sexta-feira, 19 de Junho de 2015 10:56h

Estudo aponta características dos nascidos vivos em Divinópolis

Índice de cesáreas na cidade considerado alto, aponta levantamento

A Vigilância Epidemiológica, setor da Diretoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis (Semusa), divulgou nesta quinta-feira (18/06) um estudo referentes às características dos nascidos vivos em Divinópolis.  A base deste estudo foi extraída do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos-SINASC. Criado pelo Ministério da Saúde no ano de 1990 este sistema está implantado em Divinópolis desde 1994. Os dados utilizados foram retirados das DN’s (Declarações de Nascidos Vivos) que são fornecidas pelos hospitais quando do nascimento das crianças.
Em 2014, nasceram no município 2.699 crianças. Destes partos, 99.85% foram realizados em ambiente hospitalar. A maioria dos recém-nascidos foi do sexo masculino: 52,17%.
As informações sobre nascidos vivos divulgados pela Vigilância Epidemiológica da Semusa revelam outros pontos. A proporção de mães adolescentes foi de 9,96%, enquanto houve um predomínio de nascimentos entre mães com idade de 20 a 39 anos. O que representou 85,55%.
O percentual de mulheres que realizaram sete ou mais consultas de pré-natal foi de 76,58%. O Ministério da Saúde define como pré-natal adequado a realização de seis ou mais consultas.
Quanto à duração da gestação, observou-se que 87,07% das crianças nasceram com 37 semanas ou mais, e o percentual de prematuros chegou a 11,97%. O percentual de baixo peso ao nascer (menor que 2500 gramas), que segundo a Organização Mundial de Saúde, é um dos principais fatores de risco para a mortalidade infantil, representou 8,89% dos nascimentos.
O estudo aponta, ainda, que o maior índice, em relação à escolaridade da mãe, foi na faixa de 8 a 11 anos de estudo, o que representou 54,43%.

Cesárea
Quando o tema avaliado foi o tipo de parto, o estudo da Vigilância Epidemiológica da Semusa revelou que, em 2014, as cesáreas corresponderam 66,21% dos partos. Percentual considerado elevado pelo Ministério da Saúde (35% para o Estado de Minas Gerais) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “A recomendação da OMS é que somente 15% dos partos sejam realizados por cesariana, pois essa seria a porcentagem de situações reais de risco à mãe ou ao bebê se o parto for feito por via natural. A cesariana ainda triplica o risco de morte materna por causa de possíveis infecções e acidentes anestésicos, por exemplo”, explica o epidemiologista da Semusa, Osmundo Santana.
De acordo com o Ministério da Saúde, quando não tem indicação clínica, a cesariana ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade.
Em Divinópolis, o estudo da Vigilância Epidemiológica da Semusa apontou que a taxa de mortalidade entre recém-nascidos é de 7,9 por mil nascidos vivos (dados para 2013). De forma geral, as mortes foram relacionadas, principalmente, às doenças originadas no período perinatal (48%) e às anomalias congênitas (24%). A taxa de Minas Gerais é 12,1/1000 e a do Brasil de 13,4/1000 nascidos vivos.
Para Osmundo Santana, a avaliação feita com base no SINASC se mostra como um importante instrumento de planejamento em Saúde Pública. “Ela permite subsidiar as ações relacionadas à saúde da mulher e da criança para todos os níveis do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de propiciar o acompanhamento da evolução das séries históricas dos nascimentos e, assim, identificar prioridades de intervenção, o que contribui para efetiva melhoria do sistema”, conclui o epidemiologista.
Abaixo Tabela de Nascidos vivos residentes em Divinópolis/MG, segundo principais características, ano 2014.

 

Tabela no site
Nota: Percentuais calculados excluindo-se os não informados e os ignorados
        Total de nascidos vivos, residentes em Divinópolis, ano 2014 = 2699
                      Dados retirados em 16/04/2015, sujeitos a retificação.

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