo quando voltou à residência de Jussara com um envelope com o pagamento da arma. “Fui solicitado no nosso telefone para fazer uma entrega, pegar uma encomenda no bairro Orion e levar até o bairro Icaraí, eu peguei a encomenda e levei. Chegou lá [no bairro Icaraí], a moça do trailer me pagou os R$ 20 da corrida e me entregou um envelope para levar de volta ao bairro Orion. Quando eu voltei à casa da moça que tinha solicitado a corrida, a polícia me abordou e falou que eu tinha acabado de entregar uma arma. Até então eu não sabia”, diz.
De acordo com o delegado, Jussara retirava os objetos apreendidos do cofre do Fórum. Vilaça explicou que a escrivã tinha acesso ao local por ter mais de 20 anos de carreira. “Ela retirou essa arma de dentro do cofre do Fórum e revendeu para uma pessoa que tinha antecedentes criminais, que tem uma condenação de 16 anos. Ela foi presa em flagrante e já fazia isso há muito tempo. Como ela era escrivã de carreira, tinha acesso ao cofre e a todas as informações da secretaria”, detalha. O delegado informou também que há outras suspeitas contra a escrivã.

FLAGRANTE
O delegado de furtos e roubos, Marco Antônio Noronha, foi quem conduziu o flagrante. Segundo Noronha, no momento da prisão a suspeita ficou calma e alegou ter cometido o crime por estar endividada. “Ela retirou, ontem, de dentro do Fórum, uma arma apreendida e hoje de manhã ela vendeu essa arma para duas mulheres, sendo que uma dessas mulheres é esposa de indivíduo que tem antecedentes criminais. Ela recebeu três folhas de cheque em branco como forma de pagamento. A arma foi localizada e conferida, e foi constatado que é uma arma de um procedimento envolvendo um menor infrator. Informalmente ela confessou o crime e disse que está endividada”. Além das armas, a mulher é suspeita de vender informações de processos em andamento para réus.
Conforme o delegado, o próximo passo da investigação será apurar os objetos que estão faltando no Fórum e assim contabilizar o que foi roubado. “Nós estivemos hoje no Fórum em uma diligência, foi feito um inventário das armas que constam no cofre. A partir de agora nós vamos fazer um trabalho para, justamente, tentar investigar se existem outros fatos além do que ocorreu hoje. As outras duas mulheres que foram presas afirmaram que esta não foi a primeira vez que compraram arma da escrivã”, afirma.
A servidora deve responder por corrupção passiva, peculato e venda de arma. As duas suspeitas, de 41 e 27 anos, que também foram presas, vão responder por corrupção passiva e porte ilegal de armas. Ambas foram levadas para o presídio Floramar.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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