quarta-feira, 29 de Abril de 2015 11:33h Atualizado em 29 de Abril de 2015 às 11:38h. Pollyanna Martins

Estudantes de escolas do Terra Azul fazem mobilização nas ruas do bairro

Mobilização uniu o Cmei Maria Lúcia Gregório e a Escola Municipal Antonieta Fonseca

Alunos, pais e professores do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei)Maria Lúcia Gregório e da Escola Municipal Antonieta Fonseca, do bairro Terra Azul, se reuniram na manhã de ontem para uma mobilização em prol de melhorias na educação e na infraestrutura do bairro. A manifestação foi pacífica e contou com faixas de protesto sobre a situação das escolas e do local.
Após viver momentos de tensão no início deste mês, com o anúncio do fechamento do Cmei, e após a Prefeitura ter voltado atrás de sua decisão, a diretora da unidade, Gilmara Cordeiro Telles, disse que a comunidade precisa de melhorias na educação e uma parceria constante com a Secretaria Municipal de Educação (Semed). Segundo ela, essa parceria foi perdida após a crise vivenciada por pais, alunos e funcionários do centro. “A gente precisa que a parceria com a escola seja algo constante, o que a gente tinha antes. Mas com esse parecer da secretaria [de educação] nós ficamos sentidos. Além de melhorias no bairro. Se tem educação de qualidade, o bairro vai reivindicar as melhorias necessárias, porque ele está muito esquecido”, afirma.
Apesar de receber verbas do município, a diretora busca doações junto ao empresariado divinopolitano para dar uma qualidade maior às crianças de dois a cinco anos que estudam no Cmei. “Não falta apoio do poder público, mas quando uma verba não dá, eu corro atrás de outra. Como a gente sonha muito mais do que o previsto pelo poder público, a gente corre atrás de doação junto aos empresários, e até o meu grupo mesmo. Quando eu cheguei ao Cmei, eu levei uma cozinha inteira da minha casa, porque a que estava lá estava caindo. Não é por falta de apoio ao poder público não, mas é porque a gente sonha mais”, acrescenta.

INFRAESTRUTURA
Quem chega ao bairro vê de perto a falta de infraestrutura. Várias ruas estão sem calçamento e os buracos enormes tomaram conta das vias, fato que dificulta a passagem dos carros. Em alguns locais o acesso só pode ser feito a pé.  Além disso, o esgoto escorre a céu aberto e traz risco à saúde dos moradores. Considerado um bairro de risco social, as diretoras das únicas escolas da comunidade realizam campanhas de doação de roupas para as crianças e comida para as famílias. “A gente quer mais qualidade e conforto para as crianças. O que eles não têm, nós queremos proporcionar ali [nas escolas]. São crianças de risco social, que deveriam ser melhores assistidas, deveriam ter mais investimentos. Se essas crianças tivessem um investimento maior, a gente teria uma redução de 70% com gastos em segurança pública”, ressalta a diretora.

EMAF
A diretora da Escola Municipal Antonieta Fonseca, Elaine Ferreira Gonçalves, reclama que a escola, dirigida por ela há um ano e meio, é isolada e com infraestrutura precária. Segundo Elaine, um dos grandes desafios que a unidade enfrenta é a falta de apoio. “Há cerca de um ano a gente observava que as crianças eram muito carentes. Algumas iam para a escola para merendar, a gente conseguia muita doação de roupa, e até mesmo para marcar um médico. A gente fazia todo um trabalho social. Hoje os pais de algumas crianças já arrumaram emprego e essa situação melhorou. É um bairro muito carente de tudo mesmo”, relata.
Durante a crise dos Cmei’s, a escola foi alvo de vandalismo. Um grupo invadiu a instituição e roubou câmeras, quebrou murais, além de depredar banheiros e bancadas. A diretora conta que apenas parte do que foi estragado conseguiu arrumar, e faz um apelo à comunidade. “Quando aconteceu a situação nós ficamos muito tristes, nós tínhamos terminado de pintar a escola. A gente fica triste porque a escola é da comunidade. Eu estou lutando para dar uma vista melhor para escola. Quem faz isso está atingindo a comunidade, que perde com esses atos de vandalismo.”

Crédito: Pollyanna Martins

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.