terça-feira, 30 de Junho de 2015 10:08h Atualizado em 30 de Junho de 2015 às 10:10h. Jotha Lee

Estado define hoje forma de participação na recuperação do Hospital São João de Deus

Uma segunda rodada de negociações acontece hoje na Secretaria de Estado da Saúde (SES), em Belo Horizonte, ocasião em que o governo deverá anunciar a forma de participação do Estado na recuperação do Hospital São João de Deus

Na semana passada, aconteceu o primeiro encontro, do qual participaram diversas autoridades ligadas à área de saúde de Divinópolis, o deputado federal Jaime Martins (PSD), além dos secretários estaduais de Saúde, Fausto Pereira, e de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães. Neste primeiro encontro, ficou definido que o Estado terá participação efetiva na recuperação do maior hospital da região.
Ontem, a assessoria de imprensa da SES informou que o Estado vem mantendo conversações constantes com os representantes do Hospital, na busca de uma solução para a crise. Confirmou, ainda, que a reunião de hoje está marcada para as 10h e, além do secretário de Estado da Saúde, também participam técnicos da pasta, representantes do hospital e o promotor Sérgio Gildin. O encontro vai oficializar a forma de participação na recuperação do hospital, porém a assessoria de imprensa não antecipou nenhuma informação sobre a proposta a ser apresentada pelo governo.
O vereador Marquinhos Clementino (PROS), que participou da primeira reunião em Belo Horizonte, afirmou que hoje sairá mesmo uma decisão definitiva. O vereador lembrou, ainda, que a crise do São João começou com a ampliação física da unidade. “Quando foi iniciada a ampliação do Hospital com a construção da ala nova, foi um festa na cidade, tirava foto todo dia, uma festa, porém não se preocupou com o endividamento do Hospital. O endividamento foi muito acima de sua capacidade de liquidez. Juros correm dia e noite, o Hospital está endividado e o que se busca é equacionar uma dívida”, afirmou.
Marquinhos Clementino lembrou que somente com a negociação da dívida, o Hospital poderá retomar sua vocação. “A dívida do Hospital sempre existiu, mas em proporções muito menores. Hoje, ficou uma coisa muito difícil de ser liquidada. Tem que se buscar uma recomposição dessa dívida, para que o Hospital possa retornar em sua plenitude, com todos os serviços que eram oferecidos voltando a funcionar”, acrescentou.

 

20 LEITOS
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Edimilson Andrade (PT), que também participou do primeiro encontro em Belo Horizonte, diz que os problemas não estão somente no Hospital São João de Deus. “É complexo, é cirúrgico, temos meio leito para cada mil pessoas em nossa região. Temos 10 leitos de UTI para 230 mil habitantes e cidades vizinhas”, disse ele para ilustrar o tamanho da crise. Andrade assegurou que o Estado deverá aumentar a quantidade de leitos no Centro de Tratamento Intensivo. “Provavelmente mais 20 leitos de CTI, mais a Sala Vermelha, para atendimento de urgência e emergência”, adiantou.
A crise que afeta o Hospital São João de Deus é comum às santas casas e hospitais filantrópicos de todo o país, que ontem fizeram um movimento para alertar a população sobre as condições financeiras dessas instituições. Dados do Movimento Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos no Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que 42% das internações pelo SUS são feitas nesse tipo de instituição. O Movimento mostra ainda que, desde o lançamento do Plano Real, em 1994, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve variação de 413%, enquanto a tabela do SUS foi reajustada em apenas 93%. O déficit das santas casas e dos hospitais filantrópicos, segundo o movimento, chega a R$ 9,8 bilhões.
O Ministério da Saúde afirmou em nota que tem adotado medidas para o fortalecimento dos hospitais filantrópicos e santas casas e que o financiamento não se resume ao pagamento da tabela do SUS. O órgão já destacou que os repasses federais tiveram crescimento de 57% em quatro anos, representando incremento de R$ 5 bilhões desde 2010 em todo o sistema.

 

Crédito: Henrique Chendes/Imprensa MG
Crédito: Jotha Lee

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