sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016 08:39h Pollyanna Martins

Estoque de vacinas só deve ser normalizado em julho

A vacina BCG só é aplicada em recém-nascidos quando agendada nos postos de saúde

O estoque de vacinas para completar o calendário básico de vacinação infantil continua defasado e só deve ser normalizado em julho deste ano. As vacinas Hepatite A, a Tetraviral - contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela – e a varicela estão em falta na Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) desde outubro do ano passado, e agora também falta a vacina contra a Hepatite B em Divinópolis. O estoque da BCG, vacina que imuniza contra a tuberculose e também contra as suas formas graves, foi reduzido, e a criança só recebe a primeira dose com agendamento nos postos de saúde dos bairros São José, Ipiranga, Central, CSU e Bom Pastor.

 


O agendamento da vacina foi uma forma que o município encontrou para não desassistir a população. De acordo com a referência técnica em imunização da Semusa, Marcela Machado Santos, desde julho de 2015 que a aplicação das vacinas está sendo agendada. A referência técnica esclareceu que, antes de o estoque da vacina ser reduzido, a aplicação era feita em todas as unidades de saúde, e no Hospital São João de Deus. “Toda semana essas unidades de saúde abrem o agendamento só para um dia, mas como são cinco unidades, a população tem acesso à imunidade com o agendamento”, informa. A medida tem como objetivo aproveitar o máximo de doses possível da vacina, pois após a mesma ser aberta, o frasco tem validade de apenas seis horas. “A gente libera três fracos para serem abertos por dia, que dá para imunizar em torno de 25 a 30 doses, porque depois de aberto, a BCG tem validade de seis horas”, explica.

 


No dia 7 de janeiro, o Ministério da Saúde emitiu uma nota informando também a falta de soros (antirrábico, antivenenos, antitetânico e antibotulínico) e imunoglobulinas. O documento informa, que as vacinas contra Hepatite A (rotina pediátrica) e Hepatite B não foram enviadas aos estados, “devido à indisponibilidade de estoque”. A vacina Tetraviral foi enviada aos estados das regiões norte, sul e centro-oeste. Já a vacina Varicela Monovalente, foi enviada para os estados das regiões Sudeste e Nordeste para o esquema alternativo da vacina tríplice viral + varicela, em substituição à tetraviral. “A gente está em falta da [vacina] tetraviral, da Hepatite A, da varicela separada, e mais recente, que começou a faltar é a [vacina] Hepatite B”, informa.

 


PRAZOS
A nota emitida pelo Ministério da Saúde não informa quando o estoque será regularizado, mas de acordo com Marcela, a Semusa foi informada de que, entre os meses de março e julho deste ano as vacinas serão normalizadas. “O que nós recebemos do Ministério é um informe, mostrando as dificuldades, colocando as estratégias dos laboratórios, porque parece que eles estão mudando a tecnologia de produção, então reduziram a produção de várias vacinas e soros”.

 


IMUNIZAÇÃO
O recém-nascido deve receber a primeira dose da vacina contra a Hepatite B nas primeiras 12 horas de vida. Como a vacina está em falta no estoque da Semusa, Marcela explica que a segunda dose é aplicada quando o bebê completa dois meses, por meio da vacina pentavalente. “A pentavalente nós temos no estoque, então a criança que não teve acesso à dose separada da hepatite B, vai ter acesso à vacina da Hepatite B junto com a pentavalente aos dois meses de vida”, explica.
A vacina poliomielite – vacina de gotinha – também está passando por uma transição e o município dispõe apenas da versão injetável. Marcela esclarece que a vacina era produzida com três vírus, mas passará a ser produzida apenas com dois vírus, após estudos constatarem a sua eficácia mesmo com a redução de um vírus. “Como estamos nesta fase de transição, nós estamos em falta da vacina oral. Acabaram a vacina com três vírus e eu ainda não recebi a nova vacina, mas nós temos a poliomielite injetável”, avisa.

 


ORIENTAÇÕES
Os pais que querem completar o calendário de vacinação de seus filhos podem recorrer à rede privada para ter acesso às vacinas. Quem ainda irá aguardar a chegada das vacinas na rede pública, a referência técnica orienta a manter a calma. “Gera uma ansiedade na população a falta das vacinas, mas a grande maioria delas nós temos disponível nas unidades. Tanto a [vacina] Hepatite A, quanto a tetraviral, são vacinas que podem ser feitas até menor de dois anos. Uma vez que a gente não tem a vacina, temos que aguardar o repasse da Secretaria de Estado, enquanto tem [vacina], a gente vai remanejando para assistir toda a população”, garante.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES/MG) informou que há problemas de desabastecimento de diversas vacinas nos municípios do Estado, conforme Nota Informativa nº 198/2015, de 2015, do Ministério da Saúde.

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