quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015 10:13h Atualizado em 29 de Janeiro de 2015 às 10:19h. Lorena Silva

Estudante aborda desconstrução de gênero em performance

“Âmago” foi realizada em Divinópolis no último dia 15

Usando um vestido rosa-claro com detalhes em vermelho e uma bota de cano curto marrom, Weverton Andrade saiu pelas principais ruas de Divinópolis se desviando de alguns olhares de pessoas que passavam ao seu lado. Nesse dia, ele e integrantes do grupo Doutores Palhaços de Divinópolis experimentaram como é a sensação de estar na pele de um LGBT.
A experiência fez parte da performance “Âmago”, realizada em Divinópolis no último dia 15. O objetivo principal do trabalho foi instigar as pessoas a refletirem sobre o preconceito vivido diariamente pela comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT).
“Busquei mais estar na pele de quem sofre o preconceito, entender a luta dos transexuais e travestis. Acredito que, de alguma forma, os indivíduos LGBT estão vivenciado a luta por direitos políticos que as mulheres e os negros já passaram e ainda passam”, explica o estudante Weverton, que dirigiu a performance.

 

ÂMAGO
Essa não foi a primeira experiência de Weverton – há cerca de dois meses ele já havia realizado a performance “Comum de Dois”. Nela, ele saiu de São João del-Rei vestindo roupas femininas com destino a Juiz de Fora, onde permaneceu durante três dias e três noites com roupas consideradas contrárias ao seu gênero.
“O propósito era buscar entender o porquê incomodava tanto homem de saia ou vestido. O processo era autobiográfico, recorri às minhas lembranças de infância para saber como é ensinado um menino a ser homem e menina a ser mulher. Um amigo que também é de Divinópolis ficou encantado com o trabalho e disse que eu tinha que realizar de alguma forma uma performance com a temática ‘diversidade sexual’ na cidade”, conta o estudante.
A pesquisa para a performance começou na sede dos Doutores Palhaços de Divinópolis e envolveu 13 pessoas, que saíram do edifício Costa Rangel em direção à Praça do Santuário. Weverton conta que a chamou de “Âmago” porque cada um dos atores utilizou de suas memórias para compor o trabalho, abordando a desconstrução de gênero em diversos aspectos, como no futebol, na mulher, na sexualidade, no homem negro e no corpo masculino, por exemplo.
“Os atores já tinham vivido parte daquelas experiências em outras épocas de suas vidas e colocaram na rua. Encararam a sociedade, viram como é a discriminação de homem com acessório feminino, por exemplo. Vivemos uma época que ser homem não é ter o corpo masculino, mas sim um conjunto de normas”, pontua Weverton.

 

PROJETOS
“Âmago” é parte do Trabalho de Conclusão de Curso do estudante, que atualmente estuda Licenciatura em Teatro pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Além disso, faz parte do projeto de extensão “Araci: teatro, contemporaneidade e extensão universitária”, que é subsidiado pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Além de finalizar o projeto de conclusão do curso, intitulado “Perspectivas do Teatro na Educação: Práticas e Documentação da memória e autobiografia da comunidade LGBT face a um sistema pedagógico heteronormativo”, Weverton também está desenvolvendo outra performance, com a artista Priscila Natany. Também dirige, com Marlon de Paula, um documentário sobre a memória escolar dos indivíduos LGBT.

 

Crédito: Bárbara Machado

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